Brasil: manifestantes tomam ruas das capitais com a divulgação da conversa Dilma e Lula

/LC/

A  revelação das gravações realizadas pela Polícia Federal brasileira com conversas do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva com a sua sucessora Dilma Rousseff, provocou o protesto de centenas de manifestantes na noite desta quarta em frente ao Palácio do Planalto, sede do governo federal, na avenida Paulista, em São Paulo, assim como em outras cidades brasileiras, como no Rio e em Belo Horizonte.

De acordo com a BBC Brasil, o juiz Sergio Moro, responsável pelas investigações da Lava Jato na 1ª instância, retirou o sigilo sobre os dados colhidos na 24ª etapa da operação, tornando públicos os áudios que, segundo os investigadores, sugerem que o líder petista foi nomeado ministro da Casa Civil para evitar ser alvo de ações da Justiça do Paraná.

Aos gritos de “Renuncia, renuncia”, manifestantes já protestavam em frente ao Planalto contra o anúncio da nomeação do presidente quando a imprensa passou a divulgar as conversas, intercetadas pela PF com autorização de Moro. Um grupo chegou a fazer uma queima de fogo de artifício no local, enquanto um carro de som chegou para reproduzir o áudio. Ativistas pró-impeachment, como Kim Kataguiri, do Movimento Brasil Livre, diziam ao microfone que “o governo já caiu. Impeachment é uma palavra de origem inglesa que significa “impedimento” ou “impugnação”, utilizada como um modelo de processo instaurado contra altas autoridades governamentais acusadas de infringir os seus deveres funcionais.

Mais tarde, o protesto deslocou-se do Planalto para à frente do Congresso.

As manifestações começaram a se dissipar no final da noite.

No telefonema entre Lula e Dilma, a atual presidente diz que lhe enviará o “termo de posse” e recomenda que o petista o utilize “em caso de necessidade”.

Em nota, o Palácio do Planalto afirma repudiar com veemência a divulgação da conversa e encara-a como uma “afronta dos direitos e garantias da Presidência da República.”

Ainda de acordo com a nota emitida pela assessoria de Dilma, o governo irá à Justiça contra Moro: “Todas as medidas judiciais e administrativas cabíveis serão adotadas para a reparação da flagrante violação da lei e da Constituição da República, cometida pelo juiz autor do vazamento”.

No plenário da Câmara, deputados da oposição gritaram “renuncia, Dilma” após a publicação do áudio de conversa entre Dilma Rousseff e Lula.

Por sua vez, o principal porta-voz da oposição, o senador Aécio Neves (PSDB-MG), afirmou que é preciso tirar Dilma Rousseff do cargo.

“É a falência definitiva de um governo que ultrapassou todos os limites éticos e morais para defender os seus aliados. A presidente Dilma não tem mais condições de governar o Brasil”, afirmou Aécio em nota, citado pela BBC Brasil.