Na sequência da divulgação da posição assumida pelo Padre José Luís Rodrigues pelo que considera ser a idolatria em torno da imagem peregrina de Nossa Senhora de Fátima, falando mesmo de “bebedeira religiosa”, o Gabinete de Informação da Diocese do Funchal remeteu ao FN uma nota de esclarecimento, assinada pelo Padre Marcos Gonçalves, que ora se reproduz:
“Escrevo motivado a corrigir alguns erros. É uma obra de misericórdia. Há quem queira mudar a seu ritmo a multidão de fiéis que acolhe com alegria Nossa Senhora, na sua imagem. Têm graça as motivações que alegam. Centram as argumentações na Bíblia, no Credo e na devoção ao Santíssimo Sacramento. Como se Jesus Sacramentado pudesse ficar ciumento de ver a atenção voltada para a Sua Mãe. O Povo simples sabe muito bem que Deus é Deus e sabem muito bem o papel de Nossa Senhora.
A imagem peregrina de Nossa Senhora de Fátima está a percorrer a nossa Diocese do Funchal. A visita desta imagem de Nossa Senhora é um gesto e uma iniciativa do Santuário de Fátima para preparar e celebrar os 100 anos das aparições de Nossa Senhora em Fátima. As dioceses de Portugal aceitaram a proposta e todas manifestaram a vontade de receber a imagem. É uma grande oportunidade para pôr toda a Igreja em dinâmica, em movimento de saída e de conversão. Uma oportunidade para, com Maria, caminhar para Cristo. Com a imagem segue a mensagem de Fátima. Uma mensagem carregada de coisas boas para as pessoas. Carregada de paz, de convite à oração, de conversão, de entrar num movimento comunitário de salvação. Tudo em Maria leva a Cristo e aproxima-nos uns dos outros com novas atitudes.
Algumas pessoas têm dito que nós adoramos imagens. Por mais que se tente explicar nunca iremos conseguir. Quem não acredita nunca encontrará palavras suficientes para acreditar. Quem acredita, nem de palavras necessita. Se dizemos que é uma imagem é porque é uma imagem da realidade e não a própria realidade. Não adoramos Nossa Senhora. Veneramos Maria na Sua imagem. Também veneramos os nossos santos padroeiros e os colocamos em andores cheios de flores e fazemos procissões. Interessante a pedagogia de Deus e da Igreja. Usamos a linguagem dos sentidos para comunicar. Deus usa os nossos sentidos para falar connosco. Já repararam que todos os sacramentos são sinais sensíveis, formados por palavras e gestos e matéria para ver e sentir? Usamos água no batismo, pão e vinho na missa, óleos em vários sacramentos. É seguir a mesma lógica de Deus. Jesus fez-se carne e habitou no meio de nós. É esta a grande novidade do cristianismo, a Encarnação do Verbo. A Igreja na sua história sempre utilizou esta lógica de Deus e nas suas belas obras de arte transporta uma grande catequese e uma mensagem.
Pelo menos já valeu a pena a visita da imagem de Nossa Senhora. Graças a ela, alguns, mesmo criticando já começaram a dar mais valor ao Credo e até rezam diante do Santíssimo Sacramento. E ainda dizem que Nossa Senhora não faz milagres?!
Há, efetivamente, muita alegria e entusiasmo nesta visita da imagem peregrina. Eu tenho visto rostos com lágrimas de alegria e emoção. Tenho visto pessoas a rezar mais. Tenho visto pessoas a mudar de vida e a levar para casa bons sentimentos e propósitos de mudança. Tenho visto pessoas a confessar-se e a dizer que há mais de vinte anos que não se confessavam. Tenho visto pessoas indiferentes a olhar a vida e a Igreja e o próprio Deus com outros olhos. Tenho visto doentes carregados de sofrimento a encher o seu coração de aceitação e de serenidade e a colocar-se nas mãos de Deus. Tenho visto mães a rezar pelos seus filhos. A pedir muitas coisas. E qual é o mal de pedir? Nossa Senhora também disse a Jesus: “Não têm vinho” e o milagre aconteceu. Maria leva os nossos pedidos a Jesus e depois ir-nos-á também dizer: “Fazei tudo o que ele vos disser”. A imagem passa e as pessoas sentem paz. A imagem passa e as pessoas sentem-se mais fortes para regressar à sua vida e à sua realidade. Tenho visto pessoas a chorar pelos seus pecados e pelas coisas más que fizeram e ao mesmo tempo sentir uma vontade de levantar-se e pedir perdão e sentir uma nova vida, dada pela misericórdia de Deus.
Tenho visto padres a confessar. Tenho visto grupos a movimentar-se para garantir as portas das igrejas abertas. Tenho visto momentos de adoração ao Santíssimo Sacramento e momentos de oração e celebração. Tenho visto uma Igreja missionária e em saída. Tenho visto uma Igreja alegre e cheia de iniciativas.
Tudo isto pode acontecer diante de uma imagem de Nossa Senhora, ou diante do Santíssimo Sacramento, num tempo de adoração ou em casa a rezar o terço ou na missa. Pode acontecer também na passagem da imagem peregrina.
Há alegria, é verdade. Qual o mal? Preferem a tristeza e caras azedas e carrancudas? No dia 6 de março a imagem peregrina irá regressar a Fátima e nós com a serenidade do seu olhar iremos continuar a ser Igreja em missão. Que nunca nos esqueçamos do seu rosto de paz e de graça que inundou a nossa vida da presença de Deus”.
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