Curiosidades históricas: Jogos Olímpicos da Antiguidade na base da competição internacional

 

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Ruínas atuais da cidade de Olímpia.

Com Tomás Ornelas, Bárbara Balelo e Tomás Velosa / Os Jogos Olímpicos são hoje um dos mais reputados eventos desportivos da competição internacional. Mas a história demonstra que o passado tem os seus créditos na origem destas provas que convém sempre lembrar às gerações atuais. Com efeito, o espírito, a dinâmica, a competição destas provas remontam a tempos idos clássicos que ainda hoje continuam a moldar a nossa civilização.

Os jogos Olímpicos da Antiguidade realizaram-se entre os anos de 776 a.C. e 393 d.C, compreendendo um leque já variado de modalidades, muitas delas semelhantes às atuais.

Olímpia era a capital dos Jogos Olímpicos. Esta, contrariamente à designação de cidade que lhe é atribuída hoje, era um verdadeiro santuário, livre de edificações ou habitantes. Olímpia situa-se na região da Élide, na Península do Peloponeso. Os historiadores remetem o início da prática de desporto naquela área ao século X a.C. visto que era comum entre os gregos a realização de competições atléticas em celebrações religiosas.

Recebeu maior destaque em 776 a.C., com a realização dos primeiros Jogos Olímpicos que, na época, duraram apenas um dia e contaram com a realização de uma só modalidade, a corrida.

Passaram duzentos anos após os primeiros Jogos até que o antigo santuário, sob o governo dos eleatas a partir de 576 a.C., se começou a desenvolver. Até então consistia num campo vazio, somente ocupado pelo Templo de Hera e algumas estruturas dedicadas a Zeus. Já no final do séc. VI a.C., foi feita a reforma do estádio, construindo-se arquibancadas nas laterais,  os Tesouros, salas onde eram guardadas as oferendas feitas por reis, e o Buleutério, local onde se reuniam conselheiros e oficiais de Estado.

Olímpia era, de quatro em quatro anos, a “Capital da Paz” devido a um pacto de não-agressão celebrado entre as Pólis. Deste modo, durante a realização dos jogos, as guerras deveriam ser suspensas, e uma trégua estabelecida.

Consequentemente, com a afluência de reis, políticos e outras personalidades de renome à cidade, Olímpia viu o seu prestígio económico e social evoluir. A partir de 708 a.C., os Jogos Olímpicos passaram a durar dois dias, com a realização da palé e do pentatlo. À medida que novas modalidades foram sendo acrescentadas, também a duração dos jogos foi aumentado, atingindo os cinco dias no século V a.C.

Todos os atletas e treinadores chegavam a Olímpia com dias de antecedência de modo a treinar e preparar os Jogos. No primeiro dia, os atletas e os árbitros realizavam o seu juramento no Buleutério, perante a estátua de Zeus Korkios. Juravam agir de forma honesta e honrada visto que o infrigimento das leis era considerado uma desonra não só do indivíduo mas também da cidade que este representava.

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A tocha olímpica, um ícon destes jogos.

A Tocha Olímpica era acesa diante do Templo de Zeus. O fogo era sagrado e habitualmente associado à religião grega.

Os jogos decorriam ao longo de toda a manhã do segundo dia. À noite, realizavam-se as primeiras celebrações em honra dos vitoriosos, com um banquete e uma cerimónia em homenagem a Pélops. No dia seguinte, ocorria o tradicional sacrifício de cem touros diante do altar de Zeus. O quarto dia era marcado pela realização dos últimos e, no quinto e último dia, todos os vencedores recebiam coroas de louros e fitas vermelhas.

Relativamente aos atletas e à sua participação nos jogos, somente cidadãos eram habilitados à realização dos mesmos, sendo estes apenas homens que nasceram na mesma cidade-estado na qual nasceram os seus progenitores, excluindo desta forma estrangeiros, escravos e mulheres.

No princípio, só era permitida a participação de cidadãos da Élide, região do Peloponeso. Com o tempo, estendeu-se a toda a península e mais tarde até às colónias na magna Grécia (no sul da atual Itália).

Foi posteriormente permitida a participação nos jogos de jovens que aspiravam à cidadania, que só lhes era concedida a partir da idade adulta. Porém, estes deviam, assim como todos os outros que ambicionavam participar, ter uma preparação física adequada, normalmente ganha no serviço militar obrigatório que cumpriam, e que exaltava o culto do corpo e do desporto.

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As modalidades: as corridas pedestres, entre outras.

Em relação aos jogos, estes eram realizados inicialmente em um só dia, e mais tarde em até quatro. Eram divididos em três grandes categorias principais: As corridas: Pedestres, que incluíam percursos dos cerca de 200 metros até aos 4000 divididos em 4 provas: Corrida de Estádio, Diaulos, Dolichos e Hoplitodomos, e Equestres, incluindo corridas com cavalos, burros, éguas, bigas e quadrigas (divididas em: Tethrippon, Corridas de Cavalos, Apene, Calpe e Synoris); A Luta, composta pelas modalidades antecessoras às atuais: Luta Greco-Romana, Boxe e Luta Livre, organizadas em 3 provas: Palé, Pugilato e Pancrácio, respectivamente; e finalmente, o Pentatlo, com algumas provas de categorias anteriores, como a Corrida de Estádio e o Palé, adicionando a novas, como o Arremesso do Dardo, do Disco e o Salto em Distância.

Jovens lutando, M‡rmore encontrado no cemitŽrio de Dipylon, em Atenas,do sŽculo V a.C Young men wrestling, from a statue base found in the Dipylon Cemetery, Athens, c.510 BC (marble) (see also 60008-9 and 60011), Greek, (6th century BC) / National Archaeological Museum, Athens, Greece CrŽdito: Museu Nacional Arqueol—gico, Atenas Obs. Recuperar imagem em alta - ESPECIAL A a Z ed. 01 Antiguidade
As lutas entre jovens.

Todos os jogos eram acompanhados por árbitros, também apelidados de helanódices (“Juízes dos helenos”). Tinham a função de manter a ordem durante os jogos, assim como de fiscalizar as competições e coroar os vencedores. Eram selecionados entre as famílias nobres da Élide através de um sorteio.

Ao contrário do que acontece nos dias de hoje, os vencedores não recebiam medalhas de ouro, prata e bronze, mas uma coroa de louros ou de folhas de oliveira, acompanhada de uma fita vermelha, sendo que apenas o primeiro classificado da prova recebia estes prémios.

As olimpíadas prosseguiram com a sua realização mesmo depois da conquista da Grécia por parte da Macedónia, e até mesmo com o Império Romano, estes últimos que herdaram o gosto pelo desporto e pela competição grega.

O fim dos jogos olímpicos da antiguidade deu-se em 393 d.C., por ordem do imperador Romano Teodósio I.

Na atualidade, os jogos olímpicos, com outros contornos e alcance internacional, mobiliza os aficionados do desporto e são um elo de união e de paz entre os povos, apesar de estar sempre subjacente o factor competição.

(Nota: este artigo é elaborado por estudantes do ensino secundário)