Danilo Matos lidera denúncia dos planos para a Ponte D. Manuel no Funchal

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Fotos da autoria de Danilo Matos

Danilo Matos, engenheiro civil que foi durante anos director do Departamento de Planeamento Estratégico da Câmara Municipal do Funchal, tem liderado a denúncia, através das redes sociais, do impacto que os projectos da empresa LCW terá nas ribeiras do Funchal. Movido pelo desejo de protecção do património, nomeadamente das emblemáticas pontes da urbe funchalense e das muralhas construídas pelo brigadeiro Oudinot, Danilo voltou recentemente à carga, denunciando as intenções relativamente à ponte D. Manuel, situada sobre a Ribeira de Santa Luzia e hoje apenas dedicada ao trânsito pedonal.

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Num texto intitulado ‘A mais bonita precisa de ajuda’, Danilo Matos refere que esta ponte “não vai ser abatida, mas é como se fosse”. Prosseguindo a crítica, aponta que “dizem que vai ser reabilitada”, mas isso “é mentira”.

“Vão colocar-lhe um ‘cimbre inferior aderente, composto por costelas metálicas’, que serão posteriormente “cobertas por uma espessura de 0,25 m de camadas sucessivas de betão projectado”. Tal está, garante, “escrito na memória descritiva a que, finalmente, acabo de ter acesso, graças à gentileza da CMF (…)”.

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Danilo insurge-se: “Alguém que explique a estes ‘estrangeirados’ que estamos a reabilitar património no centro de uma cidade atlântica ÚNICA, a primeira feita por europeus fora da Europa e que já tem mais de 500 anos. Metam isto na cabeça”.

A ponte data, aproximadamente, de meados do século XIX e não está incluída nas empreitadas actualmente em curso. O concurso para a empreitada desta obra deverá ser lançado em breve pelo Governo Regional, mas a ponte, alerta o engenheiro civil, insere-se numa área de protecção aos edifícios classificados da baixa da cidade e, mesmo que não tenha sido oficialmente classificada, qualquer intervenção na mesma deveria ser acompanhada de arqueólogos e outros técnicos da Direcção Regional de Cultura, que aparentemente não foi até agora ouvida nem achada neste processo. Danilo Matos assegura mesmo que há técnicos na DRC que “estão contra isto” e questiona-se se o Governo não estará a varrer para debaixo do tapete as opiniões que sabe existirem, ou mesmo eventuais pareceres que tenham sido emitidos.

As obras nas ribeiras têm feito correr muita tinta e levantado polémica, embora pareça existir uma cortina de fumo à volta da mesma, dado que poucos órgãos de comunicação social têm dado destaque ao descontentamento de muitos com a forma como as intervenções estão planeadas pela empresa de consultoria de engenharia LCW. São acções que estão a decorrer ao abrigo de uma verba da UE para fazer face a circunstâncias de alterações climáticas, e que representam um investimento de 15 por cento de verbas governamentais da Lei de Meios, contra 85 por cento de fundos comunitários.

A ponte resistiu bem à aluvião de 20 de Fevereiro de 2010
A ponte resistiu bem à aluvião de 20 de Fevereiro de 2010

Danilo Matos faz notar que “o mais curioso é que os projectistas reconhecem o que para mim é uma evidência há muito tempo, que a Ponte D. Manuel não tem problemas estruturais e que a sua secção ‘não condiciona o escoamento da ribeira’, e mesmo assim propõem ‘um reforço complementar para lhe dar mais durabilidade'”. Mas Danilo discorda inteiramente: “Qual durabilidade! Então um betão poroso aplicado em cima de uma estrutura metálica, com rede electrosoldada, com o mar por debaixo – sim, porque o mar já chega lá – quandos anos é que estes inteligentes pensam que dura?”

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Para o activista do património, “a Ponte D. Manuel I é, de facto, a mais bonita de todas as pontes da ribeira de Santa Luzia”, uma “ponte pedonal em arco abatido, em cantaria da Região e em bom estado, simples, esbelta e sem elementos dissonantes, pavimento em calhau rolado, guardas com lancis e colunas igualmente em cantaria, muros de tímpano que, mesmo com os impactos violentos da aluvião de 20 de Fevereiro [de 2010], resistiram e estão lá sem patologias preocupantes. Deixem-na em paz. Ela está muito bem. Só precisa de trabalhos de conservação e pequenos restauros, limpezas, pinturas e passar a ser mais cuidada e acarinhada”. Se as intenções não se inverterem face ao que está planeado, sublinha, a cidade arrisca-se a perder irremediavelmente um dos símbolos da cidade.


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