José Prada chama Ministério Público: “Eu também fui vítima do “roubo” do Banif”

PRADASS
José Prada quer ver apuradas as “responsabilidades jurídicas”.

O Banif continua a fazer “sangue”  e lágrimas nas famílias madeirenses, emigrantes e empresas. Nada está resolvido e nada foi feito para socorrer as inúmeras vítimas que sofrem na mais absurda solidão. Conhecido desta praça, José Prada, advogado e deputado, assume nesta entrevista ao FN:” Eu também fui vítima do “roubo” do Banif”.

Foi o FN que foi ao seu encontro para a entrevista sobre este “caso” e, foi no contexto destas declarações, que corajosamente fez questão de deixar previamente uma “declaração de interesses”: ” Eu também fui vítima do “roubo” do Banif”.

Como ele, muitas figuras públicas desta terra e não só choram em silêncio as elevadas poupanças perdidas. Muitas têm a natural vergonha de denunciar o dinheiro absurdamente perdido e vivem momentos de grande amargura. O Banif morreu e chama-se agora Santander. Mas o drama, associado ao terror da perda e da inércia das autoridades, persiste e promete dar brado porque os lesados não se calarão.

José Prada fala claramente num “assalto” ao Banco da Madeira. “Os representantes do Estado “ofereceram” um banco num domingo, à socapa, e prejudicaram muitas famílias”. Mas ninguém pense que a venda ao Santander resolve tudo. “Com este “roubo”, avisa José Prada, “vamos ter a maior crise de sempre”. Não espera pelos políticos ou sequer pelas comissões de inquérito para resolver seja o que for. José Prada reclama mesmo pela investigação urgente do Ministério público para apurar “responsabilidades jurídicas”.

Funchal Notícias – O que falhou verdadeiramente neste caso: o banco, o regulador ou o poder político?

José Prada – Neste verdadeiro «caso de polícia» falharam o Banco de Portugal (BP) e os poderes políticos e de supervisão.

Se existem verdadeiros falhados podemos dizer que são os Governantes e o Governador do BP.

A medida de resolução aplicada ao Banif equivale a um verdadeiro assalto a um banco.

Esta medida, tomada, pela calada, num domingo à noite, prejudica de forma grotesca todos os investidores do BANIF, porque ofende o princípio de que os acionistas e os demais credores não podem receber menos que receberiam num quadro de liquidação. Aqui, como está desenhada a medida de resolução, nada receberão. Uma vergonha!

Estaremos claramente perante mais um falhanço do Banco de Portugal.

O Governador do Banco de Portugal e os demais administradores têm cometido ao longo do seu mandato falhas gravíssimas. E, pelos vistos, os Governantes não se importam. É insustentável a sua continuidade porque, em menos de dois anos, em razão de um exercício desastroso da supervisão bancária, causaram a Portugal prejuízos de dezenas de milhões de euros. Vão ser eternamente conhecidos por terem fechado Bancos. Já perdi a conta de quantos já fecharam.

No caso Banif, o investimento de 2013 foi anunciado pelo próprio Governador como um investimento altamente lucrativo para o Estado. Parece que é, agora, para os outros, um belíssimo investimento…

Por outro lado, o Estado era o maior acionista do Banif e nomeou administradores da sua confiança para «controlar» o mesmo.

Mas o que até agora se conhece do “caso BANIF” indicia prejuízos efetivos para o Estado na ordem dos 4.100 milhões de euros e prejuízos de valor indeterminado para os particulares. Então controlaram o quê? O Estado nada fez para defender o seu investimento (digo, dos contribuintes!), muito menos o dos seus clientes.

A única coisa que os representantes do Estado fizeram foi «oferecer» um Banco num Domingo, à socapa, e assim prejudicar milhares de famílias que lá tinham as suas poupanças de uma vida. Verdadeira vergonha o que fizeram. Não pensaram naqueles que trabalharam arduamente (também muitos domingos, de sol a sol) para poupar umas economias e que, de um momento para o outro, ficaram sem nada.

prada principalFN – O que falta objetivamente fazer neste momento?

JP – Mas foi feito alguma coisa? Falta fazer tudo ainda.

Primeiro, há muito que se justifica que o Ministério Público tome uma iniciativa de investigação dos indícios de práticas criminosas, que a própria realidade denuncia. Falamos de notícias duma televisão uns dias antes, falamos dos valores irrisórios das operações envolvidas, dos dinheiros que o Banif tinha de ter e dizem que não tem, etc etc etc…

Penso que ninguém estará à espera de que os acionistas e obrigacionistas do BANIF, a quem roubaram, repito e sublinho, roubaram, fiquem de braços cruzados e não queiram saber o que se passou.

Tal como aconteceu no caso BES, a comissão de inquérito não conduzirá a qualquer conclusão útil, porque, quanto a mim não é importante as questões de apuramento de responsabilidade políticas mas sim as jurídicas.

Essencialmente, o que falta fazer e mais importante é «devolver» o dinheiro aos clientes do Banif. Estes sim os verdadeiros prejudicados.

FN – Comenta-se que a tragédia do Banif pode ser também a tragédia das pequenas e médias empresas da Madeira que se “encostavam” sempre a esta instituição de crédito. Concorda?

É uma tragédia para a Madeira e para os madeirenses. A Madeira perdeu o «seu» Banco, a Madeira perdeu uma das suas grandes referências.

Os madeirenses perdem o Banco que sempre os ajudou nos momentos que precisaram. Perder um Banco que sempre ajudou o povo madeirense é uma vergonha para todos nós.

Se não for resolvida brevemente a questão das poupanças de milhares de madeirenses, a Madeira vai entrar mais uma vez numa grave crise económica.

Se alguém pensou que já tínhamos passado por tudo, estão errados. Acho que, com este «roubo», iremos ter infelizmente a maior crise de sempre.

Vai escassear ainda mais o dinheiro para «circular» pelos comerciantes e estes vão ter que fechar as suas portas. Muitas famílias vão passar por gigantescas dificuldades.

Tenho muita pena que nem todos falem com as pessoas, não contactem com a realidade, não se importem em saber o que se passa e vão dizendo (ou será, assobiando para o lado?) que está tudo bem e que foi o melhor para os madeirenses.