Candidato do CDS/PP afirma que “este Porto Santo não é a verdade”, que “Idalino não escolheu a lista” e que se for eleito será “uma pedra no sapato do PSD”

OLYMPUS DIGITAL CAMERA
O candidato do CDS/PP à Câmara do Porto Santo diz que “este Governo Regional está a definhar, não tem qualquer mão em nada”. Foto Rui Marote

João Rodrigues, solicitador, candidato do CDS/PP à Câmara do Porto Santo, não põe reservas para criticar a atual governação autárquica de Menezes de Oliveira. Não poupa o presidente da autarquia, mas também não deixa de fora do alvo o PSD, partido a que já pertenceu e de lá saiu, dececionado, em 2011. Diz que foi para o CDS/PP porque este partido deu-lhe liberdade para atuar, uma autonomia que, segundo denuncia, “não existe no PSD”. Vai mais longe ao afirmar que essa liberdade de escolha “é precisamente o que difere as listas dos dois partidos”. Quando pedimos, passa a explicar: “Enquanto as pessoas que vão nas listas do CDS aceitaram o meu convite sabendo que as hipóteses de ganhar são diminutas, embora possamos ser eleitos, as que foram pelas listas do PSD estão lá por imposição”.

Idalino não escolheu a lista

O candidato afirma, com o tom de voz de quem sabe do que fala, que “Idalino Vasconcelos não escolheu nem um elemento da sua lista”. E não fica por aqui: “Na lista do PSD, reina a xenofobia, vejo com tristeza a forma como eles se gabam de terem uma lista só de gente do Porto Santo. O próprio deputado Bernardo Caldeira fez questão de publicar isso mesmo no facebook”. Classifica a candidatura de Idalino de “erro de casting” e diz que no debate televisivo “já levava escrito o que era para dizer”.

Se for eleito a minha música é outra”

João Rodrigues acusa este renovado PSD de ter “restos de jardinismo” e avisa a população que se o PSD ou o PS forem eleitos para gerir os destinos da Câmara “é um erro”. Afirma que nestas eleições autárquicas, o Porto Santo “tem várias listas do PSD”, considera que “há gente com medo da candidatura do CDS/PP” e vai avisando que se for eleito “a minha música será outra”. A música, aqui, explicando melhor, “é uma música pelo Porto Santo”, do género “mostrar o que é o Porto Santo, este Porto Santo não é a verdade”.

Com desassombro, não deixa pontas soltas quando aponta baterias. Diz que há candidatos na lista do PSD que apoiam a sua candidatura no CDS/PP. “Quem diz na lista do PSD, diz nas outras”, justificando com o facto de as pessoas estarem na “máquina laranja” porque impuseram. “Vão e vão mesmo”. O PS tem outro problema, “anda a prometer trabalho às pessoas”.

Este Governo está a definhar

Se for eleito, não tem dúvidas: “Serei uma pedra no sapato do PSD”. E em relação à ilha, promete muita mudança. Acusações não faltam, dizendo que “o Porto Santo é uma quinta do Grupo Sousa e do Grupo Pestana” e que “este Governo Regional está a definhar, não tem qualquer mão em nada”. Diz ser isto “que as pessoas têm medo de falar”, mas também alerta, para quem quiser saber, que não tem “medo de nada”.

Esclarece que “não está contra os grupos empresariais em causa, investiram e o seu investimento é importante para o Porto Santo, mas não podem ter uma posição dominante. Estamos nas mãos desses grupos, nós e o Governo. Eles já são beneficiados com isenções de taxas, estão a adquirir património de forma estratégica e qualquer dia não podemos passar na praia porque a praia é privada”.

Os comerciantes “estão abandonados”

Defende o comércio local, considera que o mesmo deve ser olhado de uma forma especial, diz que os comerciantes “estão abandonados e questiona Menezes Oliveira sobre as razões pelas quais ainda não foi aplicada a taxa de dormida. É de opinião que o setor deveria ter uma associação, como em tempos houve a ACIPS, referindo que essa ação poderia ser desenvolvida pela ACIF, através de uma representação.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA
João Rodrigues afirma que há candidatos na lista do PSD que apoiam a sua candidatura no CDS/PP. “Quem diz na lista do PSD, diz nas outras listas”. Foto Rui Marote

João Rodrigues deixa bem claro que “o problema da sazonalidade só se resolve pela via judicial”, classifica de “bloqueio” o que diz ser uma posição do Governo Regional mais ou menos numa atitude de “coitadinhos eles comem o que lhes damos”. Levanta uma questão do transporte marítimo: “Quanto custa trazer um contentor de 20 pés para colocar desde o Caniçal, numa viagem de duas horas? Eles estão isentos de taxas mas o comerciante paga”. E outra questão do transporte aéreo: “Qual a razão de pagarmos 72 euros na tarifa mais baixa quando o bilhete custa 39 euros? O resto são taxas? Porquê? O Aeroporto da Madeira está mais do que pago e continuamos a pagar taxas. Porquê?”

Só vem no verão quem tem muito dinheiro

Além disso, coloca nesta entrevista uma outra questão relacionada com as ligações aéreas com o Continente. Para dizer que “só vem para Porto Santo, no verão, quem tem muito dinheiro. Para pagar 800 ou mil euros ida e volta, imagine um agregado familiar com quatro pessoas”. Culpa o Governo mas aponta críticas fortes à Câmara. E a Menezes de Oliveira: “Não é mais do que um “serviçal do Governo e dos grupos empresariais que dominam o Porto Santo”. O CDS/PP quer, no fundo, “denunciar contratos” e discutir, do ponto de vista jurídico, a “posição dominante”.

João Rodrigues espera vir a beneficiar do facto de aparecerem duas candidaturas de figuras ideologicamente da mesma área, a do PSD. Quer ser eleito nem que seja para ser vereador sem pelouros. O importante, lembra, “é estar ali e ter alguma força dentro da Câmara, para as pessoas saberem que estou cá”.

Eleitorado “socialista de raiz”

Recorda que o eleitorado do Porto Santo “é socialista de raiz” e que avisou, “em tempo devido” para o erro que era a “eleição do atual presidente. Não acreditaram, agora já acreditam mas é tarde, diz que diminuiu a dívida mas o que fez foi aumentar. Compreendo o princípio do socialismo, o que não compreendo é acabar com o Porto Santo. Tenho medo que ele ganhe as eleições ”.