JPP agita em Machico a “bandeira do trabalho em Santa Cruz” e classifica o social como “porta-estandarte”

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Carlos Costa, candidato pelo JPP à Câmara de Machico: “Se não respeitarmos os limites de endividamento, corremos o risco de acontecer aquilo que aconteceu nos últimos anos às autarquias da Madeira, quase todas em dificuldades”.

Em síntese, o candidato do “Juntos Pelo Povo” à Câmara de Machico não esconde que o trabalho desenvolvido pelo partido em Santa Cruz é um “abre portas” para mostrar o que vale ao eleitorado. Sabe que é difícil, está plenamente consciente daquilo que o espera, mas acredita que a diferença que fez ascender este movimento no poder autárquico, pode muito bem ser marcante, também, para convencer o eleitorado de Machico a acreditar que chegou o momento de mudar alguma coisa.

Carlos Costa sabe que o histórico da bipolarização não favorece coisas novas. Mas não é isso que lhe tira entusiasmo para esta candidatura. Antes pelo contrário, já está a estudar a fundo as finanças da Câmara que quer governar com a sua estratégia, também ela já definida.

De “alma e coração” com muito “rigor”

Está a avaliar muito bem as despesas e as receitas, primeiro porque acha que deve estar bem preparado para os debates, depois porque quer ver tudo sobre o quadro de gestão autárquica. Já tem dados suficientes para dizer que os números avançados pelo presidente da Câmara, andam lá perto daquilo que é a realidade. A dívida não está muito longe, o que foi pago também não. Mas a situação não é desafogada, é preciso rigor, uma situação que, durante a entrevista, abordou vincadamente por diversas vezes.

Vai de alma e coração para esta “luta”. Conhece bem Machico, não foi aí que nasceu, foi na Venezuela, mas é a terra dos pais e foi onde viveu mais de 40 anos, depois é que veio para o Caniço, onde reside presentemente. Foi a escolha do JPP e afirma-se preparado. Acredita muito que o partido vai fazer história, pelo menos criar sementes para um crescimento mais tarde. Eleger representantes em todos os orgãos é colocado num patamar muito positivo de possibilidades. Ganhar, é claro, é sempre para ganhar, é o objetivo primeiro da candidatura, depois naturalmente há o realismo da leitura do cenário político onde decorre a votação, com um eleitorado tradicional, embora a volatilidade possa ser uma esperança, servindo, desta vez, para sair da esfera do PSD/PS.

Ir além de mera representação

“Temos o objetivo de ir mais além do que uma mera representação. Naturalmente que o exemplo de Santa Cruz, não só através da Câmara como das juntas, nomeadamente a de Gaula, com uma política de proximidade e trabalho visando o coletivo, só assim faz sentido numa perspetiva de resolver os problemas das populações, é um muito importante para que possamos estabelecer uma relação com o eleitorado tendo uma base de ação já desenvolvida e que pode ser, agora, alargada a Machico. Senti que o eleitorado de Machico, nos contactos que mantivemos aquando das eleições regionais e nacionais, demonstrava algum acolhimento no sentido de nos candidatarmos por este concelho. Por isso, ponderámos e decidimos avançar”.

Estou surpreendido com o acolhimento em Machico”

Aquilo que tem ouvido da população encoraja-o para este desafio: “Sabe que estou muito surpreendido. Venho registando um bom acolhimento e as pessoas vêm comigo e manifestam a sua satisfação pelo facto do JPP estar a concorrer em Machico, embora os resultados só possam ser visíveis no dia 1 de outubro, aí é que vamos saber até que ponto esse apoios se traduzem em votos. Mas neste momento, estou convencido que vamos eleger muitos representantes”.

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“As pessoas veem no JPP a possibilidade de terem alguma solução para os seus problemas, sentem que falam das dificuldades e que essas situações não são esquecidas”.

Carlos Costa reconhece, naturalmente, porque os números não enganam, como releva, que Santa Cruz funcionará um pouco como “bandeira” para estas autárquicas em Machico, atendendo sobretudo, ao facto de ser “um concelho que se encontrava em péssimas condições e que, com a liderança do JPP, tem vindo a recuperar, a tal ponto de apresentar, neste ano de final de mandato, uma margem de investimento de dois milhões de euros, o que é extremamente positivo para uma autarquia que se estava em desequilíbrio estrutural e rutura financeira. Diria mesmo em pré-bancarrota”.

Aplicar políticas de proximidade que foram sucesso em Santa Cruz

É com este cenário de trabalho feito e resultados apresentados em Santa Cruz que Carlos Costa assume a candidatura para o concelho ao lado. Reconhece que não existem dois concelhos iguais, mas admite que gostaria de aplicar em Machico “algumas políticas de proximidade que foram sucesso em Santa Cruz”, sublinhando que “é importante que os bons exemplos sejam seguidos em todos os concelhos, com as respetivas adaptações tendo em conta especificidades diferentes, mas com um objetivo único de ir ao encontro daquilo que as populações precisam”.

