Já há quem faça epitáfios às árvores cortadas pela CMF

Fomos hoje deparar com este estranho cenário, na Rua Pedro José de Ornelas, frente ao Colégio de Santa Teresinha. Algum cidadão amante das árvores mas um pouco menos amigo da gramática, escreveu, em mau português mas de forma sentida, o epitáfio que a foto documenta a duas árvores recentemente cortadas pela Câmara Municipal do Funchal.

Parece óbvio, mau grado o erro no verbo “jazer”, que o cidadão em questão queria dizer: “Aqui jazem dois belos jacarandás”. E complementou este lamento com uma cruz e uma jarra de flores.

O acto diz bem da forma como tem desagradado a vários munícipes a alegada “fúria cortadora” da CMF após o trauma deixado pela tragédia do Monte. Múltiplas árvores têm sido abatidas no Funchal, em nome da segurança.

No entanto, a bem da verdade, refira-se que o FN esteve em frente da casa onde se situavam os dois jacarandás (que não temos a certeza, ignorância botânica nossa, de serem realmente jacarandás; estas são árvores de flor amarela e os jacarandás têm, que saibamos, flor roxa) há dias, quando houve vento forte. E fotografou, inclusive, grande quantidade de ramagem de dimensões significativas, que caiu na estrada e no passeio, e que os bombeiros tiveram de recolher. A casa, onde reside desde há alguns meses um director regional do Governo insular, terá sido atingida por um ramo que, aparentemente, causou pequenos danos. Mas, pelo que vimos, os galhos que caíram não eram mesmo nada pequenos. E ameaçavam realmente a segurança de pessoas e bens. Resta saber se era mesmo preciso cortar totalmente as duas árvores.

O local onde ficou o “epitáfio” (árvore cortada frente ao automóvel)

Aparentemente, a prudência ditou o corte das mesmas. Mas nem toda a gente está de acordo… E daí a contestação, em forma de epitáfio/protesto…

Foto Rui Marote: as árvores que entretanto foram cortadas, no dia da ventania, e parte das folhagens que os bombeiros recolheram.
Foto Rui Marote