Miguel Albuquerque anuncia: Festa da Flor é para durar um mês inteiro e em toda a ilha

O melhor cartaz turístico da Madeira. O presidente do Governo Regional não poupa nos adjetivos quando o tema é a Festa da Flor, cujo impacto económico poderá superar os 3 milhões de euros gerados pelo Carnaval. O estudo está a ser ultimado e, em vésperas de mais uma edição, que contará com a presença de uma delegação sul africana, Miguel Albuquerque acredita no potencial do evento na reabilitação da floricultura regional, cada vez mais reconciliada com as espécies exóticas e tradicionais. No futuro, o Governo quer festival durante um mês e por toda a ilha.

A Festa da Flor, com o tema “Vamos florir a Madeira”, tem abertura oficial marcada para esta quinta feira, a partir das 18 horas, na placa central da Avenida Arriaga, em frente à Secretaria Regional do Turismo. Miguel Albuquerque estará presente na cerimónia que dará início a três semanas de um programa diversificado, incluindo algumas novidades, como o Muro da Solidariedade e a participação de um grupo da África do Sul no cortejo alegórico de domingo. São desfiles, certames, espetáculos, exposições e workshops, tendo como fio condutor a beleza primaveril da ilha, associada à riqueza cultural e etnográfica da Região.

Foto Rui Marote

Para o chefe do Executivo regional trata-se já do “melhor cartaz turístico da Madeira”, facto que leva este ano o governo a prolongar as comemorações por 18 dias. Um patamar que, conforme revelou, não está esgotado. “Temos de aproveitar as condições excelentes e uma das propostas que fizemos no programa de governo foi alargar o período da Festa da Flor. No futuro, temos de estender o evento até um mês em toda a ilha.”

A importância da Festa da Flor, segundo Miguel Albuquerque, não se mede apenas pela animação das ruas do Funchal. A intenção é enquadrar todo o património natural associado às levadas, à Laurissilva e à flora autóctone, de forma a aproveitar e a desenvolver diversos programas de impacto global.

“Esse trabalho já está sendo articulado com a maioria das câmaras”, assegura. “Temos um potencial único e muito atrativo, sobretudo no que respeita à floresta Laurissilva, uma relíquia do Terciário. ”

Investimento de 422 mil euros

A verdade é que o festival tem dado sinais de grande potencial económico. O Executivo encomendou ao Observatório do Turismo um estudo sobre o impacto dos vários cartazes promocionais. “O Carnaval, por exemplo, sobre o qual as pessoas tinham algumas dúvidas relativamente ao investimento, rende 2,9 milhões de euros. São quase três milhões, isto sem contar com os efeitos multiplicadores. Vamos desenvolver também esses mesmos estudos para a Festa da Flor. Estou convencido – aliás, a taxa de ocupação está quase nos 90 por cento – de que vamos ter uma surpresa muito positiva.”

Foto Rui Marote

O investimento deste cartaz turístico ascende a 422 mil euros, o que representa um aumento de 80 mil euros comparativamente ao ano passado. A este montante juntam-se os diversos patrocínios ao nível dos tapetes florais, que ascendem aos 10 mil euros.

Sul africanos participam no cortejo

O cortejo principal da festa está marcado para o próximo domingo, a partir das 16 horas, na baixa da cidade. Para além dos grupos locais, o desfile contará com uma delegação da província do Free State, fruto da parceria que o Governo Regional encetou no passado com as autoridades sul africanas, ao apoiar a realização de uma festa da flor naquele país, destino de diáspora madeirense.

Em 2016, na companhia de representantes sul africanos e do governo da República.

A comitiva estrangeira irá desfilar com um carro alegórico alusivo ao Free State, contando para tal com o apoio de João Egídio, personalidade ligada há mais de três décadas ao cartaz da flor. Os organizadores prometem uma surpresa. O projeto será uma conjugação entre a cultura sul africana e a madeirense.

