O exame nacional de português de 12.º ano continua envolto em mais polémica, desta feita com contornos aparentemente mais graves. Tudo porque terá havido uma fuga de informação sobre os conteúdos da prova que curiosamente se confirmaram no dia do exame. Isto significa que alguns alunos e professores tiveram conhecimento prévio do exame e prepararam-se melhor nesse sentido, conforme revela hoje o semanário Expresso, na sua edição digital.
Há mesmo uma gravação áudio a circular com a prova da alegada fuga de informação a prevenir “a malta” da cábula, ou seja, que o exame contemplaria Alberto Caeiro, poesia e contos do século XX, e uma composição sobre a importância da memória. Tudo para treinar muito bem antes do exame. O teor da gravação, divulgada pelo Expresso reproduz uma voz feminina com a seguinte informação: “Ó malta, eu falei com uma amiga minha cuja explicadora é a presidente do Sindicato dos Professores, que é uma comuna, e diz que ela precisa mesmo, mesmo, mesmo só de estudar Alberto Caeiro e contos e poesia do século XX. Basicamente ela sabe todos os anos o que é que sai e este ano inclusive. Pediu para treinar uma composição sobre a memória e sobre a importância dos vizinhos no combate à solidão. E pronto, basicamente isto. Se isto não sair, eu não tenho nada a ver com isto”.
Na sequência da divulgação deste ficheiro áudio com informações privilegiadas sobre a prova, dias antes da sua realização, o IAVE remeteu o assunto para o Instituto Geral da Educação e Ciência e para o Ministério Público para efeitos de averiguação disciplinar e criminal. Mais uma vez, os alunos que realizaram o exame ficam na expetativa sobre o que poderá acontecer, havendo mesmo quem equacione a possibilidade de o exame ser repetido, embora sem confirmação de nada por parte do Ministério da Educação.
Uma coisa é certa: feito o exame, a 19 de junho, comprovou-se que os conteúdos efetivos da prova correspondiam aos da gravação, o que quebra o sigilo e o dever de igualdade para todos os alunos sujeitos a uma prova nacional.
Como o FN já divulgou, para além deste incidente, a opção por reproduzir no exame uma edição diferente do poema de Alberto Caeiro, com mudanças na transcrição de uma forma verbal num dos versos também está a levantar celeuma, apesar de o IAVE explicar que se trata de uma edição credível. Acontece que a forma que deveria vir em exame seria “respirar” e não “pensar”, o que faz diferença em termos de interpretação do sentido do texto.
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