Rui Marote (texto e fotos)
A 3 de Setembro de 2015 alertámos o secretário regional da Economia, Turismo e Cultura, Eduardo Jesus, sobre o destino a dar às placas assinalando o nome de ilustres visitantes da Madeira, que anteriormente se encontravam à porta do edifício do Turismo, na Avenida Arriaga, e que tinham sido retiradas. 16 meses depois, fomos ouvidos. Mas há um senão: as referências aos ilustres visitantes passarão para a Praça do Povo, e ao arquitecto Spranger de Carvalho, residente no continente, coube-lhe a ‘fava’ de efectuar o projecto da instalação das ditas placas, pelo valor de 45 mil euros. No ex-Governo de Jardim, era notório ouvir-se nas campanhas eleitorais o apelo “Ajudei, agora ajudem-me’. Pois bem, agora nem é preciso chegar a eleições: Não houve concurso público e o projecto foi dado ao um arquitecto, coincidentemente familiar de uma figura de destaque na SRETC. Nomeadamente, é o tio de Kátia Carvalho, directora regional de Turismo.
Aqui fica, abaixo, o artigo que publicámos em 2015, para referência:
SETEMBRO 3, 2015
Saber copiar também é uma virtude
Continuam por ser devolvidas ao seu local de origem as placas com os nomes de ilustres visitantes que durante muito tempo estiveram à porta do edifício da Secretaria Regional do Turismo, à Avenida Arriaga. Foram retiradas a titulo provisório aquando das obras de remodelação do prédio, mas não voltaram a ver a luz do dia mesmo após a conclusão dos trabalhos. Conforme o FN já noticiou, as referidas placas em bronze estarão acondicionadas num armazém do Governo Regional e, ao que parece, não há para já qualquer decisão quanto ao timing e ao local para a sua futura instalação.
“Não se estragam”, argumentou o atual secretário regional do Turismo e Cultura, Eduardo Jesus, quando questionado pelo Funchal Notícias sobre o assunto.
Damos o benefício ao sr. secretário quando atesta pela sua integridade. O que não aceitamos é que a memória coletiva seja remetida a um esquecimento forçado, nos confins de um armazém, longe dos olhos e do sentir das gerações futuras. O património é de todos e deve ser usufruído por todos, não só por académicos, de forma a consolidar os laços que sustentam uma sociedade consciente das suas raízes.
E porque seguir os bons exemplos é também sinal de inteligência, deixamos como sugestão uma imagem recolhida em Vancouver há mais de 20 anos pelo nosso repórter Rui Marote. Num dos muitos jardins daquela cidade canadiana, é possível observar juntos aos bancos várias placas ostentando o símbolo do país e inscrições de pessoas que frequentavam o parque. Sinal de que a memória é um valor global e globalizante e que não se compadece com descuidos, atrasos nem justificações no mínimo insensíveis.
No caso das placas da Secretaria Regional o Turismo, assim que as encontrarem, a tarefa até nem é difícil. Basta um pouco de boa vontade.
Mas não ficamos por aqui: há mais a acrescentar. No próximo dia 30 de Dezembro, faz um ano que alertámos Miguel Albuquerque sobre o facto de o cais norte no Porto do Funchal não ter casas de banho nem elevador para servir os turistas que chegam nos cruzeiros. Os funcionários do Porto também não têm acesso a WC nem escritórios. O presidente do Governo Regional ficou, então, muito admirado e ordenou a execução destas obras. 11 meses depois, parece que se irão concretizar. Só há um senão: a obra foi entregue a uma arquitecta madeirense, que coincidentemente é cunhada do secretário regional da Economia, Turismo e Cultura…
Conclusão: há que ajudar a família!
(Abaixo transcrevemos a notícia que então foi publicada):

DEZEMBRO 30, 2015
Albuquerque visita obra concluída do cais Norte
(Texto e fotos Rui Marote) / O presidente do Governo Regional visitou o cais Norte, que sofreu melhoramentos consideráveis, no final da manha de hoje.
Como é do conhecimento público, muita falta tem feito este cais que esteve inoperacional por longos meses.
O cais Norte volta assim a receber o Aida Blue, amanhã, depois de renovado.
O FN tem acompanhado diariamente esta obra marítima e houve mesmo dúvidas que fosse concluída no final do ano. A empresa Etermar mostrou eficiência no serviço e a obra está efetivamente pronta.
À chegada do presidente Miguel Albuquerque e do Secretário Regional da Economia, Eduardo Jesus, que tem a tutela dos portos e do conselho de administração da APRAM, o FN alertou in loco o presidente do Governo para duas falhas: não há casas de banho para funcionários e cruzeiristas; os turistas deficientes enfrentam à saída barreiras arquitetónicas, desde logo uma uma rampa de inclinação acentuada.
Albuquerque mostrou-se surpreendido e inquiriu os responsáveis pelos lapsos. Acontece que desde há muito estava previsto o WC e elevador que o Funchal Noticias divulga em primeira mão e que nunca foram concluídos.
Ficou a promessa do presidente do GR que as obras em falta no porto iriam mesmo avançar.
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