
Uma exposição relembra hoje a artista plástica e professora de artes visuais Domingas Pita, falecida prematuramente em 2013, e que deixou recordações duradouras em gerações de alunos, colegas de profissão e comunidade artística e cultural da Região.
A mostra será inaugurada hoje, integrada no Festival Aqui Acolá, na Ponta do Sol, que, entre o dia 5 e o dia 8 de Maio, apresenta sete diferentes tipos de arte em 9 palcos distintos.
A mostra ficará patente na sala da Biblioteca Municipal da Ponta do Sol, nas instalações locais do Conservatório/Escola das Artes, perto do Centro Cultural John Dos Passos, e remete para um ano lectivo em que, no exercício da sua actividade docente, Domingas Pita leccionou na Ponta do Sol, concelho onde nasceram os pais. Conforme refere a informação alusiva à mostra, foi uma oportunidade para explorar “um tempo outro para o diálogo com o dia e a noite; na ausência dos ruídos urbanos acolhe o tempo remanescente para a redescoberta entorno, para o desenho da observação, sob a surpreendente e poética lente da solidão – a nitidez do olhar como descoberta, construção e dimensão estética”.
Como professora, Domingas Pita iniciou actividade em 1982, passando por várias escolas e graus de ensino público e privado. Neste ramo, segundo um texto alusivo da também artista e colega docente Teresa Jardim, “colige memórias, expectativas, desafios e experiências pedagógicas gratificantes, que perpassam fortemente a sua prática artística”.
Domingas Pita foi professora da Escola Secundária de Francisco Franco a partir de 1996, após um período em que co-implementou o projecto de expressão plástica infantil “A Casa das Cores”, da Circul’Arte e SRE. Leccionou também Fotografia e Artes Plásticas no ISAD/UMa.
Teresa Jardim salienta a sua “obra notória, com uma identidade autoral inconfundível, visível desde muito cedo nos trabalhos que apresenta em exposições realizadas na Galeria do Instituto Superior de Artes Plásticas da Madeira, onde se formou em Artes Plásticas/Pintura e em Design de Projectação Gráfica”.
O percurso artistico de Domingas Pita registou mostras individuais, mas preferiu interagir com outros artistas em colectivas. Num desenho e pintura maioritariamente monocromáticos, a cor ou preto e branco, “é manifesta a representação da figura humana em diálogo performático e transcendente com elementos vegetais; trabalha a tinta acrílica (associada muitas vezes ao carvão ou grafite e alguma colagem) em telas aparelhadas com areia e outros materiais inertes propiciadores de texturas. Nestes suportes de apelo táctil, recorre por vezes à inclusão de palavras-legenda, visando abrir a pintura a outras leituras, libertando-a exponencialmente dos seus referentes iniciais”. Buscando uma “depuração e encontro com o sublime”, como refere Teresa Jardim, Domingas Pita apresentava-nos imagens “povoadas de anjos e flores, sensualidade e transcendência; o espiritual como chave para a abertura da matéria e que nos chama a um passeio pelo espaço e tempo das imagens (…)”.
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