Para Miguel Albuquerque, este intercâmbio tem dado bons resultados sobretudo na visibilidade internacional do evento e da Região. “A nossa presença na festa da flor em Parys, uma cidade a uma hora de distância de Joanesburgo, foi um grande sucesso. Muitos dos nossos emigrantes ficaram espantados com a mediatização. Entrámos nos canais sul africanos em horário nobre.”

Reforçar a floricultura

A Festa da Flor tem trazido à discussão o facto de a Região ter de recorrer à importação para realizar o evento. Ou seja, festeja com flores alheias. Miguel Albuquerque reconhece que o sector da floricultura terá de ser reforçado, em termos de produção, apesar dos “bons índices de crescimento”, escoando para o mercado interno e para os turistas que nos visitam a maior parte da produção.

Foto Rui Marote

“Não podia ser de outra maneira, até porque em 2016 tivemos sete milhões 250 mil dormidas, o melhor ano turístico sempre”, argumenta. “Acho que temos que fazer uma aposta na nossa floricultura, embora sabendo que esta indústria é hoje uma questão eminentemente técnica. Se estamos a falar da produção em massa, a Madeira não tem condições competitivas para produzir a essa escala, não esquecendo a grande concorrência da Holanda. Agora, temos a possibilidade de produzir um conjunto de espécie exóticas, como as proteas e as estrelícias que são interessantes e muito atrativas, do ponto de vista comercial. Temos uma grande variedade de espécies tropicais e subtropicais, que antes eram desvalorizadas, mas que hoje são muito procuradas e têm significativo impacto nos arranjos florais.”

3500 asseguram a beleza da festa

Flores, tradições, música, gastronomia, arte e entretenimento são os elementos de sucesso de um cartaz que ao longo dos anos marca o calendário promocional da Regional. Neste momento, e de acordo com os dados oficiais, os hotéis estão a mais de 90% de ocupação, comprovando que a iniciativa tem mantido o fulgor, satisfazendo operadores, empresários e autoridades regionais e locais.

O Funchal é o palco por excelência da Festa da Flor, com os tapetes florais e mercado das flores, mas com o alargamento do evento para as três semanas este ano, os efeitos multiplicadores vão verificar-se um pouco por toda a ilha.

A novidade deste ano são os concertos “O Som das Flores”, que irão acontecer tanto no Funchal como em outros concelhos, e o Muro da Solidariedade, evento que irá mobilizar idosos de várias instituições, dia 13 de maio, na Praça do Povo.

O programa é vasto. Estima-se que estejam envolvidas mais de 3500 pessoas na realização do cartaz.

Entre 4 e 21 de maio haverá muito para ver e desfrutar. O próximo fim de semana arranca com o tradicional Muro da Esperança, pelas 11 horas de sábado, e o Cortejo Alegórico da Flor, no domingo, com início às 16 horas, onde participam cerca de 1200 e 1400 pessoas, respetivamente.

Para além deste dois pontos altos do festival, momentos ganhadores, por assim dizer, dada a beleza dos cenários, associada à espontaneidade da população e visitantes, o programa volta a englobar mais dois fins de semana especiais: o ‘Madeira Auto Parade 2017’, no dia 14 pelas 15h30, com o desfile de automóveis e motos clássicos, e a fechar, a 21 de maio, dois concertos e um recital de canto lírico.

Mas, há outras atrações. Promovida desde o início pelo Governo Regional, que se associou há mais de 30 anos à antiga Mostra de flores do Ateneu que este ano atinge a sua 62ª edição, a Festa da Flor da Madeira procura mais do que nunca aliar a componente do espetáculo à participação ativa da população, locais e visitantes. Entre 4 e 19 de maio, na Praça do Povo, será possível participar em vários workshops, relacionados com o bordado Madeira, tapetes e arranjos florais, chocolate, vimes e Vinho Madeira.