Feira do Livro abre com estudantes a “prenderem” a polícia e com Testemunhas de Jeová nos stands

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Ups! Está preso, senhor polícia! Assim foi o teatro de rua dos estudantes da Escola do Galeão ou Dr Brazão de Castro.

O tempo cinzento a cobrir a multidão apressada num final de manhã de sexta feira. Assim é o “recorte” da cidade do Funchal, marcada pelo facto de a Feira do Livro revisitar a Avenida Arriaga. Stands abertos de manhã e cerimónia oficial agendada para o fim da tarde. Mais uma organização que se repete para dizer que o livro vale sempre a pena, apesar dos Tablets e Iphones.
Um episódio cativa a atenção dos transeuntes: dois polícias com a passagem bloqueada por estudantes de t-shirt branca, em silêncio, mas a desenharem uma corrente firme: “A vida é um grande teatro”. Silêncio absoluto. Maquilhagem e olhar firme na polícia, não vá ela escapar com os seus mil ardis. Papéis invertidos. São os adolescentes a proteger a polícia! Os flashes disparam. Depois de uns minutos nesta representação, os agentes são “libertados” e caminham à sua vida.

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O “batismo” na Feira das Testemunhas de Jeová.

Depois, sim, as explicações que se impõem: os estudantes da Escola Dr Brazão de Castro querem passar uma mensagem: a necessidade de os cidadãos protegerem também a sua polícia, convidando tudo e todos a um olhar diferente sobre as forças de segurança. “Afinal, eles não são tão maus quanto se pensa”, afirma Lília Caires, uma das estudantes do 12.º ano do curso de apoio psicossocial.
É a Feira do Livro com o seu teatro de rua, a literatura dramática a saltar para o quotidiano dos cidadãos e aprenda quem estiver atento.

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A estudante Lília Caires no teatro de rua da Feira do Livro.

Um caldo de Fé
Mais adiante, quando os livreiros arrumam os livros num interlúdio para mais uma semana de Feira, um dado novo: um stand com “literatura” organizada, gratuita, com quatro colaboradores vestidos a rigor e a dar as boas vindas a quem passa. O FN aproxima-se e questiona. Pela primeira vez as Testemunhas de Jeová participam na Feira do Livro conforme nos relata um dos dinamizadores. Tudo é gratuito. A Fé explicada na rua ao cidadão, consoante os diferentes credos e motivações.
Do outro lado da rua, do lado do Palácio de São Lourenço, um amplo stand da FNAC está a ser montado, preparando-se para a habitual grande adesão do público neste fim de semana.
livbro 7Na Livraria Juliber, o rosto familiar de Gabriela – ela que começou a vender livros na histórica Livraria Esperança – prepara-se para acolher a freguesia. O movimento escasseia em dia de trabalho, apesar do aroma a fim de semana. Qual o principal obstáculo dos livreiros nesta Feira? Gabriel sorri, por entre um monte de livros nas mãos, e dispara: “Só mesmo o poder de compra”.

livro 8E ainda “Casados de Fresco”

No fim da tarde, a organizadora, Câmara Municipal do Funchal, prepara-se para declarar oficialmente aberta a 42ª Feira do Livro com o objetivo de tornar o Funchal a “Cidade do Livro”. O presidente Paulo Cafôfo promete que estão reunidas as condições para ser a melhor Feira de sempre. É sempre a crescer, dirá o autarca.

livrogeralNeste dia inaugural, é aguardado com expetativa o espetáculo musical “Casados de Fresco”, de João Gil e Ana Mesquita, agendado para o Teatro Municipal Baltazar Dias, pelas 21h30.

Entretanto, os “Camachofones” tocam e encantam, atraindo o público, até mesmo os agentes da autoridade que normalmente estão de serviço junto ao Banco de Portugal.