Paulo Farinha defende cais 9 com prolongamento da Pontinha

cais 9Paulo Melich Farinha acompanha de perto a dinâmica do Porto do Funchal, inclusivamente a eficácia ou não das estruturas construídas e outras por executar. Nos últimos tempos, a polémica em torno do cais 8 tem sido frequente, nomeadamente pelo facto de e espaço algumas grandes companhias de navios de cruzeiro não poderem atracar neste espaço, ficando a Madeira, como se costuma dizer, “a vere navios”, com os paquetes a irem embora.

Paulo Farinha faz uma abordagem ao Porto e às questões emergentes num artido que, pela sua atualidade, o FN publica.

É primordial a construção do Cais 9, prolongamento da Pontinha. O novo Cais 8 encontra.se exposto à ondulação direta, evidentemente que existindo ondulação direcionada ao novo Cais 8, com a passagem do ferry “Lobo Marinho” no enfiamento da extremidade Leste do Cais 8 navegando a cerca de 9,6 nós (17,7 Km/h), provocou acréscimo repentino de ondulação, o que provavelmente desencadeou o rebentamento de um cabo de amarração do navio de cruzeiros “Braemar” atracado no referido cais no dia 2 de Novembro.

Ninguém calculou que isso acontecesse.

A se repetir a situação, ou o navio de cruzeiros atraca depois da partida do “Lobo Marinho”, ou este ferry parte em navegação mais lenta de modo a não produzir acréscimo de ondulação em direção ao Cais 8.

paulo farinha
Paulo J. Melich Farinha.

Um fator que também condicionou a escala deste navio no Cais 8 foi o posicionamento da escada de portaló na proximidade dos cabos da amarração à popa com ameaças de rebentamento de cabos representando perigosidade para os passageiros e tripulantes do navio.

O navio de cruzeiros “Braemar” da Fred Olsen Lines é considerado de pequena tonelagem, deslocando a arqueação bruta GT de 24,344 toneladas, com o comprimento de 195 metros, com boca (largura) 28 metros, mais vulnerável à ondulação.

O “Balmoral” da mesma companhia com 218 m de comprimento deslocando cerca 43,500 toneladas brutas GT, com boca 28 metros, teve melhor comportamento no Cais 8 aquando da escala em 17 de Agosto do corrente ano em situações semelhantes de mar calmo.

O Cais 8 será sempre um cais condicionado ao atraque de navios, enquanto exposto diretamente à ondulação.

Para o Porto do Funchal sugiro a seguinte expansão:

A APRAM-Administração dos Portos da Região Autónoma da Madeira, S. A.,  pode e deve convidar as grandes companhias de navios de cruzeiro, por exemplo a Carnival Corporation & PLC, MSC Cruises, etc. a investirem no necessário prolongamento do Porto do Funchal em cerca de 400 metros (Cais 9), trata-se de um grandioso investimento financeiro, ficando o prolongamento de cais concessionado a custo zero, por um período alargado ao investidor. Seria ouro sobre azul na medida que o Cais 8, marinas e bacia portuária, ficariam protegidos da ondulação direta ou indireta, o Cais 8 seria de eleição para os navios de cruzeiro, mega iates, grandes veleiros, etc..

Recordo que os comandantes dos navios AIDA preferem atracar no Cais Norte atualmente em obras.

Desta forma o Porto do Funchal deixaria de perder escalas por falta de espaço de cais, pelo contrário, ganharia mais escalas, tornando-se um grande e atraente porto do Atlântico, dignificando a cidade portuária do Funchal e tornando-a mais cosmopolita.

O Cais Sul denominado de Pontinha com o prolongamento deixa de ser uma pontinha.

Para compensar perdas de receita à APRAM provenientes dos navios de cruzeiro afetos à companhia que ficasse com a concessão do prolongamento de cais, o Porto do Funchal poderia fornecer no futuro, gás natural à navegação em geral.

Espero que o Governo Regional confira a devida atenção ao Porto do Funchal, inclusive construir a necessária 2ª rampa RO/RO que por incrível que pareça, já está planeada desde 1972 pela extinta Junta Autónoma dos Portos do Arquipélago da Madeira (JAPAM) e Direcção dos Transportes e Comunicações – Direcção Geral de Portos

Três apontamentos

1-Por que o navio em questão “Braemar” ,que ao fim da tarde do dia 2 mudou-se do Cais 8 para o Cais 2 do Porto do Funchal, no dia seguinte não ficou atracado nos Cais 2 e 1 do Porto do Funchal? Ficou fundeado na Baía do Funchal, efetuando o transbordo de passageiros britânicos seniores, através de embarcações salva vidas.

No dia 3, terça feira, encontravam-se 2 navios no Porto do Funchal, o “Mein Schiff 4”, no Cais 3, e o “Aida Sol” no Cais 2. O “Braemar” não cabia nos Cais 2 e 1?

Dia 3, o ferry “Lobo Marinho” no dia de paragem semanal, devia ter saído para o largo, ou fundear, e dar lugar ao “Braemar”.

A Fred Olsen Lines efectua cruzeiros há muitos anos para a Madeira, merecia mais empenho da APRAM durante a prolongada visita do “Braemar”.

 

2-Recordo que, o hotel Roca Mar situado no Caniço de Baixo, participou à Capitania do Funchal da passagem do ferry “Lobo Marinho” na proximidade da costa, salvo erro no Verão de 2002 (+-), que provocou um acréscimo repentino da ondulação no local, ondas que subitamente galgaram um solário onde se encontrava o advogado Romano Caldeira, sendo este arrastado para o mar, felizmente sem consequências além do susto.

 

3-A ligação marítima via ferry com o Continente, em negociação até final deste mês.

A APRAM evoca a inexistência de espaço para parqueamento de carga rodada, relacionado com a futura ligação ferry entre a Madeira e o Continente.

Sugiro. e entende-se com toda a lógica, que a zona dos silos de cereais demolidos e a zona por baixo da Rotunda do Porto do Funchal, são áreas portuárias vocacionadas para apoio aos navios em especial a serviços de ferry, zonas excelentes para parqueamento e passagem de carga rodada, constituída por veículos ligeiros, médios e pesados com possível acesso pela Avenida Sá Carneiro, a Norte, ao lado da Discoteca Vespas. Estas preciosas áreas portuárias devem ser contempladas nas negociações entre os interessados na referida ligação marítima e a APRAM, a decorrer até o final deste mês.

Nota: Cais 3 – comprimento 347 m, profundidade, cota ZH (zero hidrográfico) 11 m.
Cais 2 – comp. 425 m, cota ZH 10 m.
Cais 1 terminal ferry – comp. 150 m, cota ZH 6,5 m.

CAIS NORTE

Para navios de cruzeiro
Comprimento: 260 mts
Cota ZH: 7,50 mts ZERO HIDROGRÁFICO
Cota cais N: 4,10 mts

CAIS 8

Navios cruzeiro
Comprimento: 330,0 mts
Cota ZH: 8,0 mts
Cota cais: 5,5 mts

Cais 7 145 m

CAIS 10 150 metros

Molhe de proteção da Marina do Funchal

Viável com o prolongamento da Pontinha em 400 metros

Além da plena viabilidade operacional do cais 8 todo o ano.

Com o prolongamento da Pontinha haverá um ganho de 150 metros de cais Norte ou seja o aproveitamento do cais de proteção da 1ª marina do Funchal.

Os comandantes dos grandes navios de cruzeiro recusam-se fundear na Baía do Funchal efectuando o transbordo dos passageiros para terra através de embarcações salva vidas.Pontualmente, só no último dia do ano”.