30 anos com muito requinte e criaturas exóticas: venha ver o baile da “Geringonça”

geringonca-carnaval-cortejo-2017Muitos laços e rendas, corpetes e golas de rufos, folhos e mangas de balão. Tudo será exageradamente requintado, à maneira das cortes europeias do Renascimento e Barroco. Por entre os quadros de época, a originalidade das criaturas exóticas e aves do paraíso. A proposta desta viagem ao mundo dos sonhos, onde a beleza rivaliza com a fantasia, é da Associação de Animação Geringonça que pretende assinalar os seus 30 anos com pompa e distinção.

Será o primeiro dos oitos grupos a desfilar sábado à noite, logo a seguir ao carro alegórico de João Egídio. À responsabilidade de abrir o corso carnavalesco acresce a alegria de comemoração três décadas de trabalho em prol da animação e cultura da Região. A data assinala-se a 28 de março, mas o cortejo é já a forma efusiva de celebrar um trajeto feito de dedicação, criatividade e perseverança.

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“Vamos sonhar o sonho de um sonhador”, o tema deste ano, concentra em si o que de possível e impossível poderá caber num projeto de Carnaval que se quer memorável. O autor, Rúben Freitas, não poupou tempo nem esforços na pesquisa histórica e na criação dos modelos. Tudo se baseia no sonho de uma criança e, como tal, deixa de haver limites entre o que é realidade e fantasia.

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O projeto da “Geringonça”, que será interpretado por 217 elementos, entre os 17 e os 72 anos de idade, será a soma entre elementos de época, retirados de um requintado baile de Carnaval, e o mundo fantástico que povoa os sonhos de uma criança.

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Ao longo das seis alas, incluindo o carro alegórico, será possível encontrar representações de pavões, leões, leopardos, panteras negras, borboletas e outras criaturas exóticas, sobretudo nos adereços de cabeça. Elementos que irão fundir-se no ambiente de baile de um qualquer reino de “faz de conta”.

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Como é de prever, dado o detalhe do conceito e o número de participantes – este ano, a trupe conta com um grupo estreante de cerca de 40 jovens -, o trabalho de criação e execução tem sido exaustivo ao longo dos últimos meses. São centenas de adereços, calçado, ornamentos, peças de vestuário que só as mãos experientes de oito costureiras conseguem recriar. Perderam-se já as horas de trabalho passadas na sede da associação, à Avenida Luís de Camões, confessam os restantes seis elementos que compõem a equipa responsável pelo projeto que tem contado com muita ajuda de amigos da associação.

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Para o efeito requintado, a trupe aposta nos brocados, veludos, licras, rendas, lamés e acetinados, basicamente em torno do rosa, verde e amarelo, as cores da bandeira da AA Geringonça. Haverá também plumas e imitação de pelo, à mistura com lantejoulas. Muitas. Os laços, as mangas de balão, os babados de renda, os folhos, as anquilhas e os corpetes validam a riqueza nos detalhes, tão ao gosto de Rúben Freitas. O estilista elege a gola de rufos como a peça marcante deste projeto.

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Figuras de destaque de qualquer trupe de Carnaval, a porta-bandeira e o mestre-sala da “Geringonça” refletem a dualidade entre o universo da fantasia e o requinte de época, a beleza e a força. Diva Abreu, que se estreia neste papel, confessou ao FN o orgulho em representar as cores da associação. Ela será a mulher em rosa e representará um pavão, enquanto o seu par, Rui Martins, personifica o leão, reinventado nos trajes de baile, entre o verde, o branco e o dourado.

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Seguem-se as alas das bailarinas de samba, leopardos e pássaros, elementos que irão também estar presentes nas alas dos dançarinos. Elas sempre a remeter para a dimensão exótica, eles trajando de acordo com os modelos de época.

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Se nas principais alas de dançarinos será sobretudo ao nível dos adereços de cabeça que se marcará a Natureza fantástica, no grupo das baianas o elemento natural – borboletas – será identificado através das asas.

Um desafio de criatividade e gestão, já que no projeto está também contemplado o princípio da contenção de despesas, através da reutilização de materiais e do trabalho voluntário de muitos elementos.

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Diana Abreu, da direção, garante que estão na fase dos pormenores, tendo o trabalho decorrido dentro do previsto, inclusive com o carro alegórico, cuja equipa de montagem é chefiada por Nuno Teixeira. Representará um bolo gigante, tricolor, a remeter para o 30º aniversário da associação.

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A parte do espetáculo tem merecido igual cuidado, com os ensaios na coreografia e no ritmo da percussão. A ala de bateria de 30 executantes, dirigida por  Duarte Pereira, promete ser bem potente e animar a atuação de Luciana, a rainha da bateria vestida de beija-flor branco, rosa e dourado.

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Para assinalar a efeméride, a associação aposta também na música original, “Trinta anos de sonho”, criada especialmente pelo Paulo Marques (letra) e Paulo Ferraz (música e estúdio).

A “Geringonça”, em parceria com duas unidades hoteleiras, irá repetir a experiência do ano passado. Cerca de 20 turistas irão integrar a Ala dos Veteranos. Diana Abreu espera assim galvanizar o público de sábado à noite. “Queremos um espetáculo de beleza e qualidade e que os nossos participantes se divirtam, partilhando com o público a alegria do Carnaval”.

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A responsável admite que os madeirenses nem sempre respondem aos estímulos das trupes, na expressão da folia. No entanto, nota algumas mudanças. “Tornam-se mais participativos desde que acompanhados por turistas, estrangeiros ou nacionais”, sublinha. Também a atitude é diferente se estiverem na presença de crianças. “Elas puxam pelos adultos”.


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