
* Com RUI MAROTE
Desde que entrou em funcionamento, em dezembro último, o Cais Norte recebeu três navios de cruzeiro: o Aida Blu, no último dia do ano, e o Balmoral, pela segunda vez, no passado fim de semana, vindo de Southampton e com destino à Cidade da Praia.
Refira-se que os barcos Aida preferem o cais sul, ou o tradicional molhe da Pontinha, por motivos de estabilidade.
Ao Funchal de Notícias não passou, porém despercebido o desembarque dos passageiros quase diretamente no “calçadão” da Praça do Mar. Um processo que faz torcer o nariz e suscita dúvidas quando ao planeamento que é feito quanto se intervém numa zona de grande concentração de pessoas. Concretamente, voltamos a insistir na precariedade das condições à saída do Porto, nada apelativas e sobretudo desconfortáveis para quem tem mobilidade reduzida.
A significativa inclinação da rampa que liga o cais ao passeio é um verdadeiro desafio aos mais idosos. A estrutura destinada ao elevador já está concluída, mas a instalação do aparelho tem vindo a ser adiada nos últimos anos, o mesmo acontecendo com os sanitários. Uma infraestrutura portuária sem instalações sanitárias não contribui para a imagem de qualidade de uma cidade à beira mar plantada e que vem apregoando o turismo de cruzeiro como como uma das sua mais valias.

Durante a manhã do último sábado, o repórter do FN testemunhou como as proteções existentes ao longo da rampa acabam por servir de corrimão de apoio aos passageiros mais debilitados. Uma solução de recurso nada segura e elucidativa de como os detalhes são tão importantes como o todo. Perante o cenário, alertamos a APRAM, a entidade que tutela os portos na Região, para a evidência de que o barato poderá um dia vir a sair caro. Será a construção de um passeio em condições assim tão dispendiosa?
Por questões paisagísticas e sobretudo de segurança dos passageiros, o acesso ao Cais Norte merece uma intervenção rápida. Há que receber bem e de acordo com os parâmetros de qualidade que seriam exigidos a qualquer cidadão ou entidade privada, porque em causa está também a dignidade e a imagem da administração pública regional.

Esta situação não dignifica o nosso cartão de visitas que é a entrada da cidade pelo Porto, como se já não bastassem as vistas deprimentes, só comparáveis a uma zona de guerra, que ainda existem a poente, junto à Lota do Funchal e as quais foram já denunciadas pelo FN.
Já no “calçadão”, os proprietários de cafés e restaurantes enfrentam todas as manhãs o triste acordar do passeio, transformado em urinol. Este sábado, procediam à lavagem do espaço, infelizmente na altura em que os nossos visitantes, acabados de chegar no Balmoral, davam os primeiros passos na “Pérola do Atlântico”.
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