“Há carreiras de filhos e carreiras de enteados”, denunciam os técnicos de diagnóstico e terapêutica que vão estar em greve amanhã

adriano ribeiro
Adelino Ribeiro fala em evidente “falta de meios” na Região.

Os técnicos de diagnóstico e terapêutica da Região estarão concentrados amanhã, cerca das 12 horas, em frente ao Hospital Dr. Nélio Mendonça. É uma das ações nacionais levadas a efeito pelo Sindicato respetivo, que aponta para o dia 19 uma manifestação junto ao Ministério da Saúde. Na Madeira, aqueles profissionais rondam as duas centenas em duas dezenas de áreas profissionais.

Adelino Ribeiro, técnico madeirense que integra a direção nacional do Sindicato, lembra as razões que estão colocadas sobre a mesa e que justificam esta ação de luta por todo o País e que na Região inclui a concentração marcada para amanhã e que, pela previsibilidade de grande adesão, vai parar consultas, exames e cirurgias. Lembra que “houve uma reunião com a tutela, onde foi reconhecido e publicado em Diário da República a criação das nossas carreiras enquanto técnicos superiores, com o compromisso que, até final de setembro, apresentariam as propostas tendo em vista a actualização das respetivas carreiras. E nada aconteceu. Queremos saber quais são as profissões que integram a carreira e quais as denominações dessas profissões, a definição das competências profissionais, a avaliação do desempenho, a classificação das profissões de risco, como por exemplo a exposição contínua às radiações, nomeadamente na medicina nuclear e técnicos de Radiologia. E só no final, como última pretensão, que nem está diretamente na razão desta greve, vem a componente remuneratória. E há que dizer que somos, entre os técnicos superiores na área da Saúde, os mais mal pagos”.

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Amanhã, pelas 12 horas, há concentração de técnicos de diagnóstico e terapêutica.

O Sindicato tem afirmado que há discriminação, por parte do Governo da República, relativamente aos técnicos de diagnóstico e terapêutica e por comparação com aquilo que se passa com as negociações que o Executivo mantém com os enfermeiros e com os médicos. Adelino Ribeiro explica que, neste particular, “o governo não só não deu qualquer resposta sobre as nossas pretensões, como também alegou que não tinha tempo por estar a tratar das carreiras dos enfermeiros e dos médicos. Isto leva a crer que há carreiras de filhos e carreiras de enteados, depois de uma outra barbaridade, que é ter convocado uma reunião que foi desconvocada logo a seguir”.

Num contexto em que o Serviço Regional de Saúde tem estado “debaixo de fogo”, com sucessivos episódios que colocam em causa o serviço e a segurança dos utentes, o Sindicato dos técnicos de diagnóstico e terapêutica também regista algumas situações que têm a ver, essencialmente, com a falta de material e de equipamentos inoperacionais. O cenário não é diferente daquele que já tem sido relatado em diversas ocasiões e Adelino Ribeiro faz referência a uma evidente “falta de meios, eu não posso fazer análises se não tiver reagentes, não posso fazer radiografias se os aparelhos estão avariados ou com falta de manutenção”.