Passos Coelho avisa Costa a partir do Funchal: Não contem com o PSD para resolver desentendimentos da geringonça

(Foto Rui Marote)
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O aviso vem do Funchal. De Passos Coelho para António Costa. O líder nacional do PSD avisou esta tarde que o seu partido não irá facilitar a vida ao Governo da República, viabilizando medidas só para resolver desentendimentos entre as forças que sustentam a “geringonça”. Passos Coelho não falou abertamente da TSU, mas deixou antever que não haverá apoio parlamentar na questão. “Entendam-se”, advertiu.

“Nunca tivemos um Governo da República tão revanchista como o atual”, acusou Pedro Passos Coelho, há pouco, na cerimónia de abertura do XVI Congresso do PSDM, que decorre no Funchal.

O líder dos social-democratas aproveitou o momento para acusar o executivo de António Costa de estar a desperdiçar oportunidades, ao insistir na estratégia de reverter reformas do passado. “Deveria antes estar a apostar em reformar para atrair investimento e desenvolver a nossa economia. O tempo não volta para trás”, sustentou. “Este governo não tem ambição de futuro. Não se conhece uma ideia mobilizadora, capaz de atrair investimento. Este governo está esgotado”.

Sem se referir especificamente ao recente impasse político em torno da TSU, o líder do principal partido da oposição ao nível nacional avisou aquela que chamou de governação geringonça, PS e partidos que o sustentam por via parlamentar. “Não esperem que concordemos com as suas ideias só quando se desentendem, para sustentar o governo socialista. Seria perverso olhar para o PSD como o parceiro para resolver problemas com partidos mais radicais. Basta de habilidades balofas. Não atirem culpas para o PSD sempre que não entendem sobre matérias importantes para o país”.

(Foto Rui Marote)
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Num discurso de 25 minutos, onde fez um balanço à atual governação da República, Passos Coelho mostrou-se pessimista face ao desempenho de Portugal em comparação com outros parceiros europeus, concretamente a Irlanda e a Espanha. “Algo está errado”, concluiu. ” “Crescem mais que Portugal, têm custos de financiamento mais baixo que o nosso país. Se precisamos do dobro para nos financiarmos, algo vai mal. Em vez de aliviar, agravam-se os custos do passado”.

Perante uma sala de congressos cheia, o líder nacional defendeu a resolução equilibrada e sustentada de questões que parecem prolongar o contencioso autonomia/República.

Em relação à Madeira, Passos Coelho garantiu o apoio do seu partido, e o seu pessoalmente, ao reforço dos poderes autonómicos, num quadro de coesão nacional. A construção do novo hospital é o exemplo prático desse compromisso. “Comprometo-me a fazer a República cumprir uma reivindicação justa e legítima”, assegurou, para logo atacar o governo socialista de assumir uma atitude inexplicável ao não prever verbas para a construção deste equipamento e assegurar assim o direito dos madeirenses aos cuidados de saúde mais avançados.

(Foto Rui Marote)
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O líder social-democrata defendeu ainda a revisão do modelo de financiamento das regiões autónomas, num quadro de respeito pela coesão nacional e de legitimidade pelas especificidades insulares.

Quanto ao congresso regional, que decorre este fim de semana, no sala de congressos do Casino, considerou tratar-se da consagração da escolha feita há dois anos, com a mudança de liderança e paradigma político no interior do partido e na Região. “Foi uma escolha acertada e frutífera, pois está a cumprir as altas expetativas elevadas então”.

Passos Coelho que nunca escondeu o seu apoio à mudança, mesmo quando Primeiro Ministro, sublinhou o caminho de credibilização e maturidade conseguidas com a liderança de Miguel Albuquerque à frente da estrutura regional do partido e Governo Regional, felicitando-o pela forma como conseguiu gerir a alternância, equilibrando o património histórico do PSD e as expetativas e desafios atuais.

(Foto Rui Marote)
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Antes da intervenção de Passos Coelho, que segue agora para Ponta Delgada, Açores, onde decorre também o congresso social-democrata açoriano, teve lugar a tomada de posse da Comissão Política Regional e do Secretariado, órgãos eleitos em dezembro último.

Rui Abreu volta a ser investido como secretário-geral do PSD-M.

A Comissão Política Regional confirmou a reeleição de Miguel Albuquerque na presidência da direção política do PSD-M, órgão composto por quase duas dezenas de militantes, a maioria deputados, contando ainda com nomes mais sonantes, como Rubina Leal, Jorge Carvalhos, ambos secretários regionais, Tranquada Gomes, presidente da assembleia Legislativa Regional, Pedro Calado, ex-autarca, e Pedro Coelho, edil de Câmara de Lobos.

Sabe-se que Sérgio Marques irá suceder a Adolfo Brazão na presidência da Mesa do Congresso.


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