Ireneu Barreto alerta para desemprego no Dia do Trabalhador e diz-se “preocupadíssimo” com a situação dos emigrantes na Venezuela

*Com Rui Marote

O representante da República na Madeira, Ireneu Cabral Barreto, abordou hoje a difícil situação dos emigrantes madeirenses na Venezuela, país que passa por convulsões políticas e socioeconómicas e que já motivou a inscrição, em poucos meses, de 700 pessoas vindas daquele país no Centro de Emprego da Madeira. À margem da procissão de São Tiago, padroeiro do Funchal, que hoje se realizou, o juiz conselheiro declarou que, “como todos os madeirenses”, está “preocupadíssimo” com o que se passa na Venezuela, até porque tem lá familiares próximos.

“Tenho acompanhado a situação, tenho tentado aperceber-me do que se pode fazer na Região; sei que há movimentos na Região de apoio aos emigrantes que se encontram na Venezuela. Penso que devemos fazer tudo o que nos for possível para apoiar esses movimentos”, disse.

Ireneu Barreto recomendou que “devemos estar preparados para o que possa acontecer num futuro próximo”.

Recorde-se que, interpelado pelos jornalistas recentemente à margem de uma sessão plenária da Assembleia Regional, o presidente do Governo Regional admitiu que a Madeira não tem planos particulares de contingência para o regresso inesperado e massivo de emigrantes à RAM – apenas acompanha os planos existentes a nível nacional.

O representante da República manifestou esperança em que a Venezuela possa superar as dificuldades em que se encontra, encontrando um caminho que lhe permita libertar-se da actual crise.

A pergunta dos jornalistas a Ireneu Barreto sobre os emigrantes veio no sentido da observação deste responsável sobre a coincidência entre o Dia de São Tiago e o Dia do Trabalhador, que consagrou direitos e liberdades para os mesmos, após muitas lutas.

“A Região tem ainda um nível de desemprego muito significativo, que tem vindo a ser diminuído em benefício de todos, mas é preciso caminharmos no sentido de, nem digo do pleno emprego, mas de reduzir o desemprego para níveis satisfatórios”, frisou.

Como é sabido, muitos dos nossos conterrâneos hoje espalhados pela diáspora saíram da sua terra natal precisamente em busca de trabalho… um bem que hoje escasseia. A possibilidade de muitos deles regressarem à sua terra, desordenadamente, é bem real e preocupante, dada a instabilidade que se vive num dos países que mais emigração madeirense acolheu na América Latina.