Ribeira Brava “tem um cais do pós-guerra”

OLYMPUS DIGITAL CAMERA
Os turistas chegam à Ribeira Brava e o cais é um dos locais mais visitados. Foto Rui Marote

Entre o conjunto de preocupações que o presidente da Câmara Municipal da Ribeira Brava enumera em final de mandato, a cinco meses das eleições autárquicas e num enquadramento que faz relativamente às obras desenvolvidas pelo Governo e outras que escapam às prioridades, mas cuja relevância exigiria maior atenção, estão três que justificam uma abordagem particular, de tal ordem importante na medida em que têm a ver com a segurança e o turismo.

A canalização da ribeira da Tabua, a norte da ponte, a ligação viária entre esta freguesia e a Ribeira Brava, onde a queda de pedras levou ao seu encerramento, aguardando decisão sobre o que fazer, e o cais em estado de elevada degradação, são motivo de apreensão e que, segundo sentimento vivido entre as gentes locais, deveriam, no seu conjunto, merecer outra atenção por parte das entidades responsáveis.

Motivo de atração turística negativa

OLYMPUS DIGITAL CAMERA
A canalização da ribeira da Tabua, a norte da ponte, preocupa o presidente da Câmara. Foto Rui Marote

“A Ribeira Brava tem um cais do pós-guerra”, desabafa Ricardo Nascimento para expressar o que lhe vai na alma quanto a um espaço que, mesmo assim, como está, é motivo de atração para o turismo que todos os dias chega à Ribeira Brava. Atração negativa, claro está. Porque está fechado ao trânsito automóvel, mas aberto à circulação de pessoas. E quem lá vai, são muitos, acreditem, e só não ficam surpreendidos com o que veem até chegar lá. Muito mau mesmo. E surpreendente, dada a ligeireza com que o espaço está fechado há anos sem que se dê conta dos prejuízos de imagem que causa a cada um dos visitantes, a maior parte turistas, a quem nem vale a pena perguntar a deceção. Porque está na cara.

Tradição do cais merecia outro tratamento

OLYMPUS DIGITAL CAMERA
Ricardo Nascimento alerta para a canalização da ribeira da Tabua e para a degradação do cais. Foto Rui Marote

O presidente da Câmara diz que a tradição do cais merecia outro tratamento, mas também vai dizendo que “o Governo Regional não tem a disponibilidade que queria para todas as obras. O Governo define as suas prioridades, mas é uma pena que um cais, com a tradição que tem, esteja nestas condições”.

Quanto à Estrada que liga a Ribeira Brava à Tabua e que se encontra encerrada pela constante queda de pedras, não parece ter solução à vista. Consolidar a escarpa custa muito e, por isso, não foram dados passos no sentido de encontrar uma solução para movimentar a zona e dar vida àquela parte da frente mar.

Autarca vai mandar fazer estudo atualizado sobre consolidação da escarpa

OLYMPUS DIGITAL CAMERA
O presidente da Câmara quer fazer um estudo atualizado (o existente, do LREC, é de 1997) para avaliar a consolidação da escarpa, custos e eventual reabertura da estrada que liga a Ribeira Brava à Tabua. Foto Rui Marote

Ricardo Nascimento diz que “a solução envolve muito dinheiro e lembra que existe um relatório do LREC (Laboratório Regional de Engenharia Civil) alertando para o risco de desabamento em determinadas zonas do percurso da estrada. Tentámos, por via disso, em diálogo com o Governo, que fossem feitas operações de limpeza para que a estrada pudesse ser reaberta, mas havia sempre as questões orçamentais e o Governo optou por não fazer esse investimento”.

Face a esta realidade de impasse, o autarca promete encomendar um estudo – o outro é de 1997 – no sentido de avaliar a escarpa, de fazer um levantamento sobre soluções e respetivos custos, para que possamos decidir, em conformidade, pelo menos tentando dar um caminho para a normalização da zona sem descaraterizar a escarpa. Mais do que eu, ninguém quer ver aquela estrada reaberta, mas é preciso pensar na segurança das pessoas, que deve estar acima de tudo”.