Sindicato diz que recorde de números na hotelaria não chega ao bolso dos trabalhadores

Funchal-089O Sindicato de Hotelaria da Madeira emitiu hoje um comunicado dizendo que o patronato nunca teve tantos proveitos como agora mas os trabalhadores nunca foram tão escravizados.

Eis o teor do comunicado:

“Os últimos dados do turismo na Madeira, entre Janeiro e Maio de 2016, são números que batem todos os recordes, desde a entrada de hóspedes, às dormidas, às receitas, ao revpar e, naturalmente, os lucros. Se para os empresários do sector os últimos anos têm sido anos de ouro, lamentavelmente para os trabalhadores têm sido tão somente anos de sacrifícios, ou seja, o aumento dos lucros na hotelaria, contrasta com a situação dos trabalhadores, os quais, desde Janeiro de 2013, que não foram contemplados com aumentos salariais, devido à posição do patronato e da ACIF, de pretender fazer caducar o actual contrato colectivo de trabalho e substituí-lo por outro sem direitos e sempre com o objectivo de, a qualquer momento, podê-lo denunciar de novo e voltar a caducá-lo.

A propósito, refira-se que, após o Sindicato ter solicitado a intervenção administrativa do Governo Regional, e este ter emitido o aviso de portaria em Dezembro de 2015, consagrando um aumento salarial de 2,5%, o patronato da hotelaria e a ACIF avançaram com uma providência cautelar para o Tribunal Fiscal e Administrativo, tendo o Tribunal dado razão ao Governo, o que levou a que a ACIF recorresse da decisão, pelo que a sentença do Tribunal do Funchal teve efeitos suspensivos, até à decisão do Supremo.

Tudo isto se verificou e verifica, numa altura em que a hotelaria da Madeira usufrue, de resto já há anos, das melhores condições económicas de todos os tempos, para negociar aumentos salariais para os trabalhadores, o que significa que o patronato está a engordar à custa do esforço de quem trabalha, ao mesmo tempo que impõe a escravatura aos trabalhadores, designadamente não lhes concedendo aumentos salariais, violando sistematicamente o contrato colectivo de trabalho que se mantém em vigor, impondo ritmos de trabalho intensos, com horários de trabalho de 10 e 12 horas por dia, sem qualquer compensação económica, o mesmo se verificando com o trabalho prestado em dias de descanso e feriados, o que, aliado à falta de descanso a que são submetidos os trabalhadores, está a colocar em causa a sua saúde e segurança e em que, para cúmulo, existem empresas que, apesar da gordura dos lucros que usufruem, continuam a pagar repetidamente os salários com atraso.”