Tomásia Alves, a mulher dos sete ofícios

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O cartoon de Helder, que hoje inicia uma colaboração com o FN, é eloquente sobre o percurso malabarístico desta mulher polivalente, a mulher do momento, semeado de utensílios relacionados com os lugares por onde já passou: o chapéu de chef e a campainha de hotel, os talheres e o violino, etc.

Há coisas destas neste admirável mundo novo. Verdadeiros homens – ou mulheres – enciclopedistas, que seguem nas pisadas de génios como Leonardo Da Vinci ou Benjamin Franklin. Da Vinci destacou-se por ser excelente pintor, matemático, cientista, inventor, engenheiro, arquitecto, botânico, músico, etc. Benjamin Franklin, que ao contrário de Da Vinci viveu no séc. XVIII, foi jornalista, diplomata, inventor, cientista, escritor, e por aí adiante.

Tomásia Alves não chega a ser tantas coisas ao mesmo tempo, pensa o Estepilha, mas já anda perto. Um de cada vez, vai desempenhando cargos e enriquecendo de competências o seu currículo. Formada em Psicologia e Ciências da Educação, já geriu desde a Escola de Hotelaria ao Conservatório de Música da Madeira. Convenhamos que entre os utensílios do cozinheiro ou as artes do camareiro e o violino, vão grandes diferenças. Pelo caminho, Tomásia trilhou também funções académicas na ex-Escola Superior de Educação da Madeira, na Universidade da Madeira e na Escola Profissional Dr. Francisco Fernandes, onde foi directora.

Agora, salta para o SESARAM, onde deverá dirigir os destinos do sistema de saúde regional, entretanto caído em descrédito junto do público e de contestação entre os seus profissionais. Ou seja, os seus utensílios serão agora estetoscópios, seringas e, claro, calculadoras (e talvez bisturis para cortar ainda mais nas despesas).

O Estepilha nada tem contra as pessoas de múltiplos talentos. Era, afinal, o ideal renascentista. Só que quem toca em múltiplos pianos, corre o risco de não afinar em nenhum deles. E todos nós estamos condenados, mais cedo ou mais tarde, a atingir o nosso mais alto grau de incompetência. Mais depressa chegamos lá se tivermos a ajuda de quem, politicamente, nos abre as portas de todas as áreas, mesmo daquelas de que nada percebemos, baseado na premissa de que para gerir, basta ser gestor, e pronto. Mas até mesmo aí a porca torce o rabo, porque, que se saiba, Tomásia Alves não é gestora, é psicóloga.

Os tempos que tem pela frente não serão fáceis, e não seremos nós, certamente, a condená-la e a puxar-lhe o tapete antes de começar. Para isso, já basta Bruno Rebelo de Sousa, que nem chegou a aquecer o assento da sua cadeira no IVBAM. Desejamos-lhe, pois, toda a sorte do mundo.

Só podemos desejar que Tomásia Alves comece com o pé direito no SESARAM. Porque, como já dizia o filósofo germânico Georg Lichtenberg, “Se queres provar-nos que és competente em agricultura, não o proves semeando urtigas”…