Multidão desespera no Aeroporto da Madeira enquanto cafetarias fazem fortuna com os atrasos

 

Apesar das limitações físicas, não havia outra solução a não ser esperar. Fotos FN.

Irrespirável, caótico e desesperante. Palavras que, apesar de fortes, talvez não traduzam o drama vivido por centenas de passageiros no Aeroporto Internacional da Madeira desde sábado para cá. A natureza continua a não dar tréguas aos passageiros e baralha qualquer plano e escala aérea. Por isso, as salas do Aeroporto transformaram-se em aglomerados de passageiros saturados de uma penosa espera por conta dos cada vez mais regulares ventos cruzados em Santa Cruz.

O placard do desânimo.

No dia de hoje, a operação quase que retomou a normalidade. Dezenas e dezenas de voos lá partiram, um atrás do outro, mas 12 voos foram cancelados, já para não mencionar os grandes atrasos das aeronaves que fizeram a operação. Uma espera que se arrasta desde sábado.

Cafetarias do Aeroporto devem ter batido recordes de faturação nestes quatro dias de voos atrasados e cancelados.

Hoje, pelas 16h00, após três dias de adiamentos e cancelamentos de voos, o cenário era o que as imagens documentam. Quem ganhou inesperadamente com esta avalanche de gente retirada na gare foram as cafetarias que, involuntariamente, “tiraram a barriga da miséria”, como é hábito dizer-se. Lugares sentados, nem pensar, e longas filas a demandar os cafés, os snacks e tudo o que poderia mitigar a fome e o nervosismo.

Outros, faziam do chão a poltrona e lá se entretiam entre um jogo de cartas, o passeio pelo telemóvel, quando não passavam os olhos pelos placards informativos dos voos com a informação dos sistemáticos atrasos.

Apesar da extenuante espera, é de louvar a resignação a paciência dos passageiros.

Apesar de tudo,é de louvar a paciência de tão elevado número de passageiros. Calados, resignados ao poder implacável da natureza e limitações do Aeroporto da Madeira, dias seguidos, lá esperavam pela hora mágica de poder embarcar e deixar para trás a Ilha.

O pessoal de apoio das companhias desdobrava-se em informações, mas sem certezas no bolso. Hoje, terça feira, todos sairão, mas com muitos, muitos atrasos, eram as explicações repetidas ad eternum.

Aguardar pela partida, em qualquer lado…

Não valia a pena reclamar. Contra factos não há argumentos. Se o tempo sorrir, há viagem, se não, toca a queimar tempo no café, jogar umas cartas, bombardear os guichets com perguntas e ativar o telemóvel para entreter o tempo. Idosos, jovens, crianças, todos espalhados pela gare num cenário como poucas vezes se tem visto.

O check in passou a ser outra prova de fogo.

A situação já foi bem pior, comentam-nos uns franceses que embarcavam ontem na Transavia e viram o seu e dezenas de voos cancelados. Hoje, apesar de ainda soprar vento no Aeroporto, adensando as inquietações, o movimento aeroportuário tem seguido o seu recurso, embora com evidentes atrasos na programação de voos.

Passar a porta de embarque, outra descida aos infernos; a fila é longa e penosa.

Mesmo as companhias low coast triplicaram o número de voos ao longo do dia de hoje para as cidades de referência, onde habitualmente operam. Uma opção que foi acolhida de bom grado e que fez controlar os ânimos mais exaltados.