Jardim diz que há deputados regionais que são “indigentes políticos”

Foto: Fabíola Sousa- Parlamento
Foto: Fabíola Sousa- Parlamento

O ex-presidente do Governo Regional e do PSD-Madeira volta a quebrar o silêncio em a escrever o que lhe vai na alma sobre a realidade regional.

Desta vez escreveu sobre os parlamentares na Assembleia Regional:

“Nunca houve dúvidas sobre a mediocridade de alguns deputados no Parlamento regional, sobre a respectiva indigência política.
Confirmou-o o simulacro de tribunal popular -têm saudades?… – que montaram quarta-feira, 1 de Fevereiro, para “julgar” a Autonomia.
Assim, não só acentuaram os grandessíssimos ignorantes que são, como confirmaram o seu integracionismo conservador, nuns mascarado de radicalismo pequeno-burguês de esquerda, mancomunado com a extrema-direita local e consumista no chulanço do contribuinte.

A cena foi a do costume nos últimos tempos.
A ilusão de poderem apagar ou subverter a História, por causa dos intuitos e medo que se lhes conhece, de novo submissos aos mesmos patrões internos e exteriores do passado. O objetivo pequenino, sem ambições, de apoiar a transformação da Madeira numa enorme ONG meramente assistencialista, a par encarregando a propaganda de evitar qualquer contraditório sério. O que lhes interessa, é a sobreviveria dos lugarzinhos por onde andam instalados, deixando-se governar pela opinião publicada.

Como podem avaliar honestamente a Autonomia, formações políticas que sempre foram contra Esta, algumas até defensoras das “ditadura do proletariado” – ditadura deles, era o que pretendiam – defensoras de um totalitarismo?!…
Pese embora o provincianismo inculto do “politicamente correcto”, dolosamente, venha transformando tais agentes em “heróis” e “democratas”!…

Como podem deputados ignorantes sobre o que era a Madeira antes do 25 de Abril, se atreverem arrogantemente a “julgar” a Autonomia?!…
Vejam a ética desta gente!
Os indigentes políticos que aqui refiro, até hoje não perceberam que a transformação acontecida na Madeira foi mesmo uma Revolução.
Embora tranquila.
E que, como qualquer revolução, não se faz através de consensos, nem com “politicamente correctos”, nem com cedências dos reacionários a esse processo revolucionário.
Faz-se com determinação. Com a concretização da vontade programada. Com estratégia e combate democrático ao que obstáculo.

Mas Revolução Tranquila porque feita no cumprimento da Constituição e das leis. Com autoridade democrática. Com liberdade de contraditório, hoje cerceada na Madeira.
E Revolução Tranquila através de concreta e efectiva concertação social no terreno, o que desesperou os macacos da outra “revolução”, fascistas sob vestes de “esquerda”.
Revolução Tranquila que não se limitou a obras públicas, como os detractores querem fazer crer. As obras públicas foram meros alicerces, meros instrumentos para a mudança social, económica, cultural e nos costumes.
Portanto, revolução exercício da autoridade democrática, respeito pela Constituição e pelas leis, estabelecimento do contraditório publico, concertação social e profundas mudanças de comportamentos sociais.

De formação política mais simpatizante pelo modelo democrático presidencialista do que pelo modelo parlamentarista, o que nunca escondi, sempre fiz a pedagogia do Parlamento da Madeira como Órgão primeiro e representativo da Autonomia conquistada pelo Povo Madeirense contra os Partidos e gente que se Lhe opunha.
Inclusive os meus Governos instalaram-No com a dignidade que possui.

Fui à Assembleia quando imperativo legal, respeitando-A. Nunca os Deputados livremente eleitos pelo Povo derrubaram qualquer dos meus Governos. Assim, tudo democraticamente ratificado.
Mas nada me obriga a participar em situações desprestigiastes para com a Autonomia e o Parlamento, as quais só servem os adversários, à esquerda e à direita, da emancipação do Povo Madeirense.

De novo, vejo a indigência intelectual de alguns deputados vir ao ponto de se manifestar contra o Desenvolvimento Integral -que os partidos deles exigiam até de forma demagógica, impossível e tecnicamente errada- porém ainda hoje não explicando como se o faria, sem dinheiro e sem este procurar sacar de onde disponível.

É que:
a) primeiro, não subscrevo que se deixasse o tempo ir correndo, as gerações passando, nenhuma delas sem a qualidade de vida a que têm Direito. Só para que não se fizesse d/vida que gerações seguintes, igualmente beneficiárias, também tivessem de ajudar a pagar.
Por este raciocínio dos deputados indigentes, nenhuma geração gozaria fosse do que fosse!

b) segundo, o mais grave é não se ver a assunção e a defesa política de que a dívida não é da Madeira, até para obrigar o Estado central a uma negociação.
A Madeira não deve.
A dívida é do Estado central para connosco após mais de cinco séculos de sonegação da maior parte do valor do que produzimos!
É o Estado Central que nos deve a “dívida histórica”, como até na vizinha Espanha foi institucionalmente reconhecido às Regiões.

Portanto, Senhores Deputados, a luta política do Povo Madeirense deve ser:

por uma maior e mais clara Autonomia constitucional e não por novo Estatuto ainda subordinado à actual Constituição;
pela resolução da dívida, reconhecendo o Estado português a dívida histórica;
pelo estabelecimento em permanência de um alto nível de Emprego.

O resto, Senhores Deputados, são entretimentos, promessas, comissões, eventos e fotos, em que o Povo Madeirense não vai na conversa, antes vão desacreditando o Sistema cada vez mais. E, quando quiserem debater a Autonomia, façam-no com honestidade. Estabelecendo um contraditório democrático e não recolhendo, vesgos, ao umbigo esclerosado.

Funchal, 3 de Fevereiro 2017

Alberto João Cardoso Gonçalves Jardim”


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