Com a polémica ao rubro em torno da paternidade, padre Giselo cita hoje Assis no Facebook para explicar a verdadeira alegria…

Num momento em que a paternidade assumida do padre Giselo Andrade está a gerar grande polémica, eis que o mesmo sacerdote publica hoje, também no dia do seu aniversário, na sua página de Facebook, uma história em torno de São Francisco de Assis, “Ditado sobre a verdadeira e perfeita alegria”.

Um texto inevitavelmente ligado ao sofrimento por que passa o sacerdote e respetivo drama pessoal, perante a quebra do voto do celibato. Citando uma edição Capuchinhos, o pároco do Monte deixa a lição de São Francisco de Assis perante a vida “Eu te digo que se eu tiver paciência e não me abalar, que nisto está a verdadeira alegria e a verdadeira virtude e salvação da alma”.

O FN publica o post do sacerdote Giselo Andrade, que, alegadamente, atravessa um momento de reflexão sobre o que fará no futuro: continuar no Monte, como sacerdote, rompendo com a relação que teve com a mãe da filha perfilhada ou optar pela saída do sacerdócio. O próprio Bispo da Diocese declarou que o assunto não está encerrado e que a igreja não pode aceitar uma vida dupla.

Em tempo de reflexão, o FN reproduz o post do padre Giselo Andrade, que explica de certo modo o que lhe vai na alma neste drama que atravessa.

“1. Um dia o bem-aventurado Francisco chamou Frei leão em Santa Maria dos Anjos e disse: “Frei leão, escreve”. O qual respondeu:
2. “Eis, estou pronto”.
3. “Escreve – disse – qual é a verdadeira alegria.
4. Vem um mensageiro e diz que todos os mestres de Paris vieram para a Ordem, escreve: não é a verdadeira alegria. 
5. Também que todos os prelados ultramontanos, arcebispos e bispos; também que o rei da França e o rei da Inglaterra: escreve, não é a verdadeira alegria.
6. Também, que os meus frades foram aos infiéis e converteram-nos todos à fé; também que tenho tamanha graça de Deus que curo doentes e faço muitos milagres: eu te digo que em tudo isso não há verdadeira alegria.
7. Mas qual é a verdadeira alegria?
8. Volto de Perusa e de noite profunda venho aqui e é tempo de inverno, barrento e tão frio, que se formam bolinhas de água fria congelada na barra da túnica e me batem sempre nas pernas, e corre o sangue dessas feridas.
9. E todo no barro, no frio e no gelo, chego à porta, e depois que bati e chamei longamente, vem um frade e pergunta: Quem é? Eu respondo: Frei Francisco.
10. E ele diz: Vá: não é hora decente de andar; não entrarás.
11. E, insistindo de novo, ele responda: Vá; tu és um simples e idiota; agora não vens a nós; nós somos tantos e tais que não precisamos de ti.
12. E eu estou de novo à porta e digo: Pelo amor de Deus, recolhei-me esta noite.
13. E ele responda: Não o farei.
14. Vá à casa dos Crucíferos e peça lá.
15. Eu te digo que se eu tiver paciência e não me abalar, que nisto está a verdadeira alegria e a verdadeira virtude e salvação da alma. (in capuchinhos.org.br)”

 

Os leitores poderão também consultar o texto na página dos Capuchinhos:

http://www.capuchinhos.org.br/cboeste/franciscanismo/escritos-de-sao-francisco/fragmentos/ditado-da-perfeita-alegria/ditado-sobre-a-verdadeira-e-perfeita-alegria