Filme do “Feiticeiro” traz novas responsabilidades à autarquia da Calheta: “Há muito património ainda abandonado”, admite Carlos Teles

calhetaHá ainda muito trabalho a fazer no campo da pesquisa, recolha e recuperação do património material e imaterial da Calheta. Quem o admite é Carlos Teles. O autarca está convicto de que o novo filme de Luís Jardim irá ajudar o concelho a conquistar a centralidade que há muito lhe é devida em termos culturais e turísticos.

Carlos Teles foi um dos convidados na sessão de apresentação do filme “O Feiticeiro da Calheta”, sexta- feira, no Design Centre Nini Andrade Silva, em representação da autarquia calhetense, uma das instituições públicas patrocinadoras do projeto do realizador madeirense Luís Jardim, a par da Direção Regional de Cultura.

À margem do evento, o edil manifestou a sua convicção no sucesso do projeto e no efeito catalisador que o mesmo virá a representar para o concelho da Calheta, em termos culturais e turísticos.

Carlos Teles, ladeado pelo investigador Eugénio Perregil e Maria de Jesus Agrela, filha do "Feiticeiro". (Foto CM Calheta)
Carlos Teles, ladeado pelo investigador Eugénio Perregil e Maria de Jesus Agrela, filha do “Feiticeiro”. (Foto CM Calheta)

Ao FN, Carlos Teles disse acreditar que a aposta na longa-metragem sobre a vida do poeta popular João Gomes de Sousa irá consolidar o trabalho que tem vindo a ser feito pela autarquia nos últimos anos, no sentido de atribuir ao concelho a centralidade que há muito lhe é devida.

“A Calheta irá marcar posição através deste filme. É um marco decisivo na conquista de uma centralidade há muito merecida. Vai ser um grande sucesso”, assegurou. “O filme será um vetor importante na estratégia do concelho enquanto concelho turístico, que, como sabemos, é algo de muito recente. Será uma grande oportunidade de a Calheta aparecer e se promover, reconquistando um protagonismo que é merecido, graças ao seu potencial cultural e ao seu passado valioso.”

Festivais de cinema. Por que não?

Sendo um dos principais patrocinadores do projeto e atendendo a que o enredo gira em torno das gentes e locais da Calheta, a Câmara está interessada em levar este filme o mais longe possível. Para além do mercado nacional e da diáspora, Carlos Teles perspetiva a projeção da película também em festivais de cinema. “Nós estaremos disponíveis para apoiar na máxima divulgação do projeto”, garantiu, sublinhando a sua total confiança no trabalho dos dois principais mentores do projeto “Feiticeiro da Calheta”: Luís Jardim, na realização da longa-metragem, e Eugénio Perregil, o investigador responsável pela coordenação do livro “Feiticeiro da Calheta – Vida e Obra”.

(Foto Carlos Freira)
(Foto Carlos Freira)

“Sabia, à partida, que o tema era interessante do ponto de vista cultural e que este projeto poderia dar grandes frutos”, explicou, justificando assim a aposta da autarquia no apoio a esta produção independente.

Quanto a valores, o autarca não precisou montantes, isto porque “o orçamento não está fechado”. Carlos Teles explica que o dossiê está em curso e os apoios, concretamente os logísticos, continuam no terreno. “Já se procedeu a algumas transferências de verbas, mas há várias despesas inerentes até à apresentação do filme, pelo que não consigo avançar com valor final para já”.

Muito património continua abandonado

Carlos Teles reconhece que o filme abrirá outras frentes de trabalho, sobretudo no que toca à preservação do passado valioso do seu concelho, em grande parte impulsionado pelo período áureo do açúcar e da cana sacarina. E a Câmara não se furtará às suas responsabilidades, garantiu.

“Há um todo um património religioso, único na Região, e muito dele está abandonado, precisa de ser recuperado. Parte é privado, nem todo ele pertence à Região nem à Igreja. Nós, entidades públicas, temos o dever e a obrigação de apoiar estes projetos. É o que estamos a fazer.”

O feiticeiro da Calheta

O edil reconhece que a visão tradicional de uma autarquia dedicada apenas à “pequena obra de tapar o buraco ou reparar a vereda” há muito que está ultrapassada. “O mundo mudou. A função de uma autarquia é agora muito mais abrangente. A cultura, como elemento gerador de investimento e desenvolvimento, está na lista das atuais prioridades. É preciso valorizar a  nossa identidade, apostar nos nossos talentos, porque aqueles que nos visitam vêm à procura da nossa essência, daquilo que nos distingue dos outros.”

Ciente desta nova exigência, o município da Calheta criou o Departamento da Cultura, organismo que tem vindo a apoiar a edição de obras literárias. A mais recente é da autoria do investigador Paulo Ladeira, da freguesia da Fajã da Ovelha, sobre o património do concelho.

“O Feiticeiro da Calheta” é o primeiro projeto cinematográfico a ser apoiado pela autarquia. “Esperemos que não seja o único”, diz o edil.

Jardim à altura do novo papel

Carlos Teles ainda não teve a oportunidade de ver o filme. Será um dos muitos convidados a serem surpreendidos na estreia. São grandes as expetativas, sobretudo quanto à prestação de figuras públicas que surgem como intérpretes.

jardim feiticeiro calheta

O autarca encara estas contribuições como uma mais-valia e um tributo ao papel e ação que algumas delas tiveram na vida da Região. É o caso concreto de Alberto João Jardim, o ex-presidente do Governo Regional, que aceitou o desafio de representar perante as câmaras. “É uma figura única da nossa terra e não tenho dúvidas de que estará à altura deste novo papel. Saberá interpretá-lo como ninguém. Para nós, é uma honra e privilégio termos uma figura ímpar da nossa Região a participar no “Feiticeiro da Calheta”.”


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