Números do atual presidente são reais

Claro que num contexto de avaliação financeira, o candidato depara-se com um problema: Santa Cruz é exemplo de recuperação, mas também Machico apresenta números que vão no mesmo sentido, com o atual presidente da Câmara a dizer mesmo que a autarquia resolveu 70 por cento da dívida. Um argumento forte, que deixa pouca margem de “confronto eleitoral”. Carlos Costa não foge à questão, sabe que essa área, as Finanças, que é um dos seus “cavalos de batalha”, não vai “pegar” muito como “arma de arremesso” a Ricardo Franco. E não rodeia a questão, é direto: “É um discurso interessante, real, segundo as análises que já temos desenvolvido relativamente à situação do município. De facto, havia uma dívida de 27,5 milhões e a Câmara já pagou à volta de 18 milhões, além de algumas dúvidas, que se encontram a ser discutidas nos tribunais, relativamente a determinadas situações que a Câmara considera ter razão”.

Autarquia foi obrigada a reduzir a dívida

O quadro é positivo, não é por aí que a Câmara está vulnerável. Mas o candidato do JPP salvaguarda que a autarquia de Machico “foi obrigada a reduzir a dívida, por imposição legal da Direção Geral das Autarquias Locais, em função de ter atingido o limite de endividamento. Foi nestas condições que a equipa socialista recebeu a Câmara do PSD, com um endividamento crítico, muito acima do permitido. E o município foi mesmo forçado a reduzir 10% ao ano, mas para agudizar ainda mais a situação, no último ano de mandato do PSD, não só houve incumprimento desses 10% como a dívida foi agravada em 4 milhões, o que vai fazer com que o Estado venha a reter, por via do Fundo de Reequilíbrio Financeiro, esse montante. Portanto, a Câmara de Machico não vai receber aquelas verbas mensais do FEF, o que cria alguns constrangimentos. A par disso, há aquele problema da devolução dos fundos agrícolas, que retira margem de investimento, embora esta se situe, neste momento, à volta dos 8 milhões”.

Finanças na primeira linha

Aborda os problemas com a componente financeira ao lado. Sabe que essa postura poderá garantir-lhe o conforto do investimento de acordo com as receitas e uma tranquilidade de não ter “penalizações à perna”. Por isso, tem cuidado no discurso das promessas. E não é por acaso que coloca as finanças municipais como pilar, de primeira linha, da sua gestão camarária “se os eleitores de Machico derem confiança para dirigir a Câmara”. Reforça objetivo ao dizer que se trata mesmo de uma “bandeira municipal”. E lembra que “se não respeitarmos os limites de endividamento, corremos o risco de acontecer aquilo que aconteceu nos últimos anos às autarquias da Madeira, quase todas em dificuldades, praticamente com valores muito reduzidos para investimento”.

Atacar” o social nas vertentes “emergencial e persistente”

A área social é outra “aposta chave” da candidatura. Carlos Costa classifica como “o nosso porta-estandarte”. Em duas vertentes, como diz. Na vertente emergencial e na vertente persistente. A primeira, em situações de incêndios e outras calamidades. A segunda, visando alguma pobreza estrutural verificada em zonas mais isoladas do concelho. Temos que prever, em contexto orçamental, uma fatia destinada a situações de emergência, para podermos intervir rapidamente quando for necessário”. É este quadro que estabelece como regra a seguir por todos os eleitos do JPP nos diferentes orgãos autárquicas.

Equipa formada “é a ideal”

A equipa que vai apresentar ao eleitorado já está formada. Reconhece as dificuldades, mas também diz que, depois de acertar as disponibilidades, tem “a equipa ideal”. Reforça que “a equipa que gostaria de ter é esta”. Fez uma recolha inicial dos nomes convidados, tendo em conta as áreas de competências, teve algumas respostas negativas, mas afirma ter conseguido “um bom grupo de trabalho”, capaz de intervir nas áreas consideradas fundamentais.

JPP com “forma diferente de fazer política”

Quanto ao papel do Juntos Pelo Povo, primeiro como movimento e depois como partido, bem como o que mudou com o seu aparecimento no figurino político regional, Carlos Costa, um dos elementos do “núcleo duro”, considera o JPP “um recém nascido, com muito para aprender”. Considera que as pessoas “avaliam o nosso desempenho pela forma diferente de fazermos política, estamos muito identificados com a ação autárquica, temos caraterísticas de base, muito local, muito de proximidade. E é isso que o eleitorado sente. As pessoas veem no JPP a possibilidade de terem alguma solução para os seus problemas, sentem que falam das dificuldades e que essas situações não são esquecidas. E foi assim que tivemos uma votação extraordinária, eu próprio nem pensava possível estar no Parlamento”.

Serviços da Administração Pública Regional no Caniço com chumbo do PSD

Este enquadramento de diferença nem sempre se compagina com a lógica partidária tradicional, se for de âmbito parlamentar ainda pior, em função de uma certa postura de orgânica e disciplina interna dos partidos, situação que se reflete nas propostas da oposição que praticamente não têm aceitação por parte do partido maioritário. Dá um exemplo: “Ainda há dias, o presidente do partido avançou com a ideia de ter serviços da Administração Pública Regional disponíveis na Loja do Munícipe do Caniço, situação que mereceu recetividade por parte do presidente do Governo, que apenas fez uma ressalva de os serviços virem desde que as rendas não fossem altas. O JPP levou esse assunto ao parlamento, através de um projeto de resolução a recomendar ao Governo, mas sem cobrar qualquer valor de renda. Nem assim se o PSD aprovou, o que nos faz questionar sobre as reais intenções de quem governa sobre resolver os problemas das populações, que é a base da política”.