Porta 33 registou enchente na inauguração de exposição sobre a obra do arquitecto Rui Goes Ferreira

*Com Rui Marote

A galeria Porta 33, à Rua do Quebra-Costas, registou hoje uma enchente de visitantes interessados na exposição que, hoje inaugurada naquele espaço, recorda o percurso do arquitecto Rui Goes Ferreira. Intitulada “Imagem de uma obra interrompida”, a mostra é comissariada por Madalena Vidigal, e conta com fotografias de Duarte Belo.

Neste acto inaugural, a Porta 33 teve casa cheia, como há muito não se via. Familiares do arquitecto, amigos, arquitectos da nova vaga e engenheiros vieram conhecer o espólio deixado por Goes Ferreira.

A galeria acabou por ser pequena para albergar os convidados e o público. A directora regional da Cultura, Teresa Brazão, marcou presença.

Alguns proprietários de casas antigamente projectadas pelo arquitecto estiveram também presentes, como foi o caso de Margarida Camacho.

A exposição conforme a galeria já divulgou e o FN já noticiou, partiu da responsabilidade de divulgação “de um legado ímpar no contexto da Arquitectura dos anos 60 e 70 no Arquipélago da Madeira”. Amostra foi motivada pelo acordo de doação deste acervo à Fundação Marques da Silva, no Porto.

Em 2009 iniciou-se um trabalho de identificação e levantamento das obras, conduzido pela arquitecta Teresa Goes Ferreira, filha do arquitecto. Temporariamente interrompido, o trabalho ressurgiu em 2015 com um estudo pioneiro sobre o legado de Rui Goes Ferreira. Nesse ano, Madalena Vidigal, então estudante na Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto, desenvolveu a sua tese de mestrado intitulada “Rui Goes Ferreira. Ensaios sobre uma obra interrompida. Madeira 1956-1978”, dando continuidade à organização do acervo e iniciando um estudo da obra e do arquitecto.

Já em Junho de 2016, o fotógrafo Duarte Belo foi convidado a realizar um levantamento fotográfico ao conjunto de
obras construídas existentes e acervo, visando fixar uma obra que construída ainda é viva mas que se encontra em risco de desaparecimento.

Rui Goes Ferreira nasceu em 1926 e faleceu em 1978. Em 1946 ingressou na Escola de Belas Artes do Porto e completou a parte escolar do curso de arquitectura em 1953. Iniciou-se em trabalho de atelier com o arquitecto Januário Godinho, como estagiário, no período entre 1953 e 1957. Regressou à Madeira em 1955 a convite da Academia de Música e Belas Artes da Madeira (AMBAM) da qual foi professor de Desenho Arquitectónico nos cursos de Escultura e Pintura. A partir de 1956 exerceu carreira em regime de profissão liberal, no Funchal. Foi um precursor da arquitectura moderna no arquipélago, como Raul Chorão Ramalho.