
A Câmara Municipal do Porto Moniz vai homenagear os ex-combatentes do concelho com uma estátua que atinge um total de 3,60 metros (2,40 m. de estátua mais 1,20 m. de pedestal), em betão branco, a inaugurar a 25 de abril. Uma promessa de Emanuel Câmara, feita nas comemorações da Revolução de 1974, no primeiro ano de mandato da atual equipa autárquica.
O vereador Nélio Sequeira diz tratar-se de “um momento para lembrar, não só a memória dos que perderam a vida, mas também prestar homenagem a todos os que combateram e que felizmente estão vivos”, recordando que esta idéia, do presidente da câmara, “nasceu quando reunimos diversos conferencistas, entre eles ex-combatentes”.


A estátua “Aos Combatentes do Ultramar” está a ser trabalhada pelo escultor Luís Paixão, no seu atelier no Santo da Serra, e é representada através da imagem de um soldado português combatente, de arma em posição defensiva, porque a ideia é a de dar expressão ao final de uma guerra que tirou vidas e destroçou muitas famílias.
Homenagear também o fim da guerra

O escultor diz que o objetivo é homenagear os ex-combatentes mas, simultaneamente, passar uma imagem pacífica, referindo mesmo estar a pensar “não colocar o gatilho” na arma, uma G3, significando com isso que, “mesmo tratando-se de uma escultura documental, em que o elemento humano está bem caraterizado tendo em conta a sua indumentária e a G3, representa que a guerra acabou, estando em evidência apenas a memória dos que foram mobilizados para o Ultramar e a homenagem que é feita”.
Luís Paixão explica que “depois de consultada a extensa documentação fotográfica, quer a que me foi fornecida, quer a disponível na internet, foi possível chegarmos a esta imagem do soldado, registando-se mesmo a colaboração da Liga dos Combatentes, através do fato do combatente, incluindo naturalmente as botas. Não poderia fazer o trabalho sem a colaboração, imprescindível, da Liga, no sentido de darmos a imagem real e correta do combatente”.
Dar expressão e sensibilidade à escultura


Para aqueles que pensam que a estátua nasce, faz-se e termina no escultor, que é aquele que dá o nome ao trabalho e recebe, habitualmente, todos os protagonismos, Luís Paixão desmonta um pouco a realidade que é transmitida para o exterior, esquecendo pormenores e outros técnicos que intervêm no processo de feitura do trabalho e cuja relevância é, também, determinante para que a peça assuma a expressão final correspondente ao idealizado e ao propósito para o qual foi construída.


Paixão faz questão de sublinhar “a importância do formador”, uma figura que entra em cena depois do escultor fazer a maqueta, e cuja função é construir uma espécie de armação, preenchida com a primeira massa de barro, com as medidas milimetricamente cumpridas, na proporção de quatro vezes mais do que é a maqueta, proporcionando ao escultor as condições ideais para que este possa modelar o seu trabalho, “dar expressão, por a escultura a comunicar, dar sensibilidade, com os correspondentes pormenores”.
Formador com experiência de 50 anos
O escultor, que foi antigo aluno de Ricardo Veloza e Evangelina Sirgado, escultores reputados, não esquece a importância de fazer referência ao formador António Guedes, responsável por este trabalho inicial, relevando a sua “reconhecida capacidade ao longo de 50 anos de atividade, um pouco por todo o país”. Esteve na Madeira a formar a estrutura, na semana anterior, e em três dias, Luís Paixão conseguiu moldar a imagem que podemos ver nesta reportagem, embora o trabalho em barro não esteja ainda concluído. Segue-se um processo minucioso de por menores, sempre acompanhado por fotografias – “as imagens que vou tirando permite-me ir vendo os erros e aquilo que está menos bem, para retificar” – e depois disso, em março, o regresso do formador para a execução da componente do gesso e, posteriormente, a parte do betão branco. E fica, assim, concluída a estátua a inaugurar em abril, estando prevista a colocação para a zona da Santa, junto às instalações onde funciona a Casa do Povo.

O escultor confessa ser “muito gratificante vermos o esboço e, depois, a escultura com esta dimensão, uma vez que a maqueta é apenas um plano de intenções, mas o trabalho artístico, de expressão, é traduzido na escultura”.
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