“O PSD-Madeira precisa de acabar com o ajuste de contas, houve erros nas escolhas dos candidatos”, diz o social democrata Filipe Malheiro

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Luís Filipe Malheiro diz que Albuquerque não deve esquecer uma frase: “O fraco Rei faz fraca a forte gente”.
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Já desempenhou diversas funções dentro do partido, hoje é militante de base do PSD-Madeira. Luís Filipe Malheiro, comentador, não põe “panos quentes” quando é para retratar a situação do partido depois do descalabro eleitoral de domingo para as eleições autárquicas. De tudo o que diz, ressalta por exemplo, um alerta para o interior das hostes partidárias: ” O PSD-M precisa de acabar com ajuste de contas, precisa de chamar as pessoas colocadas à margem porque lhes colocaram um carimbo na testa de “jardinista” e tem que entender que a renovação não pode ser conflituosa nem se pode limitar a mudar pessoas, muitas delas sem perfil e sem preparação para assumirem responsabilidades políticas”.

O PSD-M tem que ir rapidamente para o terreno

O pior resultado eleitoral de sempre, para o PSD-M, explica a necessidade de intervenção urgente, na perspetiva de Filipe Malheiro: “Acho que não precisamos de mais argumentos para reconhecer que é preciso, o PSD, fazer alguma coisa e rapidamente, pensando em 2019 que será um ano eleitoral exigente. Os resultados de domingo terão impacto negativo na base eleitoral do PSD que dificilmente sentirão alguma motivação sobretudo nos concelhos onde eleitoralmente as coisas correram mal. Ficam sempre, mas para que esse desencanto não se acentue, o PSD tem que ir rapidamente para o terreno”.

Aponta ter a suspeita que “foram tomadas decisões por imposição – em 2013 também se verificou isso – que acabaram por gerar desagrado, causar divisões, afastar pessoas. Sei de militantes históricos do PSD que apoiaram candidaturas que não as social-democratas, mas que continuarão a ser eleitores do PSD nas regionais”.

Ricardo Nascimento é uma pessoa séria

A situação na Ribeira Brava, onde Ricardo Nascimento venceu depois de ter sido preterido como candidato social-democrata, merece de Filipe Malheiro uma posição que incide nas deficiências de escolhas. Afirma conhecer Ricardo Nascimento, diz ser “uma pessoa séria, pelo que não entendi o que é que levou ao seu afastamento, num concelho que foi sempre fiel ao PSD, salvo o facto de ter apoiado nas diretas de 2015 um outro candidato nessa corrida. Ninguém conseguiu desmentir até hoje, de forma séria, esta suspeição que se instalou há muito junto das pessoas, desde logo entre os eleitores da Ribeira Brava que deram a Nascimento uma vitória ainda mais folgada do que a obtida em 2013”.

Candidatura do Funchal sem pessoas que mobilizassem

Fala do Funchal para dizer que o que aconteceu “é sobretudo uma vitória que tem um cunho pessoal de Cafofo e o mérito de uma máquina eleitoral que nunca poderia ser enfrentada e derrotada com base num discurso demasiado generalista, assente em promessas ou banalidades. Quem está na oposição não pode cair nesse erro”. Afirma que o PSD “começou a tratar de forma séria esta candidatura muito tarde, deveria ter tratado do assunto mais cedo, sem dar nas vistas, porque sabia que estava em desvantagem…A candidatura, sem ofensa para ninguém, salvo um ou outro nome, também não integrava pessoas que mobilizassem com a sua presença os eleitores”.

Luís Filipe Malheiro considera que “os resultados das eleições autárquicas para o PSD Madeira constituíram mais um aviso, o terceiro consecutivo, de que é preciso fazer alguma coisa. Ou que, em aditamento a essa constatação, transmitiram a ideia de que há uma mudança política e eleitoral que pode ter muito a ver com a própria mudança geracional no universo eleitoral da Região”.

Deixem-se de falsificar comícios”

Lança outro alerta para a máquina “laranja” e para a estratégia assente em comícios: “Deixem-se de “falsificar” comícios, de encher os locais com militantes e simpatizantes levados de um lado para outro, para dar uma ideia de pujança através dos média, mas que distorce a realidade e acaba por alimentar a ideia de que as cosias estão “bem,” quando na realidade o que se passa é a construção de uma imagem leia-se, de uma realidade eleitoral, sem correspondência com a realidade social na freguesia ou no concelho. Aliás esta questão nem é de hoje, não é apenas um problema do PSD”.

O fraco Rei faz fraca a forte gente”

Quanto à eventualidade de um congresso antecipado, Filipe Malheiro não acha boa ideia. Não acredita que seja preciso um congresso porque isso “fragilizaria ainda mais o PSD regional. Não há movimentos organizados de contestação da liderança – há vozes isoladas que criticam ou contestam, mas que aos olhos dos militantes e da opinião pública poderiam significar um retorno a um passado recente que também uma das causas do que hoje se passa com o PSD regional”. Critica o facto de não ter visto membros do governo envolvidos na campanha e embora admitindo uma relação próxima com Albuquerque, aproveita para deixar ao Presidente do Governo e do partido na Região, uma frase que serve de “aviso à navegação”. Para que não esqueça: “O fraco Rei faz fraca a forte gente”.