Festa do Vinho Madeira “diversificada e descentralizada” este ano, movimentando milhares de pessoas

Fotos: Rui Marote

Diversificar e descentralizar, indo ao encontro das ideias e sugestões deixadas pelos produtores, pelos visitantes estrangeiros e por outros directamente interessados é a marca da Festa do Vinho deste ano, que decorre entre os dias 27 de Agosto e 10 de Setembro. Foi isso mesmo que deixou hoje claro, na conferência de imprensa que apresentou oficialmente o evento, o secretário regional da Economia, Turismo e Cultura, Eduardo Jesus, que apresentou o evento na Adega Pereira d’Oliveira, à Rua dos Ferreiros, acompanhado pela directora regional do Turismo, Kátia Carvalho, e por outros responsáveis dos serviços governamentais.

Começando por agradecer aos empresários que permitiram que a conferência de imprensa fosse realizada naquele espaço, tão adequado à ambiência característica do Vinho Madeira, Eduardo Jesus salientou que a Festa que celebra o vinho fortificado próprio da Região decorrerá durante duas semanas, envolvendo três fins-de-semana. O evento principia já no dia 27, com a actuação de numerosos grupos folclóricos nacionais e estrangeiros que participam na XIV Semana Europeia de Folclore, que se prolongará até 30 de Agosto no Jardim Municipal. “Este é o maior festival de folclore que a Madeira realiza”, sublinhou Eduardo Jesus, acrescentando que o mesmo, este ano, contará com dez grupos, entre os quais alguns que vêm da Polónia, da Holanda, da Espanha e de outros países, além de cinco grupos do continente e outros dois da RAM.

O Funchal acolhe com maior intensidade os eventos da Festa do Vinho mas, conforme fez notar o governante, a aposta é também na descentralização crescente. “Esta edição permite que a animação no Funchal ganhe força, como é habitual, mas também que na Ribeira Brava, com a decoração do Mercado Municipal, entre o dia 27 de Agosto e 10 de Setembro também se concretize esta mesma celebração do vinho (…)” Por outro lado, no concelho de Machico, a Festa da Uva, no Porto da Cruz, que acontece nos dias 2 e 3 de Setembro proporciona uma outra vertente associada, e por seu turno, o concelho de Câmara de Lobos, com a tradicional Festa da Vindima, que ocorre a 9 de Setembro, nos moldes que já são conhecidos, permite ainda a vivência de uma outra faceta, com a apanha da uva ao vivo, no centro do Estreito, além de um cortejo etnográfico, seguido da pisa da uva, com acções de animação musical e gastronomia regional.

Sete dos onze concelhos da Região estão representados na animação desta Festa cujo fulcro decorre no centro do Funchal, disse o secretário da tutela, com grupos folclóricos de cada um dos mesmos. Existem algumas alterações no figurino da festa, reconheceu, explicando que a SRETC procurou corresponder às sugestões e notas deixadas pelas pessoas que participaram no evento nas edições anteriores.

Este ano, frisou, “os produtores ganham mais espaço para apresentar os seus produtos”, nos espaços que se dividem entre a placa central e a Praça do Povo, onde é reeditada a “Wine Village”, com espaços de restauração, gastronomia e provas de vinhos. Associar a prova de vinhos à gastronomia e à oportunidade de assistir a espectáculos musicais são motivos que concorrem para tornar o certame mais atractivo.

Outro aspecto que o secretário da Economia, Turismo e Cultura realça como diferente nesta edição é o Pavilhão do Conhecimento do Vinho Madeira na Praça da Restauração, uma exposição das técnicas para a produção deste produto vinícola, da terra à garrafa, organizada pelo IVBAM. “É uma aposta que permite alargar a experiência das pessoas que nos visitam nesta altura”, disse o orador.

Por fim, citou uma mostra de artesanato regional, que envolve os artesãos e que passa para a placa central, mas frente à Sé Catedral.

“Poderia resumir isto desta forma: este ano teremos uma Festa do Vinho mais animada que as anteriores. São 16 grupos folclóricos que estarão envolvidos, com 17 actuações, mais do dobro do que as actuações do ano anterior, que foram oito. Temos também mais pessoas envolvidas nesta organização: são cerca de 2350 pessoas, enquanto que no ano passado foram 1530. Temos mais participantes no cortejo histórico e etnográfico que se iniciou no ano passado [e que decorrerá no Funchal pelas 16 horas do dia 3 de Setembro] que foi também uma aposta ganha (…)”, considerou.

Este ano, este cortejo fará desfilar pelas principais artérias do centro do Funchal cerca de 600 figurantes. O ano passado foram menos de 500.

Referindo-se à taxa de ocupação provisional para a Festa do Vinho, Eduardo Jesus citou que a sondagem realizada a 16 de Agosto apontava já para 88,1 % de ocupação hoteleira, o fica “praticamente encostado à percentagem de ocupação do ano passado”, que foi de 89%.

O investimento aplicado este ano é de 270 mil euros, semelhante ao do ano passado. “Julgo que cumprimos deste modo os objectivos a que nos propusemos, de ter uma Festa do Vinho renovada em conteúdos e com uma ligação renovada à Cultura”, expressa principalmente no cortejo no Funchal, acompanhado directamente pela Direcção Regional de Cultura, para “aprimorar pormenores de rigor histórico aos quais é necessário prestar atenção”.

Eduardo Jesus deixou bem vincado, na oportunidade, que o vinho Madeira funciona de maneira bastante evidente como “um verdadeiro embaixador” da promoção turística da Madeira, de várias maneiras, e como elemento diferenciador do destino.

Nesse sentido, e respondendo a uma questão colocada pelo repórter do FN, disse que as recentes acções de promoção do vinho Madeira nos EUA têm tido resultados bastante significativos: a iniciativa realizada no ano passado em Washington, DC teve como resultado, afirmou, um crescimento da comercialização de vinho Madeira na capital dos Estados Unidos de aproximadamente 70 por cento, de um ano para o outro. “Quando lá estivemos este ano outra vez (…) tivemos oportunidade de aferir esse crescimento, do qual a imprensa norte-americana fez eco”, na medida em que a Declaração da Independência dos EUA foi brindada com vinho Madeira.