Um ano de Marcelo com o bebé ao colo

marcelo
Ilustração de José Alves.

Há um ano que os portugueses têm um Presidente da República cujo cargo encaixa na perfeição na pessoa. Que Marcelo beija, afaga, chora, sorri, nada, enxuga-se e coça-se em direto na televisão como se estivesse na sua casa, já todos o sabíamos. O que nem todos esperavam era que este Presidente, além de tudo isso, também levasse ao colo um outro grande bebé: António Costa e, por conseguinte, a conhecida “gerigonça”.

Parece tarefa fácil? O Estepilha avisa desde já que não é tarefa ao alcance de todos, esta de também ter tempo para mimar e saber levar a melhor o chefe do governo que chegou ao poder não pelas urnas mas por uma legítima aliança de esquerda. Mas este afago à esquerda também não é por acaso. É tudo muito à Marcelo, com o mesmíssimo propósito no horizonte, trabalhar para o segundo mandato, apesar de o primeiro ainda estar no adro e a popularidade estar em alta.

Uma coisa é certa: os portugueses estavam sedentos de carinho e cair-lhes Marcelo foi um longo e aconchegante abraço que manda para as calendas gregas as chicotadas psicológicas à Passos Coelho e o discurso punitivo e aterrador de um colossal Vítor Gaspar ou uma Maria de Luís Albuquerque. Os portugueses mereciam este sorriso, com um piscar de olho à direita e outro à esquerda.

Chamem-lhe o que quiserem, de catavento para cima… O que importa é que Marcelo convence, toca no coração dos portugueses e chegar à alma do outro não é só política é talento.


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