
Faleceu aos 93 anos a escritora Bernardete Falcão.
Maria Bernardete Freitas Simões Falcão nasceu em Angra do Heroísmo, na ilha Terceira, nos Açores, em 1924.
A professora faleceu na passada quinta-feira, dia 8 de junho, no Funchal.
Segundo conta Nelson Veríssimo, da sua bibliografia destaque para “O mar é que teve a culpa”: poemas ilhéus. Funchal, 1961; “A poesia da mulher e a mulher na poesia”, Funchal, 1962; e “Andorinha e as árvores falantes”, teatro infantil, Funchal, 1983.
Leia SONHO DE ILHÉU (Bernardete Falcão, in O mar é que teve a culpa, Funchal, Eco do Funchal, 1961):
Sonho de ilhéu
É vôo de gaivota
Entre o mar e o céu.
E há sempre um navio
Saindo da bruma…
Esperanças que sobem
Nas ondas que morrem
Desfeitas em espuma.
E há sempre um navio
Saindo da bruma…
Há oiro e há sangue
Lá longe no mar.
O sol das Américas!
Oiro dos Brasis!
Há fogo no mar!
É o sol no poente.
(Minha mãe:
Ao notar estas linhas estou doente…)
É sangue!
É sangue de ilhéus!
É sangue!
Oiro dos Brasis!
É o sol no poente.
E há sempre um navio
Saindo da bruma…
Não são… Não são nuvens…
São casas, figuras,
Lisboa, Paris,
Cidades, o Mundo!…
Não são… Não são nuvens…
São casas, figuras,
São homens, além.
E há sempre um navio
Que vai ou que vem.
Há sempre um navio
Saindo a baía…
Luzes no escuro
Que traçam a rota
da nostalgia.
Há sempre um navio
Saindo da baía
E fica na noite
Um estranho mistério,
Um fluído de amor
Pairando no ar.
Donde é que ele virá?
Da terra ou das flores
Dormindo em redor?
Ou filtro que escorre
Da lua p’r’o mar?
É o sonho,
O sonho do ilhéu,
Que fica suspenso
Entre o mar e o céu.
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