Bispo do Funchal releva papel das Misericórdias na ação da Igreja e no mundo atual

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“As Misericórdias estão vivas e procuram formas de presença na sociedade, adequadas às suas reais necessidades e exigências”, e “ao longo de mais de cinco séculos as Misericórdias foram sempre capazes de olhar com amor e ajudar quem mais precisa”, salientou o bispo do Funchal na cerimónia de encerramento da Semana da Misericórdia de Santa Cruz, realizada na passada terça-feira, com a presença de várias entidades oficiais, nomeadamente o Presidente da Assembleia Legislativa da Madeira e a Secretária Regional da Inclusão e Assuntos Sociais.
D. António Carrilho lembrou a qualidade daquele evento que acolheu diversas propostas temáticas, que “muito poderão ter contribuído para aprofundar o conhecimento da verdadeira identidade e espírito eclesial das Misericórdias, na sua inspiração e atividade sócio caritativa, na sua importância e marcas culturais, que permanecem e continuam a suscitar”. No seu discurso, revelou ainda a preocupação da Igreja Católica em proporcionar o debate à volta da solidariedade em geral, “ao serviço dos mais pobres, excluídos e abandonados”, como prova o Ano Jubilar da Misericórdia convocado pelo Papa Francisco, o 12º Congresso Nacional das Misericórdias, que decorre esta semana no Fundão, sobre “o futuro do idoso, no atual contexto socioeconómico do nosso país”, e a próxima Peregrinação Nacional das Misericórdias portuguesas a Fátima.
No encerramento da Semana da Misericórdia de Santa Cruz foi também lançado um livro sobre a “Venerável Irmã Maria de São Francisco Wilson”, a fundadora das Franciscanas de Nossa Senhora das Vitórias e grande impulsionadora da Misericórdia local. Conforme recordou o bispo do Funchal na ocasião: “Em 1887 o Barão da Nora, reconhecendo o seu grande amor pelos pobres e o seu interesse pela enfermagem (a única enfermeira diplomada na Madeira), pediu-lhe que restaurasse o Hospital da Misericórdia de Santa Cruz, quase em ruínas, sem as condições mínimas para receber e tratar os doentes. Ela não somente reconstruiu e mobilou o hospital, como também abriu e forneceu a Farmácia contígua, em grande parte à sua conta e com o apoio dos seus amigos. Em 1891, as primeiras três Irmãs Vitorianas fizeram a sua Profissão Religiosa na capela do hospital, do qual a Irmã Wilson era, na prática, a diretora. Aqui teve início a Congregação das Irmãs Vitorianas”.

misericordia de santa cruzNum contexto mais amplo, D. António Carrilho apontou ainda outros exemplos de figuras emblemáticas relacionadas com a “misericórdia de Deus” e que merecem ser reconhecidas pela atualidade da sua ação. É o caso da americana Dorotty Day, “agnóstica, anárquica e rebelde”, que, “numa procura angustiosa da verdade converteu-se aos 25 anos e entregou-se totalmente a Deus. Esta mulher verdadeiramente heróica e determinada, encontrou toda a sua força, na oração, para se entregar aos mais pobres. Viveu “heroicamente as obras de misericórdia”. É dela esta frase bem significativa: “pobres são todos os que sofrem”; e, por outro lado, a “Beata Madre Teresa de Calcutá, que todos tão bem conhecem e será canonizada, no próximo dia quatro de setembro. A fundadora das Irmãs de Caridade, fez da sua vida uma oferenda de amor, ao tocar as feridas dos pobres mais pobres das ruas de Calcutá, na India, e em tantos outros países do mundo, com graves carências sociais, oferecendo a misericórdia e a ternura de Deus aos que mais necessitavam. São dela estas palavras de profunda delicadeza e bondade: “A todos os que sofrem e estão sós, dai sempre um sorriso de alegria. Não lhes proporcioneis apenas os vossos cuidados, mas também o vosso coração”, lembrou o bispo do Funchal que, por outro lado, referenciou a “parábola do bom samaritano” que “expressa, com surpreendente beleza, a ternura, o amor compassivo e a misericórdia infinita de Deus Pai pela humanidade ferida”, e que deverá ser exemplo a seguir em qualquer tempo.