Trabalhadores e pequenos empresários serão prejudicados com a venda do Banif ao Santander

BANIF 1 A venda do banco Banif ao Santander “é uma história que acaba mal”, segundo opina ao Funchal Notícias David Caldeira. Na ótica deste empresário, o médio e pequeno comércio do Funchal, que habitualmente tinha como interlocutor um rosto conhecido na gerência das agências do banco que agora “morre”, deixa de o ter para passar a dialogar com uma instituição bancária internacional, impessoal e com uma gestão pragmática e objetiva.

David Caldeira faz questão de lembrar que o Banif nasceu da centenária Caixa Económica do Funchal, com um longo historial de apoio aos madeirenses residentes e emigrantes, sobretudo na Venezuela. Aliás, recorda o também administrador do grupo hoteleiro Porto Bay, “o jardinismo não teria sido possível sem o Banif”, dado o longo historial de empréstimos aos grandes investimentos que marcaram o consulado jardinista. A queda desta estrutura vai contribuir necessariamente para que “as pessoas se sintam desprotegidas”, por mais declarações politicamente corretas que sejam feitas pelo Santander.

O Banco Santander é o quarto maior do mundo e só atinge esse estatuto com uma gestão rígida e impessoal. Na Madeira, como nos demais pontos onde está implantado, a situação não será diferente. Por isso, o gestor David Caldeira antevê mais dificuldades para o pequeno, médio empresário e até mesmo para alguns emigrantes que tinham com o banco da Rua João Tavira uma relação facilitada, quase familiar.

Desemprego à vista

Outro aspeto que é referido por David Caldeira é a perigosa concentração da banca. O Banif estava implantado no País, mas com grande carteira de clientes na Madeira e nos seus emigrantes, nomeadamente na Venezuela. O Santander também já está implantado no País e igualmente na Madeira. As questões que ficam em aberto e que não deixam de suscitar inquietação não abonam a favor dos trabalhadores: “Como vai o Santander manter as várias agências do Banif ou será que vai duplicar estruturas? Não me parece! Vai ter de fechar algumas agências e racionalizar recursos. Portanto, há uma perda. É que, o que tem sido anunciado é que os depositantes passam automaticamente a ser clientes do Santander mas não se diz que os empregados passarão a ser automaticamente do Santander. Parece-me difícil que o Santander, com balcões por todo o País, opte por duplicar estruturas já existentes”, alerta o nosso interlocutor, mesmo reconhecendo que ainda não foram divulgados muitos dados importantes deste negócio que são fundamentais para fazer uma avaliação mais precisa e global.


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