Carlos Dias queixa-se de inscrição para militante ‘congelada’ por Lino Abreu

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Fotos: Rui Marote

A continuidade de Lino Abreu no cargo de secretário-geral do CDS-Madeira continua a gerar controvérsia. Depois de termos divulgado as críticas de João Catanho e outros, eis que surge agora Carlos Dias a denunciar o modo como o ainda actual secretário-geral dos centristas madeirenses terá alegadamente mantido ‘congeladas’ as inscrições de militantes desde há vários meses. Uma das supostas irregularidades das quais Lino é agora acusado, numa posição fragilizada, ao fim de quase duas décadas como secretário-geral, com a responsabilidade das finanças do partido, entre outras atribuições, mas muito contestado depois de ter sido condenado a mais de dois anos e meio de prisão por crime de corrupção.

Recorde-se que Lino Abreu reagiu afirmando que não se tratava de dezenas de militantes cujas inscrições estariam ainda à espera, mas apenas três, e que havia processos morosos a serem cumpridos. O que motivou novas críticas de Catanho.

Agora, é Carlos Dias que vem denunciar, “em jeito de resposta ao Sr. Lino Abreu, deputado (suspenso) e aclamado secretário-geral do CDS-M, lá para as bandas da rua da Mouraria, em virtude de as suas palavras no DN terem sido, tudo menos esclarecedora e ausentes de verdade”.

“Assim sendo”, refere, “quero deixar um testemunho de indignação e falta de paciência para atitudes de esperteza saloia”. E passa a reproduzir um e-mail que enviou para a Secretaria Nacional do CDS-PP.

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“No final do mês de Novembro de 2015 a minha ficha de inscrição de militante no CDS-M, foi entregue na sede do Funchal, (cuja fotocópia tenho em minha posse), mas até à presente data não obtive qualquer indicação sobre a minha militância.

No último ato eleitoral para a concelhia do Funchal não pude participar, pois não constava nos cadernos eleitorais, mesmo já tendo passado os 90 dias inscritos no regulamento do CDS-M.

Quando questionei a mesa, no dia das eleições para a concelhia, o Secretário-Geral (Madeira), Sr. Lino Abreu, aproximou-se da mesa e a resposta não tardou, dizendo-me: irei averiguar a situação, mas garanto-lhe que todas as Propostas de Adesão a Militante foram enviadas em Dezembro para a sede do CDS (continente). Acrescentando ainda: já aconteceu o mesmo a uma pessoa da minha lista. Perplexo questionei: que não se trata de listas… nem sequer saber qual o meu voto (uma vez que não me conhece de lado algum). Sempre pensei que o voto era secreto…devo andar equivocado!!

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Posteriormente, falei com um funcionário do CDS-M Funchal, o qual referiu que iria entrar em contacto com a sede Nacional e me daria uma resposta, mas até à presente data não obtive qualquer informação. Melhor, a única resposta, após falar novamente com o funcionário via telefone, é que estava a aguardar uma resposta do secretário-geral, ou seja, não entrou em contacto com ninguém, pois, o dono disto tudo, leia-se Secretário-Geral, não lhe havia dado ordens para agir, com a intenção deliberada que eu me afastasse, me esquecesse, mas estava, está, enganado!!

Ontem (final de Maio) entrei em contacto via telefone novamente com a sede do CDS-M e a resposta foi a mesma. Posto isto, gostaria que me esclarecessem: a minha ficha deu ou não entrada na sede do CDS Nacional?

É que esta demora é inadmissível!!

O CDS, tal como todos os partidos, deve querer sempre o aumento dos seus simpatizantes e se possível, também dos seus militantes. E acredito, tentar ao longo dos tempos fazer de uma forma ordenada, uma renovação dos seus quadros dirigentes, como tal, não compreendo estas ações por parte da atual direção do CDS-M, não querendo ser injusto, mas tal ato é personificado, na pessoa do Secretário-Geral, Lino Abreu.

Espero que o CDS-M, não se queira tornar simplesmente, num grupo de amigos, como se de uma associação de moradores se tratasse, logicamente, sem desprimor para as referidas associações. É que já ouvi inúmeros casos exatamente iguais ao meu e a resposta é sempre a mesma, isto é, enrolam, enrolam, numa tentativa de fazer com que as pessoas percam a vontade, a paciência para aturar atos, com um  laivo ditatorial como este.

Desde já aproveito para manifestar o meu repúdio para com estes dirigentes que estão a denegrir a imagem do CDS-Madeira. E não, não é uma calúnia infundada, mas sim, uma mera opinião de um cidadão que se sente lesado na sua liberdade de escolha, na sua liberdade de participação democrática em sociedade.

A isto se chama, vida em Democracia!”

Carlos Dias explica que, como não obteve resposta ao referido email enviado para as estruturas nacionais, entrou em contacto uma vez mais com a sede nacional do CDS e começou a explicar a razão pelo telefonema, “ao qual me responderam: sim, já sabemos, é por causa das inscrições da Madeira. Fez-se silêncio…e lá me responderam: ainda não lhe demos resposta ao seu email, pois a situação é complicada e estamos a ver como fazer, mas já temos aqui a cópia da sua inscrição”.

“Posto isto”, refere Carlos Dias, “questionei: Estou ou não inscrito como militante?

Ao qual a funcionária respondeu: Não!! Não está…não lhe vou dizer que está, pois estaria a mentir…. Perplexo, ou não, gentilmente pedi: Envie-me por email essa resposta para confrontar o secretário-geral da rua da Mouraria no Funchal, Sr. Lino Abreu!!

Última resposta: só lhe posso confirmar que não está inscrito, mas não lhe posso enviar essa resposta, até a situação ser resolvida pelo órgão competente do partido.

Até essa data aguardo resposta.

Assim vai o CDS-PP!!”, queixa-se este candidato a militante, e que se entende bloqueado nessa sua aspiração.

Entretanto, os elementos do CDS-PP partem para uma reunião nos Açores. E aparentemente, conforme nos chegou ao conhecimento, Lino Abreu deve ir a Cabo Verde, onde tem obrigações negociais.

Continua a haver muito para ‘endireitar’ na estrutura regional do partido, quando regressarem…