Hospital de campanha no RG3 apoia mais de 300 doentes e desalojados

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Fotos: Rui Marote

O Funchal Notícias foi encontrar esta manhã uma singular azáfama no quartel militar do RG3, em São Martinho, a fazer lembrar o papel que aquela infraestrutura do Exército desempenhou no apoio à população atingida pela intempérie do 20 de Fevereiro de 2010.

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A escala não é certamente a mesma, mas o apoio, esse está a funcionar. Entre funcionários de serviços de saúde, assistentes sociais, vereadores da Câmara do Funchal como Miguel Silva Gouveia e governantes como a secretária regional da Inclusão e Assuntos Sociais, Rubina Leal, ou o presidente da Segurança Social, Rui Freitas, muitos são os responsáveis civis que têm passado por ali, em maior ou menor grau hierárquico. Todos procuram cumprir as suas funções de dar apoio a esta população desalojada pelo fumo e pelos fogos.

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Quanto aos militares, estão totalmente envolvidos na coordenação do apoio no RG3, e, segundo apurámos, terão participado em patrulhas de prevenção de fogos, mas não se encontram até agora envolvidos no combate directo aos incêndios ou vinculados a nenhuma operação no terreno, fora do perímetro dos quartéis.

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Com o grassar das chamas na zona do Monte, foram evacuados os doentes do Hospital dos Marmeleiros, e montado no RG3 um hospital de campanha. 288 pessoas da comunidade em geral foram acolhidas no quartel, por terem sofrido inalação de fumos, estarem exaustas pelo combate aos fogos perto de suas casas e por terem sido aconselhadas a evacuar diversas áreas. Por outro lado, 79 doentes do hospital foram conduzidos às instalações militares para realojamento temporário.

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O FN esteve no local e constatou todo o apoio que está a ser disponibilizado pelos militares a estes cidadãos, com o concurso das entidades civis, numa interligação profícua. As palavras das pessoas com quem falámos foram de agradecimento para o apoio que estão a receber dos militares e das entidades civis, e de elogio à acção dos bombeiros e demais forças de socorro.

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O objectivo da montagem deste centro de acolhimento no RG3 foi, conforme nos disseram alguns militares, essencialmente o de proporcionar às pessoas um oásis de calma no meio da confusão causada pelos incêndios, um lugar onde possam repousar depois do movimentado dia de ontem e de uma noite complicada. Muitas pessoas viram as chamas acercar-se perigosamente das suas residências, embora as mesmas não tenham sido tocadas pelo fogo; mas o fumo era muito e o ar tornava-se irrespirável.

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Maria Olímpia saiu da sua residência em São Roque por precaução, e foi transportada até o RG3 numa carrinha civil, que pensa ser da Junta de Freguesia.

“A situação já estava a ficar complicada, com muito fumo… A casa já estava cheia de fumo e eu queria respirar e não podia. Andámos a deitar água por cima, mas chegou-se a uma altura em que tivemos de sair, e vir para a escola de São Roque. Daí, então, trouxeram-nos para cá [RG3], à espera que a situação melhore”. Mais sossegada e satisfeita com o modo como estava a ser atendida, deu-nos conta de que a sua casa não chegou a ser afectada pelo fogo, felizmente. Mesmo assim, “foi uma aflição grande, ver o lume andar em nosso redor… Andávamos sempre com a mangueira da água em cima da casa, com medo de que aquilo pegasse. Hoje, felizmente, a situação já está controlada. O meu filho esteve toda a noite preocupado com aquilo, e aconselhou-nos a aguentarmos aqui algum tempo… pois estamos cá mais tranquilos”.

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Por outro lado, Ângela Vasconcelos deu-nos conta de “muito pânico e aflição” ontem em São Roque. “Foi o nosso caso, o vento fazia pensar que as chamas podiam mudar de direcção a qualquer momento… Realmente chegaram algumas faúlhas à nossa zona, e quando vi isso, mais em pânico entrei. O meu marido aconselhou-nos a descer para a zona do Clube Desportivo São Roque. De lá trouxeram-nos para cá”.

Quanto à resposta das autoridades a esta crise, considerou-a “rápida”.

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“Foi impecável, são de louvar”, sublinhou.

Entretanto, os militares e as assistentes sociais e demais pessoal de apoio fazem o melhor possível para entreter os idosos e as crianças, e facultar-lhes o apoio psicológico ou físico de que necessitam.