Crónica Urbana: “Nomeia uma comissão se queres que nada se faça”

Bombeiros do aereoporto, bombeiros da Calheta e bombeiros dos Açores no fogo na Freguesia dos Prazeres
Bombeiros do aereoporto, bombeiros da Calheta e bombeiros dos Açores no fogo na Freguesia dos Prazeres (foto Amílcar Figueira)

Rui Marote

Esta frase tem direitos de autor. Ouvi-a durante dezenas de anos. Esta semana, por iniciativa do CDS e do vereador José Manuel Rodrigues, foi apresentada à edilidade funchalense a criação de um gabinete de reconstrução da Madeira integrado por representantes do Executivo, das Câmaras Municipais dos concelhos atingidos pelos fogos, dos parceiros sociais e de instituições de solidariedade social, destinada a coordenar todas as tarefas de restabelecimento da normalidade e um aproveitamento eficaz dos apoios financeiros do Estado, da UE e da solidariedade regional, nacional e internacional. Uma proposta, portanto, a apresentar ao Governo Regional. Fantástico, mas impossível de concretizar… o nosso título diz tudo.

Recordamos novamente o que aconteceu aquando do sismo de 1980 em Angra do Heroísmo: o governo de Pinto Balsemão nomeou então um alto comissário para coordenar a sua reconstrução, e hoje a cidade é património mundial da UNESCO.

Vou falar-vos um pouco de Beirute, cidade que conheço: esta urbe foi destruída pela guerra durante mais de dez anos. O principal investidor da reconstrução foi o bilionário e ex-primeiro-ministro Rafik Sariri, que doou 124 milhões de dólares para a obra. O nosso bilionário chama-se União Europeia, mas acabaram os fundos de coesão. Abrir a boca e pedir 72 milhões e 900 mil euros é “brinquedo de criança”, como diz o brasileiro. Com os milhões que vieram para o 20 de Fevereiro, ainda temos gente deslocada, pessoas que não regressaram aos seus lares e estamos com obras nas ribeiras.

Na área destruída da parte histórica de São Pedro os edifícios destruídos estavam devolutos, e os seus arredores e interiores eram autênticas lixeiras. Que eu saiba, um edifício é do Governo e todos os restantes têm dono; a Câmara já enviou algum ofício convocando os proprietários dos edifícios destruídos pelas chamas? Os proprietários já estiveram no local a visitá-los? Uma pergunta que tem resposta: vão continuar a dormir descansados.

Quanto às casas da zona da Pena, é uma tarefa um pouco mais complicada. Grande parte são de aluguer e seguros não existem. Algumas não têm acesso a viaturas, ficam em travessas e becos. Casas que não têm saneamento básico e onde funciona a tradicional fossa séptica. Autênticas casinhas de bonecas. Não é dando blocos e telhas que se vai resolver o assunto. Sou de opinião que só um concurso público para uma empresa de construção civil será capaz de resolver rápido e atacar este problema.

Quanto às encostas e reflorestação, este é que é um assunto sério… e que já abordámos em anteriores crónicas.

José Manuel Rodrigues: uma comissão é como uma casa onde não há pão… todos ralham e ninguém tem razão. Entendo que cada Câmara Municipal deve tratar dos assuntos respectivos dentro da sua área.


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