Agora que Portugal já tem Presidente, depois do Presidente-Sombra que por lá arrastava as pantufas e a popularidade, consta que esteve agendada uma Festa de despedida a Cavaco Silva, movimento que mobilizou a população de Viana do Castelo. O dito movimento espontâneo foi criado nas redes sociais e mobilizou a população para uma festa de despedida ao Presidente da República cessante (nessa bendita) quarta-feira, às 21h30, em pleno centro da cidade.
O autor da página “Festa de despedida do casal Silva”, Jorge Teixeira, a quem enviamos desde já abraços e parabéns pela brilhante iniciativa, sublinhou que o evento era “aberto a todas as pessoas, independentemente do seu quadrante político, que quisessem “festejar a saída de Cavaco Silva da cena política portuguesa”. Segundo este grande patriota, o propósito era o de “fazer juntos, uma grande festa, uma grande manifestação cultural e de cidadania num espaço nobre da cidade para celebrarmos esse acontecimento libertador”.
Fonte da Câmara Municipal de Viana do Castelo adiantou que o pedido de licenciamento da celebração foi prontamente deferido e marcado para as 21h30, na Praça da República, ex-líbris da cidade. “Vermo-nos livres de um homem que tanto influenciou negativamente os destinos de um povo e de um país é motivo de sobra para festejarmos”, podia ler-se na publicação, na página criada na rede social Facebook, em janeiro passado, antes das eleições presidenciais, que convidou para o evento mais de 4.169 pessoas. Jorge Teixeira acrescentou que se tratava “de um evento espontâneo”, a “decorrer de forma improvisada”, sendo bem-vindos todos quantos quisessem comemorar o desaparecimento de Cavaco Silva das nossas vidas”. O objetivo era o de “comemorar a saída de cena de Cavaco Silva, exatamente com tudo aquilo por que ele sempre mostrou ter um enorme desprezo: as pessoas, a cultura e a festa de rua”. Mas ainda mais brilhantemente pensada foi a realização ritual de uma queimada galega, com a adaptação do tradicional esconjuro a Cavaco Silva, uma das iniciativas confirmadas. O “arraial” incluia ainda a declamação de excertos do manifesto anti-Cavaco Silva de Mário Viegas, por um ator local, momentos de música, canto e projeção de imagens “icónicas” de Cavaco, entre outras formas de expressão artística.
Infelizmente, por razões de natureza profissional, vi-me impedido de participar nos merecidos festejos, lacuna que muito lamento. Na verdade, não é todos os dias que se tem a oportunidade única e irrepetível de finalmente poder celebrar o fim do chefe da claque radical (dado o seu facciosismo omnipresente) que governou nos últimos quatro anos e meio.
A avaliar pelos seus índices de popularidade enquanto presidente, pergunta-se: Quem poderá dizer que foi o “presidente de todos os portugueses”, sem correr o risco de ver posta em causa a sua sanidade mental?
Contudo, não é razão de menor lamento o facto de Cavaco continuar a beneficiar de todas as mordomias que o Estado destina aos ex-presidentes da república, talvez para compensar o seu insignificante lucrozito de 147 mil euros com ações da holding do BPN. Recorde-se que Cavaco, como reformado enrascado confesso, queixou-se de que «Tudo somado, o que irei receber do fundo de pensões do Banco de Portugal e da CGA, quase de certeza que não dá para pagar as minhas despesas», o que deixou todos os reformados e pensionistas, a receber reformas e pensões de miséria, visivelmente encantados com as suas comoventes “lágrimas de crocodilo” e desejosos de poder dar-lhe um forte abraço de solidariedade…
Acertada, porém, foi a escolha da localização do seu chamado “gabinete de trabalho”. Nada mais apropriado que um convento para um presidente que tanto gosta de refletir, sobretudo a 5 de Outubro.
Cavaco tem mesmo tudo para seguir a vida religiosa, começando pela sua conhecidíssima propensão para o retiro e, lá está, nada como o silêncio dos claustros.
Além disso, espaço museológico mais apropriado não haverá para a sua coleção de presépios, já para não falar do guloso privilégio de poder degustar milenares receitas conventuais do seu amado bolo-rei.
Certo, certo é que Cavaco saiu tão “sólido” como dizia estar o BES, como gelo em água quente, mas com menor dignidade do que aquela que dizia desejar a Mário Soares.
Prevê-se que a sua próxima viagem seja a Cabo Verde para visitar um dos cinco ou dez amigos de outros tempos que lhe devem saudades e a gratidão de ter subido na escadaria da fortuna. O exemplar Dias Loureiro (que entrou na política com uma mala de cartão), ídolo de Passos Coelho, estará com certeza de braços abertos no seu Resort multimilionário para matar saudades de amigalhaços e fazer as vezes de Conselheiro de Estado no seu livrinho de memórias vagais.
Descubra mais sobre Funchal Notícias
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.





