Fátima Spínola expõe “Pequena Tragédia” em São Vicente

Fátima SpínolaO Centro de Promoção Cultural de São Vicente inaugura amanhã, dia 20 de maio, às 19 horas, a exposição individual da artista plástica Fátima Spínola, intitulada “Pequenas Tragédia | Small Tragedies”.

Pequenas tragédias é o mote para duas novas séries realizadas em 2016 onde o fio condutor é o desenho.

Num dos casos a artista desconstrói o contexto original de fotografias dos anos 90 e reutiliza-as como suporte, aproveitando os figurantes, os cenários e os objetos de forma a engendrar contextos estranhos e apocalípticos.

“RISCOS – quem tem medo do lápis?”, a última exposição individual de Fátima Spínola, deu início a um trabalho de desconstrução de medos e repulsas com origem na infância.

Fátima Spínola2O confronto, em tenra idade, com revistas de missionários que traziam imagens de crianças com lepra, foi fonte de repugnância e estigma ao ponto de a levar a arranhar tinta de parede com bolhas originadas pela humidade.

Numa segunda vertente os objetos passam a primeiro plano, sendo retratados através do desenho e da pintura numa encenação metafórica, mas não ilustrativa.

Os objetos aparecem enquanto vestígios da presença humana sem que se perceba o enredo da história por detrás de cada cena.

A omnipresença humana destas duas séries confronta-nos com a existência de visões diferentes perante a mesma realidade.

Uma pequena tragédia depende sempre do protagonista, podendo arrasar, moer ou mesmo destruir uma pessoa e deixar outra completamente incólume.

Natural de Santana, Fátima Spínola (1984) é licenciada e pós-graduada em Pintura pela Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa. Marcam sua formação, as problemáticas sociais, políticas, económicas, religiosas e ambientais, consequência do contexto geográfico e familiar de origem, assim como a interação, na infância, com o espaço rural: as construções com terra, com materiais da fazenda (canas, árvores, troços de couves, ervas), a curiosidade por espaços abandonados e escusos, a plena liberdade e segurança, que permitiam horas de brincadeira sem a vigilância dos mais velhos, a definição de espaços através da imaginação.

As construções da infância deram lugar à instalação, à pintura, ao desenho e à gravura, questionando e refletindo sobre várias problemáticas. Tem como foco em seu trabalho uma investigação contínua através da pintura, do desenho, da instalação e da gravura, privilegiando materiais que metaforizem a atual precariedade da arte e debruçando-se sobre temáticas implícitas aos próprios meios artísticos.

Participa como artista plástica e cogestora do Projeto “Espaço 116”, que promove e realiza manifestações artísticas alternativas, nacionais e internacionais. Realizou diversas exposições em Portugal, em Espanha e no Brasil.


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