Gripe não bate certo: profissionais alertam para aumento de casos, IASaúde fala em desaceleração

A Madeira apresenta até momento um nível baixo de atividade gripal, não havendo registo de nenhum internamento por vírus Influenza nas últimas duas semanas, nem nenhum óbito relacionado com a infeção. O balanço é do IASaúde. Quem trabalha com os doentes nota o contrário.

 

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(Foto netmadeira)

Continuam a acorrer aos serviços de saúde da Região doentes com sintomas gripais. A situação, segundo o IASaúde, é normal para a época de inverno e inclusive está em desaceleração. No entanto, não é essa a perceção de quem se encontra a trabalhar no terreno. Há técnicos de saúde que suspeitam de uma nova estirpe de vírus da gripe dado o recrudescimento do surto ao longo desta última semana.

Segundo o FN apurou junto de profissionais da saúde, tem sido notório o aumento de casos nos últimos dias, quando a infeção já havia, em meados de janeiro, dado mostras de estar a abrandar. Falam mesmo num crescimento inusitado, em termos de afluência de pessoas com as mesmas queixas gripais às urgências do hospital e das clínicas privadas, o que leva a suspeitar de uma nova estirpe de vírus da gripe.

Ao FN, o IASaúde desdramatizou a situação, sublinhando que até ao momento não terá sido reportada nenhuma indicação no sentido do agravamento do quadro gripal.

Tomando como base o último relatório semanal, a vice-presidente daquele organismo oficial reitera que os dados apontam no sentido inverso: 39 casos por cada cem mil habitantes, quando em 2014-15 e em 2013-14 os números foram de 148 e 80, respetivamente. “Ao contrário do previsto e do que aconteceu nas duas últimas épocas gripais, em que tivemos picos de surto entre as semanas 53 e 4, este ano os dados apontam para uma desaceleração na segunda semana de janeiro”, afirma Ana Clara Silva, ressalvando contudo que é sempre possível a situação vir a alterar-se.

De qualquer forma, a responsável garante que a Região tem vindo a acompanhar a tendência nacional e europeia em termos de atividade gripal. “Esta época de 2015-2016 tem sido caraterizada por uma tendência baixa e estável no número de casos”, sintetiza.

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Também os internamentos resultantes do vírus influenza registam uma prevalência baixa e têm sido de evolução positiva. As últimas duas semanas não apresentaram nenhum caso e até à data não há óbitos diretamente relacionados com a infeção.

A região tem acionado o plano de contingência da gripe que passa também pelo reforço vinte de camas no serviço de Medicina Interna para casos associados a complicações da gripe.

Ana Clara Silva recorda que a situação regional é monitorizada semanalmente em parceria com o Instituto Nacional Ricardo Jorge, no âmbito da rede de vigilância nacional implementada para o efeito. Um programa que envolve médicos de medicina familiar, designados por médicos sentinela, unidades de cuidados intensivos e laboratório de análises do SESARAM, o que permite acompanhar de perto a evolução.

Quanto à suspeita de uma nova estirpe, o IAsaúde explica que se trata de uma ocorrência normal e para a qual as autoridades estão preparadas, já que todos os anos se registam mutações nos vírus da gripe. Daí os estudos serológicos e estatísticos que são efetuados anualmente no sentido de monitorizar a doença.

Virose suspeita

Às urgências também têm chegado muitos madeirenses e estrangeiros apresentando um quadro de vómitos e diarreia. Segundo os profissionais, os sintomas estarão associados a uma virose com caraterísticas distintas, mais resistente e capaz de perdurar por vários dias. Esta sintomatologia ocorre desde outubro último e tem afetado famílias inteiras.

Diz quem conhece o que se passa nas urgências que as autoridades de saúde da Região não estarão interessadas em divulgar os números, pois a serem conhecidos teria de ser declarada calamidade pública.

Da parte do IASaúde, estas suspeitas são rejeitadas e infundadas. É muito provável que os sintomas gastrointestinais sejam igualmente causados por vírus da gripe, sobretudo nas crianças. “Ao nosso conhecimento não chegaram indicações que justificassem investigação específica sobre essa matéria”, garante a vice-presidente.

Recorde-se que, no início do ano, o serviço de urgência do Hospital dr. Nélio Mendonça registava uma média de 500 atendimentos diários a utentes com sintomas gripais, crianças e adultos, situação que embora revelasse um acréscimo não configurava para já contornos epidémicos. Neste momento, porém, a direção daquela estrutura escusa-se a fazer o balanço remetendo o assunto para o gabinete de comunicação da SRS.

vacina gripe

Idosos no topo da vacinação

Relativamente ao programa de vacinação, até esta sexta-feira, já tinham sido administradas gratuitamente 29.449 doses, o que representa a quase totalidade das vacinas adquiridas pelo serviço regional de Saúde.

Do total das doses utilizadas, a grande fatia (72%) foi administrada a pessoas com 60 e mais anos, uma prioridade das autoridades que este ano regista uma taxa de cobertura de quase metade deste grupo etário, superior à do ano transato.

Para além dos idosos, utentes com diagnóstico de doença do foro respiratório (assistidos nos centros de saúde) estão igualmente no topo da lista da vacinação da gripe, tendo os serviços registado até agora uma taxa de cobertura de 57% destes casos.

Do total de profissional, foram este ano vacinados, na rede de centros de saúde, 42 por cento do total de enfermeiros.


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