
As decorações natalícias na baixa da cidade do Funchal, engalanadas com as iluminações que, afinal, não desagradam nem madeirenses nem turistas, convidam ao típico passeio das famílias pelo centro, numa vivência já sui generis desta quadra. Que o digam os hoteleiros que, além de um ano excecional na faturação, veem os seus hotéis com uma ocupação a rondar os 80% e com perpsetivas seguras de overbooking no fim do ano.
A Avenida Arriaga é um “must” nestas decorações, sempre feitas com criatividade e bom gosto. O FN fez a ronda pela cidade noturna, neste sábado, e constatou no local que madeirenses e turistas não só aprovam estes arranjos etnográficos e de luz como enchem as placas centrais para o passeio e consumo na sucessão de barracas que oferecem ao cliente os produtos tradicionais madeirenses. Com um clima próprio do verão e uma animação de rua sempre permanente, tudo convida a desfrutar do programa de festas para a época elaborado pela Secretaria Regional da Economia, Turismo e Cultura.
A tradicional poncha é a mais solicitada nas barracas, além do bolo do caco com chouriço. As barracas, com licores e iguarias típicas da Madeira – até a Quinta Pedagógica dos Prazeres tem “casa” montada frente ao Infante para vender a produção local, por sinal de boa qualidade – é muito procurada por uma multidão que procura apreciar as decorações de copo na mão. Ele é licor de mirtilo, poncha de maracujá e outros “refrescos” da época, acompanhados do bolo de mel e das tradicionais broas.

As coqueluches do Turismo, vestidas quais árvores de Natal, de sorriso aberto, prestam-se às fotografias das famílias, ao mesmo tempo que, num dos bancos de betão, uma mulher negra, talvez sem razões para sorrir, e com um filho pequeno com olhos de sono e de fome, tenta vender os seus berloques, tão simples e tão necessários, perante tão requintado “banquete” natalícia que povoa a Avenida Arriaga.
O presépio real de Natal já não surpreende. Mas continua a revestir-se de encanto. João Egídio, o “designer” destes trabalhos, esmera-se de ano para ano e esta componente da decoração enche a vista e é onde as máquinas fotográficas mais disparam.

Nas Praças do Povo e do Mar, as iluminações de Natal têm nota positiva do público e, temos de concordar, os agouros de iluminações com bolas pretas que prenunciava a empresa Luzoesfera – que perdeu o concurso da SRETC – não correspondeu minimamente à realidade, a não ser que tivesse havido mudança de planos de última hora, sem divulgação. Quando todos vaticinavam que uma empresa com 4 funcionários, como a LuxStar, que ficou com a emoreitada das luzes, iria pôr em causa a viabilidade do grande cartaz turístico que são as iluminações, eis que a cidade brilha com cor e encanto e não tem desagradado quem a visita, muito pelo contrário.
As estrelas gigantes fluorescentes espalhadas pelas Praças do Povo e do Mar atraem madeirenses e turistas para a foto ou para um momento de pausa no passeio. Que dizer das árvores de Natal não menos gigantes da Praça do Povo e até na rotunda do Porto do Funchal, onde o bom gosto e a cor seduzem os forasteiros?

O FN verificou que nos principais pontos da cidade o trabalho de decoração nas placas, nas praças e até nas ruas tradicionais primam pelo bom gosto e quebram a má estreia de Paulo David no ano passado, que tanta crítica conquistou por ter desenhado uma iluminação branca. Este ano, mostrou que também sabe dar cor a uma Ilha, sem cair nos excessos de paletas anteriores.
No Largo do Município, é de salientar a beleza das iluminações dos edifícios, sóbria mas requintada, em particular o vetusto edifício da Câmara Municipal do Funchal. A Rua da Carreira é coberta por um céu de lâmpadas miudinhas, de luz intermitente, que tem brilho e encanto. No Largo do Phelps e Fernão de Ornelas, prevalece a cor e o bom gosto. O Bom Jesus é uma sinfonia de cores a partir dos troncos das centenárias árvores e as ribeiras não têm aranhas mas a simulação de vales de luz que tanto caracterizam o relevo insular.

A animação notura também não tem razões de queixa. Da zona turística à baixa do Funchal, os bares estão cheios de clientes e a restauração continua a faturar. Um dado positivo para todos.
Vale, pois, a pena o passeio pela cidade, a qualquer hora, mas à noite tudo tem mais encanto.
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