Candidato do PTP denuncia “pobreza extrema” em Câmara de Lobos e “pressões do PS no Porto Moniz”

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Quintino Costa, candidato do PTP à Câmara de Câmara de Lobos: “Os eleitores, muitas vezes, são limitados nas suas opções eleitorais, pela perseguição que houve e continua a haver, já lá vão 40 anos”. Foto Rui Marote

Quintino Costa, candidato do Partido Trabalhista Português em Câmara de Lobos, não faz por menos: é para ganhar. Tudo porque nestas coisas das eleições não há pequenos partidos antes do voto, o princípio democrático de que todos partem nas mesmas condições, serve para que o processo de campanha mantenha alguma vivacidade e possa decorrer, para o partido, com a estratégia que definiu, dar a conhecer a mensagem e fazê-la passar aguardando que tenha reflexos a 1 de outubro.

O candidato lembra que o facto de Câmara de Lobos ser considerado um bastião do PSD “não é muito diferente do que acontecia em Santa Cruz até há quatro anos, nem é muito diferente do que aconteceu no Porto Moniz, no Porto Santo, Santana. Enfim, enquadramentos que, até mudar, também eram considerados bastiões. No caso de Câmara de Lobos, essa hegemonia do PSD pode ser explicada em parte pelos graves problemas culturais do concelho, mas essa é uma análise sociológica que até em período de campanha é perigoso abordar, uma vez que podemos ser mal interpretados e quem interpreta bem, como o PSD, pode tentar aproveitar a situação”.

A verdade é que Quintino Costa parte para esta campanha com “muita confiança no eleitorado”, afirma que a decisão dos eleitores “é sempre soberana”, considera que em democracia “é preciso respeitar a vontade do eleitorado, é isso que pretendemos fazer também aqui em Câmara de Lobos, procurando que a nossa mensagem seja bem passada e que produza algum efeito nas pessoas”.

Crítica à atuação de partidos

O candidato do PTP respeita o eleitorado, mas já em relação a partidos, faz questão de dizer que é mesmo assim, no plural, porque não é só um. Tem muitas críticas a fazer, relativamente a comportamentos que colocam em causa o espírito democrático. Passa a explicar quando pedimos para concretizar melhor essa até aí insinuação. Antes, diz que “um dos principais objetivos e prioridades dos partidos deveria ser a defesa intransigente da democracia e da liberdade. E não é assim”.

Usam o poder para limitar a democracia”

Acusa diretamente as estruturas partidárias, sem subterfúgios, clarinho como água: “Usam o poder, na governação e também na oposição, sim porque a oposição também tem poder, para limitar a democracia, atropelar a democracia diariamente. Acontece, em Câmara de Lobos, na Ponta do Sol, no Porto Moniz de uma forma muito particular, e é PS, não pelo presidente da Câmara mas pelo filho do presidente, que faz um atropelo completo à liberdade das pessoas, incentivando-as a desistirem das candidaturas por outros partidos, dizendo a determinada pessoa que trabalha na Câmara que tem um cunhado que concorre por outro partido. Isto num partido de esquerda, como é o PS, é grave. Onde está um trabalho de um Jorge Sampaio, de um Mário Soares? Não existem princípios e lealdade ideológica? Isto é para ver que não é só o PSD, antes pelo contrário, os últimos quatro anos têm demonstrado que os atropelos à democracia não são apenas do PSD, outros são iguais ou piores do que o PSD”.

Assim, de uma assentada, o candidato do PTP deixou de rastos os partidos considerados de “peso”. O objetivo da sua candidatura é precisamente “para respeitar o povo”. Diz saber que “os eleitores, muitas vezes, são limitados nas suas opções eleitorais, pela perseguição que houve e continua a haver, já lá vão 40 anos”. Confessa-se apostado em dar um contributo para a melhoria do “ambiente democrático”, apresenta-se em Câmara de Lobos como “uma força verdadeiramente alternativa, com propostas e que gosta do concelho”.

Carências habitacionais no extremo

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“Câmara de Lobos está diferente de há quatro anos, como há quatro anos estava diferente de quando Gonçalves Zarco descobriu a Madeira. Ainda bem que está diferente, caso contrário para que servia a Autonomia?” Foto Rui Marote

As grandes carências, segundo a perspetiva do PTP, estão diretamente relacionadas com a habitação social. Lembra uma recente ação de pré campanha, junto de uma família com grandes necessidades. “Como é que uma pessoa está 25 anos a dormir, metade em terra e metade em ar. Parte da casa cedeu, a maior parte da casa está suspensa para a ribeira e a outra parte está em terra. Como é que isto é possível? Mas é. E este caso multiplica-se em Câmara de Lobos”. Pede intervenção para estes casos, que considera “inadmissíveis”. Diz que estas situações subsistem “com crianças, uma bebé, outra de 12 anos que está no terceiro ano de escolaridade, a fugir da chuva, do vento e dos ratos e depois dizem que são bastiões disto e daquilo”.

Bolsas de pobreza já chegam ao “bastião”

Quintino Costa diz que as bolsas de pobreza já chegam a locais onde dizem que vive “o tal bastião do PSD, da nobreza e até do clero, como é o Estreito. Não é no Ribeiro Real e na Palmeira como antigamente.

Acusa a Câmara de insensibilidade relativamente a alguns assuntos. Já falou da pobreza, fala agora das escolas para criticar a estrutura camarária que “recusa transporte para atividades escolares”, mas concede transporte para muita coisa menos educativa e menos cultural, com benefícios eleitoralistas. A Educação é uma prioridade e o PTP vai lutar por isso, sempre, em qualquer circunstância. Quando um diretor de uma escola pede transporte para uma ação educativa, nenhum presidente deve colocar isso em causa, uma vez que a despesa é mínima comparativamente ao esbanjamento que se vê aí com tanta festa”.

Crianças esperam duas e três horas pelo transportes

Quintino Costa, a propósito da questão dos transportes, lembra o que diz passar-se no Curral das Freiras “onde as crianças esperam duas e três horas pelo transporte. Isto não pode acontecer. A Câmara deve atuar e pressionar no sentido de resolver estas situações”.

O candidato ironiza quando fala das palavras que o presidente da Câmara do Funchal disse sobre Câmara de Lobos estar diferente de há quatro anos: “Claro que sim, Câmara de Lobos está diferente de há quatro anos, como há quatro anos estava diferente de quando Gonçalves Zarco descobriu a Madeira. Ainda bem que está diferente, caso contrário para que servia a Autonomia?”

Ao eleitorado, vai deixar uma mensagem utilizando o slogan do PSD “O melhor para toda a gente”. E diz que “o melhor para toda a gente é o PTP. É isso que vamos dizer e pensamos que eleitorado vai perceber”. Quando perguntamos sobre a primeira medida se for eleito vereador, diz que “é pouco”, considera que o objetivo “é ganhar as onze câmaras”, tudo porque “neste momento, não há pequenos partidos, como não há grandes”.