Saúde na Região criticada, elementos da direcção clínica do Hospital puseram lugar à disposição

Fotos Rui Marote

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O secretário regional da Saúde, João Faria Nunes, enfrentou hoje na Assembleia Legislativa da Madeira um coro de críticas fundadas na dura realidade das deficiências dos serviços de saúde na Região. De modo geral, a oposição reconheceu as boas intenções a Faria Nunes, que trouxe ao parlamento a proposta do Governo de um diploma que visa criar uma nova orgânica e dinâmica nos cuidados primários de saúde, mas bombardeou-o com as circunstâncias actuais de falta de meios e de insatisfação dos utentes com o serviço regional de saúde.
Gil Canha, deputado independente, foi cáustico ao criticar a difícil situação social dos idosos, face às opções de apoiar toda uma série de matéria menos importantes que as questões sociais, como os subsídios ao futebol profissional e aos partidos políticos.
Na óptica do deputado, há outros recursos que se podiam desviar de assuntos acessórios para apoiar a saúde. E esta mesma tónica da falta de dinheiro para o sector marcou as intervenções de deputados de outros partidos, como Mário Pereira (CDS).

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Este foi bastante incisivo, ao denunciar carências sistemáticas, como nas vacinas e em medicamentos, carências essas que condicionaram mesmo o funcionamento do Bloco Operatório bem recentemente, quando este esteve fechado nos dias 16 e 17 do corrente, apesar das operações marcadas, por ruptura de stocks dos componentes de aspiração.
Mário Pereira denunciou, por outro lado, a grande insatisfação e instabilidade que se vive na classe médica, e deu o exemplo de dois integrantes da direcção clínica do Hospital Dr. Nélio Mendonça, que, garantiu, puseram recentemente o seu lugar à disposição.
“Falta material nos hospitais, o que impossibilita a realização de cirurgias”, apontou. “As mesmas vão-se acumulando em grandes listas de espera. Um hospital não pode funcionar assim”, criticou.
O deputado centrista constatou ainda que se acentua bastante a tendência para um desfasamento entre a esperança média de vida dos madeirenses e dos restantes portugueses: a dos madeirenses é crescentemente inferior.

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Também outros deputados de partidos da oposição como o PCP e o JPP consideraram que faltam no hospital muitos recursos materiais, e também nos centros de saúde, e consideraram o diploma que o Governo propõe pouco claro no modo como pretende dar mais médicos de família às pessoas.
Jaime Leandro, do PS, insistiu na maneira como muitos doentes ficam no hospital durante horas, praticamente abandonados em macas nos corredores, como falta material operatório, medicamentos, que acabam por ter que ser comprados pelos familiares dos hospitalizados.
Gil Canha insistiu que só não há mais dinheiro para o sector da Saúde, porque “há muitas fugas, muitos vícios para onde foge o dinheiro” em vez de ser empregue na urgente área social.
Também Roberto Almada (BE) acusou Faria Nunes de não ser secretário da Saúde, mas “da exclusão da Saúde”, porque, garantiu, metade dos cidadãos das zonas urbanas da Madeira não têm médico de família, e não se vislumbra como possam vir a tê-lo. Os profissionais de Saúde da RAM são bons, disse, mas o problema reside no investimento orçamental no sector, que não é suficiente.
Vânia Jesus, do PSD, considerou que o PSD e o Governo partilham as preocupações da oposição, mas alertou que este diploma visa estabelecer um quadro normativo que permitirá melhorar os cuidados de saúde primários, e que este modelo de agrupamento dos centros de saúde cria um conjunto de instrumentos para que haja uma melhor qualidade dos cuidados prestados pelas várias unidades funcionais.
Também asseverou, contra as críticas oposicionistas, que houve verbas do desporto que foram desviadas para coisas mais prementes, como apoios sociais, e que o mandato do actual governo é para quatro anos, e que não se pode esperar resolver tudo em meses.
Por seu turno, o secretário regional, Faria Nunes, pediu para que não o julguem já, mas lhe dêem algum tempo para cumprir as metas a que se propôs.

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