“Considero desleal não dar Informação ao diário de que se é tutela [JM], para manteigar outro [DN]”

jornal-madeira-001O ex-presidente do Governo Regional enviou hoje às redações um artigo de reflexão sobre a comunicação social regional, designadamente a escrita. E considera que há “entrosamento de actividades oficiais com algumas actividades no Grupo Blandy”.

Eis o artigo:

“Há nulidades que vivem da propaganda. Umas vezes de iniciativa dos “interesses” que servem, outras vezes paga pelos próprios, quando dispondo de meios.
O capitalismo selvagem, as “sociedades secretas”, etc., foram-se apoderando dos regimes democráticos. Hoje, estes não passam de sistemas plutocraticos e partidocráticos. A propriedade dos meios de comunicação social decide cada vez mais o futuro dos povos, manuseando a sofisticação científica que a acção psicológica e a publicidade ganharam.
Ainda que as novas tecnologias tenham permitido espaços novos de Informação que, por enquanto, o grande Capital não controla totalmente.
No entanto, reconheça-se que os vultos públicos cuja capacidade assenta apenas na propaganda que os aguenta, também aproveitam as redes das novas tecnologias. Vemos uns arregimentadas a quotidianamente lhes celebrar qualidades que não possuem.
Ou melhor, sempre há os que, para além da fotografia diária, distribuirem subsídios aqui e acolá, num assistencialismo que é a negação do Investimento, do Emprego e do Desenvolvimento Integral.
E fazem-no, a contar ainda com eventuais memórias curtas, com a distorção da História e com um “porreirismo” que esqueça deslealdades e faltas de carácter no passado.
A propôsito de comunicação “social”, toda a gente sabe o porquê do entrosamento de actividades oficiais com algumas actividades no Grupo Blandy. É uma questão importante no actual momento madeirense, porque de sérias repercussões futuras.
O “Jornal da Madeira” desapareceu para lugar ao “J.M.”, propriedade da Região e sob tutela do Governo Regional, desaparecimento mais uma vez e como noutros casos conhecidos, a pedido de identificada “opinião publicada”.
Os Governos Regionais anteriores não impediram o pluralismo na comunicação social. Até se comprometeram publicamente em garantir a sobrevivência de todos, desde que a lei fosse respeitada através da observância do respectivo Estatuto Editorial.
Porém, como o “Jornal da Madeira”, deficitário, era maioritariamente propriedade da Região, não só se fazia a boa gestão de em nenhuma parte se gastar dinheiro a publicar o desnecessário, como não se praticava a má gestão de enviar para publicação noutro, o que bastava ser publicado no diário já encargo da Região Autónoma.
Mas os Governos Regionais anteriores pagavam a impressão do “Jornal da Madeira” em oficinas do Grupo Blandy, viabilizando assim, a este, também a publicação do seu diário.
Porém, no tempo dos meus Governos, havia debate politico e prática do contraditório, a sério. E de que maneira!
Hoje, ou é a censura selectiva ou é a indigência de um mal disfarçado “pensamento único”.
Orgulho-me de assumir que o “Jornal da Madeira”, cumprindo legalmente com o seu Estatuto Editorial, exercia a necessária legítima defesa de Valores com clara opção maioritária – e não apenas partidária – do Povo Madeirense, fazendo-o contra os adversários da nossa Autonomia Política, contra quaisquer ameaças totalitárias e contra os poderes que pretendem o regresso ao passado, escudados na ilegalidade do não cumprimento do estatuto editorial.
Fazendo-o em termos que sucessivas eleições não puseram em causa. Foi para tal que existiu e muito bem cumpriu a sua missão, legalmente estabelecida no seu Estatuto Editorial.
Legalidade confirmada pela Comissão Europeia, pelos Parlamentos nacional e regional, e pela Justiça.
É inadmissível que quem na sua carreira, quer política, quer no mundo dos negócios, DEVENDO algo ao “Jornal da Madeira”, agora o pretenda diminuir. Os tempos em que estamos!…
Pior. Quem depois de subscrever as então posições autonomistas e sociais-democratas do PSD contra a “entidade para a comunicação social” – um dos restos estalinistas na ainda vigente Constituição de 1976 – agora, qual “travesti”, venha invocar semelhante “entidade”, como fosse de se lhe reconhecer qualquer autoridade.
Mais. Como ex-jornalista, de que me orgulho e tenho saudade dado o período em que o fui, considero desleal não dar Informação ao diário de que se é tutela, para manteigar outro.
Hoje, na Madeira, um grande problema face ao futuro não é aquilo que anedoticamente ainda é enfiado como sendo “direita” ou “esquerda”.
Estas encontram-se controladas e até estruturadas pela ameaça principal que é nosso Dever contrariar, de forma a evitarmos que a Autonomia Política e o Desenvolvimento Integral retrocedam”.