As intervenções e trabalhos contemporâneos que até lá poderão ser vistos, segundo nota do próprio museu, realizam uma fusão entre o político e o lírico, com ambos estes artistas. O brasileiro participou na 57ª Bienal de Veneza e em outras importantes exposições de arte dos nossos dias; Rigo 23 tem uma bem conhecida carreira, da qual se destacam, recentemente, a participação na Folkestone Triennal na Inglaterra, e a exposição “Mundos Alternos: Art and Science Fiction in the Americas” na Califórnia, em 2017.
A mostra, diz a instituição museológica, é o culminar das muitas actividades da mesma nas actividades de investigação da cultura e arte afro-brasileira. “Proporciona um novo ímpeto nas percepções presentes dos processos transatlânticos de arte entre a África, a Europa e a América”, afiançam os responsáveis. Isto é particularmente evidente, referem, nas interacções dos artistas com objectos da América do Sul e de África, constantes das colecções do Museu. A selecção de objectos realizada pelos artistas, oferece “um olhar fascinante nas suas próprias preocupações e interesses”.
Ambos os criadores apresentam instalações de larga escala, trabalhos videográficos, fotografias, esculturas e performances nas quais “exploram o poder de eventos históricos da era da escravatura e do domínio colonial, um poder que então emanava da Europa. Mesmo agora, estes eventos ainda afectam as vidas dos descendentes de escravos afro-americanos a diáspora, bem como dos índio Guarani”, refere um texto alusivo.
Rigo 23 realiza projectos artísticos usando métodos participativos, com os índios Guarani no Brasil, projectos esses que reflectem a sua criatividade e espiritualidade e têm uma mensagem política impactante. São trabalhos que vêm na senda de um percurso marcado pela forte consciencialização política e social que Rigo 23 promove através da sua arte, sempre provocadora e interventiva que aborda os problemas, mas também os aspectos mais positivos da identidade, dos povos ou grupos marginalizados.
Já o brasileiro Ayrson Heráclito faz uma conexão entre a sua arte e a estética da cultura urbana e da religião afro-brasileira, que o mesmo vê como uma expressão de resistência e auto-afirmação de um povo que preserva ainda a cultura dos antigos escravos.
A exposição conta ainda com empréstimos do Museu Colecção Berardo, de Lisboa, e da Galeria Tapeçarias de Portalegre, bem como de várias colecções privadas nas quais ambos os artistas se encontram representados.
A ideia da exposição e do design foi desenvolvida num processo de diálogo entre os curadores e etnólogos Mona Suhrbier e Jane de Hohenstein e a dupla de artistas.
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