Maria Midas (texto)
O papa Francisco é o vencedor do prémio internacional «Carlos Magno» pela paz de 2016. A distinção foi anunciada ontem e reconhece os seus esforços em favor das populações atingidas pela guerra, pelas injustiças sociais e económicas. Outros líderes mundiais, como o ex-presidente norte-americano Bill Clinton, a chanceler alemã, Angela Merkel, e o papa João Paulo II também já mereceram este reconhecimento.
Este Prémio internacional é concedido anualmente pelas autoridades da cidade de Aachen a pessoas que se destacam pela contribuição para a união da Europa.
Neste contexto, o júri do prémio elogia a figura de Francisco como uma “voz da consciência” para a Europa e com uma mensagem de “esperança e encorajamento”. Eleito em março de 2013, Francisco tem-se destacado no seu percurso pastoral pela defesa das grandes causas, a favor de todo
o mundo, como por exemplo o inédito encontro de oração que promoveu entre os presidentes de Israel e da Palestina, em junho de 2014, marcado por um lema: «Nunca mais a guerra»; “Para fazer a paz é preciso coragem, muita mais do que para fazer a guerra. É preciso coragem para dizer sim ao encontro e não ao confronto; sim ao diálogo e não à violência; sim às negociações e não às hostilidades; sim ao respeito dos pactos e não às provocações”, alertou o papa na altura.
Em setembro de 2013, também Francisco assumiu a iniciativa de escrever ao presidente russo, Vladimir Putin, antes de uma cimeira do G20 em que se previa o envio de tropas para o conflito na Síria, algo que veio a não acontecer.
“A todos eles [líderes do G20], e a cada um deles, dirijo um sentido apelo para que ajudem a encontrar caminhos para superar as diversas contraposições e abandonem qualquer vã pretensão de uma solução militar”, escreveu.
Por outro lado, a primeira viagem do seu pontificado teve como destino a ilha italiana de Lampedusa, onde deixou um apelo contra a ‘globalização da indiferença’, lembrando as vítimas mortais, centenas
de refugiados sepultados no Mediterrâneo.
Vários foram ainda os seus apelos em defesa dos refugiados, pela paz na Ucrânia e os alertas para a situação dos cristãos no Médio Oriente, e para travar o terrorismo do “Estado Islâmico”.
O pontificado de Francisco, nestes últimos dois anos, tem-se traduzido por importantes mensagens, por exemplo, condenando a ação da Mafia na Itália, o tráfico de seres humanos, a fome, os crimes da pedofilia, a “tragédia da exploração do trabalho” e das “guerras” económico-financeiras, que lançam na pobreza “milhões de homens e mulheres”.
O pensamento de Francisco sobre todos estes temas salienta-se ainda nas suas mensagens para o Dia Mundial da Paz, que a Igreja celebra anualmente a 1 de janeiro. Assim, para o 49.º Dia Mundial da Paz (1 de janeiro de 2016), que tem como tema «Vence a indiferença e conquista a
paz», Francisco critica as consequências do esquecimento de Deus nas relações entre os seres humanos e na natureza; e deixa um “triplo apelo” aos responsáveis políticos: que não arrastem “outros povos para conflitos ou guerras”; a “eliminação ou gestão sustentável da dívida”;
a “adoção de políticas de cooperação que, em vez de submeter à ditadura dalgumas ideologias, sejam respeitadoras dos valores das populações locais”
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