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O glifosato, é o componente activo do Roundup, o herbicida mais usado no mundo em explorações agrícolas e nos meios urbanos. A sua utilização duplicou nos últimos 20 anos, o que é preocupante.
O Roundup produto não selectivo, acessível a quem pretenda eliminar as ervas daninhas do seu jardim ou de uma pequena parcela agrícola, está debaixo de enorme controvérsia, pois a Agência Internacional de Investigação em Cancro (IARC) da Organização Mundial de Saúde (OMS), em 2015, atribuiu ao glifosato o segundo grau mais grave de risco cancerígeno, classificando-o como provavelmente cancerígeno para os humanos (2A) numa escala de 1 (cancerígeno para os humanos) a 4 (provavelmente não cancerígeno para os humanos). Esta classificação surge com base em provas suficientes em modelos animais, mas com “provas limitadas” para os humanos. A IARC concluiu que o Roundup é um cancerígeno provável para os humanos e revelou a existência de estudos sobre a exposição humana ao glifosato, nomeadamente, em trabalhadores de explorações agrícolas nos Estados Unidos, no Canadá e na Suécia que revelaram uma maior propensão para o linfoma não-Hodgkin (grupo de cancro no sangue).
Posição contrária assume a Agência Europeia para a Segurança Alimentar (EFSA) que declara improvável que o glifosato se revele um risco para a saúde.
Numa pesquisa bibliográfica que fiz em jornais científicos com referee sobre os efeitos do glifosato, encontrei vários artigos com estudos que apontam para uma associação entre o glifosato e as doenças neoplásicas. Um outro estudo, norte-americano aponta para uma possível relação entre aquele composto e o autismo. Constatei que, são ainda escassos os resultados e que a dimensão das amostras não é, por vezes, estatisticamente significativa. De salientar que, neste tipo de investigação e de estudos, persiste sempre a dificuldade de provar o binómio causa/efeito.
A polémica da sua utilização ou não, regressou em força ao debate político europeu e nacional, pois a licença exigida para a sua utilização no espaço comunitário termina a 30 de Junho de 2016, pelo que, é necessário renová-la. A sua renovação e o período da licença tem gerado um debate político aceso entre as diversas forças partidárias no Parlamento Europeu.
A 13 de Abril, foi aprovado no Parlamento Europeu a renovação da licença de utilização por mais 7 anos, contrariamente aos 15 anos que a Comissão Europeia propunha, mas os deputados europeus, pretendem ir mais longe e que a sua utilização seja interditada nos espaços urbanos, nomeadamente, em parques e jardins públicos.
Na Assembleia da República este tema foi também discutido. Na Assembleia Legislativa da Madeira o tema será objecto de discussão através de uma iniciativa do PCP.
Países como a França e Espanha já proibiram a sua utilização.
Este tema requer serenidade, seriedade e isenção. Sabemos que é passível de pressões provenientes de lobbies ligados à indústria fitofarmacêutica, aos agricultores e também objecto de “bandeiras” partidárias.
Devemos aguardar a decisão científica do Comité de peritos dos 28 Estados-membro que reunirá nos dias 18 e 19 de Maio e que avaliará os diferentes pareceres científicos que sustentam a sua utilização ou não.
Foi tornado público que Portugal irá optar pela abstenção, mas não conheço a fundamentação desta decisão.
Depois de ser conhecida a posição do Comité e a fundamentação da mesma, passaremos a dispor de mais dados para consubstanciar a opinião sobre a utilização ou não do Roundup, ou até da sua utilização condicionada e se, estamos ou não, perante um problema de saúde pública. Até lá será prudente mantermo-nos atentos.
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