
Após a vitória de Portugal no Euro 2016, alguns milhares de franceses tiveram a original lembrança de lançar uma petição para repetir a final.
«Repetir a final do Euro-2016. À atenção da UEFA. A fraude portuguesa não merece tal título», lê-se na apresentação da petição, criada esta segunda-feira, e que conta já com mais de oitenta mil assinantes.
Será um caso de Stress pós-traumático, Alzheimer no último estádio ou terão andado a fumar erva não biológica? Ou serão as três juntas?
Para a primeira das hipóteses de diagnóstico julgo ser interessante alguns fatores que poderão estar na base da reação patológica.
Ora vejamos:entre os fatores que contribuem para o desenvolvimento do TEPT estão:
· a extensão em que o evento traumático afetou a vida íntima e pessoal do afetado; (o chauvinismo francês caiu até à Austrália);
· a duração do evento; (o prolongamento agudizou a tortura);
· tendência orgânica ao desenvolvimento de transtornos de humor e de ansiedade; (primeiro lágrimas, depois petições)
· inexperiência/despreparo para lidar com o evento (tal a convicção e arrogância demonstradas antes e durante).
Além disso, temos os sintomas, entre os quais salientamos a reexperiência traumática, ou seja, pensamentos recorrentes e intrusivos que remetem à lembrança do trauma, flashbacks, pesadelos,situações associadas à possibilidade de ter disponível a gravação durante uma semana, as dolorosas repetições dos telejornais ou o eterno Youtube.
O tratamento preferencial é a Terapia cognitivo-comportamental (TCC) por seis meses a um ano, complementada, em algumas ocasiões, com fármacos ansiolíticos.
Outra alternativa é o tratamento com sertralina, um antidepressivo que atua sobre a serotonina noradrenalina, melhorando o humor e diminuindo a ansiedade e causando poucos efeitos colaterais, sendo insónia o único mais frequente nos participantes que tomaram sertralina do que nos que tomaram placebo. Dos pacientes com TEPT tratados com sertralina 53% relataram grande alívio dos sintomas.
Fica a nossa tentativa de ajuda médica. De nada, foi de boa vontade.
Mas, voltando um pouco atrás, então, assim, como que num estalar de dedos, já se lhes apagou da memória a obscena, fraudulenta, para não dizer “nojenta”, eliminação da Irlanda do campeonato do mundo de 2010, com um golo marcado pela “mão de Deus” deThierry Henry?
Aí, sim, é que a palavra “fraude” poderia ser usada com toda a verdade e propriedade, logo nada mais justo e legítimo do que repetir o jogo ou, pura e simplesmente, não validar o golo de andebol.
Afinal, volta não volta, temos de apanhar com o chauvinismo napoleónico no seu melhor!
Creio que até nem é bem “mau perder”. Julgo que foi mais “com quem perder”, sobretudo depois de a imprensa francesa parecer um esgoto a céu aberto quando se tratava de caracterizar a nossa seleção, e o próprio orgulho nacional.
Desconfio que o primeiro assinante, depois talvez da grande radical nacionalista Marine Le Pen, há de ter sido o senhor Jean-Claude Juncker, se tivermos presente que numa clara posição discriminatória face a Portugal, este último também defende que, apesar de a França também ser incumpridora, não deverá ser punida, porque…é a França!!!
É daquelas justificações do tipo “Porque não.” ou “Porque sim.” absolutamente esclarecedoras e satisfatórias. Não conheço criatura alguma que não as aprecie.
Parece que o nariz no ar destes milhares de franceses ressabiados é proporcional ao tamanho das suas baguettes, já para não dizer que entraram em campo com nariz de Cyrano de Bergerac, tal a íntima convicção de que seriam favas contadas.
Fosse aqui “há atrasado” e poderiam recorrer às imaculadas diligências de Blatter ou Platini, e ao seu abusivo poder. Agora, paciência, “enfants de la patrie”, já de nada serve porque eles mandam tanto no futebol como eu no Vaticano.
Suspeito que quando se referem a “fraude” deverão estar a referir-se ao lance da lesão de Ronaldo, com a entrada tauromáquica de Payet, do qual nem falta resultou para, num lance a seguir, ser marcada falta e amarelo a Cedric…
À falta de papel higiénico em tanto hospital, Lar, Clínica, Centro Médico, escolas, entre tantas outras carências do dito cujo, a petição pode dar um jeito para desenrascar uma ou outra prática higiénica. De resto, não lhe vejo outra “utilidade”.
A propósito, a portuguesa Patrícia Mamona também é a nova campeã da Europa do triplo salto, ao vencer a competição disputada em Amesterdão, com um salto final de 14,58 metros.
Não haverá já em carteira uma outra petição para repetir a prova, obrigando-a (sabe-se lá!) a fazer o sêxtuplo salto, em lugar do triplo???
É lançar já nova petição?
Entretanto, “Je suis Éder!”
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