ACIF defende horários alargados do comércio no Natal desde que respeitando a legislação e os trabalhadores

Camelo
Gonçalo Maia Camelo, membro da direção da ACIF, diz que os horários alargados do comércio no Natal devem ser negociados, sempre, com respeito pela lei e pelos direitos dos trabalhadores

O alargamento dos horários do comércio tradicional, no centro da cidade, em época de Natal e final de ano, é defendido pela ACIF – Associação do Comércio e Indústria do Funchal. É a resposta à manifestação de vontade dos seus associados, em função das oportunidades de negócio que a época proporciona e a esperança de alguma compensação relativamente ao período menos bom que a atividade comercial, no centro da cidade, vem sofrendo, à espera da revitalização que a catapulte para patamares que possam transportar uma visualização mais agradável para o futuro.

Gonçalo Maia Camelo, membro da direção da ACIF, com o pelouro do comércio, lembra que “quaisquer situações que tenham a ver com os horários e respetivos alargamentos, constituem situações que devem ser observadas em ligação direta com aquilo que está estabelecido por lei pelos contratos coletivos de trabalho. A base de qualquer negociação deve ser essa, o que não prejudica, em casos pontuais, que as entidades patronais e os trabalhadores possam chegar a acordo, em determinadas condições específicas de prestação de trabalho durante este período”.

Aquele dirigente associativo refere, ainda, que esta realidade do comércio e a sua evolução na época de Natal “deveria ser do interesse dos próprios trabalhadores, na medida em que veem a sua entidade patronal ter mais proveito na atividade que desenvolve e, com isso, um aumento de capacidade para rentabilizar as suas vendas e o seu negócio”. Salvaguarda, no entanto, que essa perspetiva deve ser, sempre, acompanhada por uma outra, que se prende “com o respeito pelas regras legais aplicadas”, sendo que “as entidades patronais podem sempre propor, aos seus trabalhadores, que façam horas extraordinárias, desde que as paguem, mas sempre no enquadramento legal e contratual”.

Naquilo que se prende com a situação atual do comércio tradicional, Gonçalo Maia Camelo aborda a questão do ponto de vista do conhecimento e da sensibilidade que tem sobre o assunto. Falar em recuperação, não fala, é comedido na avaliação. Lembra que “houve uma altura em que fecharam muitas lojas, mas hoje vemos algumas a abrir”. Diz apenas haver “alguma diversificação”, embora “a incidir muito na área da restauração”, registando-se serviços que “são esmagados pelas grandes superfícies”. Faz a análise de forma empírica, mas “é aquilo que se pode depreender”.

Considera que “não é por falta de esforço que o comércio tradicional não vai avançar. Não podemos ignorar o trabalho que tem sido desenvolvido, numa articulação entre a ACIF e a Câmara do Funchal, no sentido de dinamizar o comércio através de várias iniciativas. Temos um tecido empresarial assente em pequenas, médias e microempresas, importante até do ponto de vista do nosso turismo, para quem o comércio local é um vaso comunicante importante, uma vez que a respetiva dinâmica fomenta a atividade turística e faz com que, por exemplo, o centro da cidade não fique deserto à noite”.