Criar Emprego

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Os governos gostam de anunciar a criação de emprego como uma coisa sua quando, na verdade, raramente o fazem, e quando o fazem é para aumentar o número de funcionários públicos. Nada tenho contra, se não for supérfluo, mas que irrita, irrita, a sobranceria de afirmar tal criação.

Quem cria emprego são as empresas e outras organizações, com ou sem fins lucrativos, mais ninguém. Todos sabemos isso, ou deveríamos saber. Todavia, também muito importante, são as condições envolventes, o meio onde as empresas e as organizações vivem e operam.

É na criação de um clima favorável aos negócios que as políticas governamentais podem ter largo impacto, se bem pensadas e melhor implementadas. A confiança que as políticas e as práticas públicas transmitem aos mercados são factores fundamentais ao desenvolvimento dos negócios e, consequentemente, à criação do emprego.

Para a criação do emprego o investimento constitui a pedra angular. É ficção pensarmos que criamos emprego sem novas e competitivas empresas.

Para que haja investimento é necessário, antes de mais, a confiança que as políticas do país transmitem. Mas é precisamente aqui que falhamos.

A nível nacional o actual governo desatinou completamente. Rebocado pela visão da esquerda radical, veio anunciar o novo imposto sobre a propriedade, como se tivéssemos uma carga fiscal equilibrada. Porquê? Porque sabe que precisa de aumentar a receita fiscal, com a introdução de novos impostos, como é este sobre o património superior a 500.000 euros, para compensar as medidas entretanto introduzidas de aumento do rendimento disponível, sob pena de não cumprir a meta do défice orçamental inferior a 3%.

Ora, andarmos a mexer constantemente nas regras fiscais, abala seriamente a confiança no governo e nas suas intenções futuras e afasta os investidores. E sem investimento não existe criação de emprego.

De acordo com a mais recente informação estatística produzida pelo INE sobre as contas nacionais do segundo trimestre de 2016, o PIB cresceu apenas 0,8% em termos homólogos. Mas, o mais relevante, é que se constata uma redução expressiva no Investimento e no contributo da procura Interna no PIB, este último comportamento demonstrando a pouca eficácia da política governamental no sentido de aumentar o Consumo.

Erro de palmatória, pois o país só poderá ter futuro apostando fortemente nas Exportações, por substituição de importações ou pela aquisição de novos mercados externos e, com tal desiderato, fazer crescer o rendimento disponível dos portugueses. E o país tem feito um trabalho meritório nesta matéria, pois a taxa de cobertura das importações foi de 83% em 2015, bem melhor do que a de anos anteriores.

A nível regional o governo esteve bem, pois logo repudiou a nova medida fiscal. Mas não tem estado assim tão bem no que concerne às políticas favoráveis à criação de novos empregos.

Não fosse a pujança do sector do turismo, muito por razões exógenas, muito embora reconheça a valorização da nova política que vem progressivamente a ser introduzida pelos novos actores do sector, e estaríamos atravessando um período muito complicado.

É fundamental perceber que podemos ser muito competitivos ao nível das comunicações electrónicas, desde que exista vontade política, mas sobretudo visão, estratégia e prática continuada, e não os fogachos a que nos têm vindo a habituar.

Já escrevi, por várias vezes, sobre a visão que possuo para o sector, por isso não a irei repetir. Mas que estou convicto que a sua correcta aplicação gerará, no médio prazo, um volume significativo de emprego, obviamente à nossa escala, emprego esse qualificado e diferenciador.

Mas, para tal, é necessário implementar a visão adequada.